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Vereadores questionam antecipação da eleição da Mesa Diretora em Vila Velha

Vereadores questionam antecipação da eleição da Mesa Diretora em Vila Velha

Vereadores questionam antecipação da eleição da Mesa Diretora em Vila Velha

A antecipação da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vila Velha para o biênio 2027/2028 dominou os debates durante a 35ª Sessão Ordinária realizada nesta segunda-feira (1º). Embora a chapa única encabeçada pelo vereador Joel Rangel (Podemos) tenha sido eleita com ampla maioria, os vereadores Rafael Primo (PT) e Patrícia Crizanto (União Brasil) utilizaram a tribuna para questionar a legalidade e a constitucionalidade da realização do pleito neste momento.

Único parlamentar a votar contra a chapa, Rafael Primo afirmou que sua posição não estava relacionada aos integrantes da composição, mas ao entendimento de que a eleição contraria decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Antes da votação, o vereador fez questão de ressaltar que não possuía qualquer objeção pessoal ao presidente eleito.

“Vereador Joel Rangel, sua trajetória, sua pessoa e seu serviço prestado te qualificam plenamente para ser presidente desta Casa”, declarou.

Em seguida, Rafael Primo argumentou que decisões recentes do STF apontam para a impossibilidade de eleições antecipadas para mesas diretoras de casas legislativas. Segundo ele, o entendimento da Corte é de que a escolha deve ocorrer mais próxima do início do mandato que será exercido.

“Deixam expressamente o recado de que esta é uma eleição inconstitucional e ilegal neste momento”, afirmou.

O parlamentar também lembrou que protocolou uma Reclamação Constitucional no STF questionando a realização do pleito. Segundo ele, a ação foi apresentada antes mesmo do registro da chapa única.

“Essa reclamação é anterior à chapa. Sequer eu sabia que a chapa seria registrada naquele momento”, disse.

Durante o pronunciamento, Rafael Primo afirmou ainda que vereadores que atualmente apoiam a eleição chegaram a defender mudanças no Regimento Interno para transferir a escolha da Mesa Diretora para outubro.

“Deixando cristalino que todos aqui compreendem, entendem e conhecem a ilegalidade que estão praticando”, declarou.

Apesar das críticas ao processo, o vereador reiterou que sua posição não era direcionada a Joel Rangel. Ao comentar a ação em tramitação no Supremo, afirmou que uma eventual decisão favorável ao pedido liminar poderá afetar o resultado da eleição realizada nesta segunda-feira.

“Não me alegra e não me envaidece trazer para cá uma liminar que vai impugnar essa eleição que está sendo feita hoje”, afirmou.

Patrícia também faz ressalvas

A vereadora Patrícia Crizanto também manifestou preocupação com a antecipação da eleição e afirmou que o processo pode enfrentar questionamentos judiciais semelhantes aos registrados em outras casas legislativas do país.

Segundo a parlamentar, decisões recentes do STF têm suspendido eleições antecipadas para mesas diretoras em câmaras municipais e assembleias legislativas.

“Diversas câmaras de vereadores tiveram as eleições suspensas pelo STF”, afirmou.

Durante sua fala, Patrícia citou a possibilidade de mudanças futuras na composição da Mesa Diretora, especialmente em razão das eleições estaduais, e destacou que situações semelhantes vêm sendo analisadas pela Suprema Corte.

“Essas violações estão sendo vistas pelo STF”, declarou.

A vereadora argumentou que a existência de previsão regimental para a realização da eleição não afasta a possibilidade de eventual contestação judicial.

“Mesmo que a Lei Orgânica, mesmo que o Regimento desta Casa diga que a eleição possa acontecer neste momento, não é o suficiente para que essas eleições que estão acontecendo nos dias de hoje não sejam invalidadas”, afirmou.

Patrícia também defendeu que o Legislativo demonstre compromisso com a legislação e com a população de Vila Velha.

“Nós precisamos sim mostrar para a nossa cidade de Vila Velha o nosso compromisso, principalmente com a população e com a legislação”, disse.

A parlamentar sustentou ainda que a antecipação do pleito pode afrontar princípios constitucionais e o chamado critério de contemporaneidade adotado pelo STF em decisões recentes.

Apesar das ressalvas, anunciou voto favorável à chapa encabeçada por Joel Rangel, justificando a decisão pela confiança no trabalho desenvolvido pelo vereador.

“Tenho todos os motivos para votar não, mas com respeito e acreditando no seu trabalho, Joel, eu irei te dar esse voto de confiança”, declarou.

Chapa eleita

Ao final da votação, a chapa única foi eleita com 18 votos favoráveis e um contrário. O único voto contrário foi registrado por Rafael Primo.

A discussão sobre a legalidade da antecipação da eleição, no entanto, permanece vinculada à Reclamação Constitucional apresentada ao Supremo Tribunal Federal, que ainda aguarda análise.

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