Violência policial cresce após recorde em SP; Baixada Santista tem alta de 283% nas mortes
(FOLHAPRESS) – Agentes policiais em São Paulo tiraram a vida de 130 pessoas nos meses de janeiro e fevereiro de 2026. Com uma média de dois óbitos diários, a letalidade policial aumentou em 41% se comparado ao mesmo período do ano anterior.
Os dados revelam que a tendência de crescimento da violência policial continua após um registro recorde. Entre outubro e dezembro do ano passado, houve 276 mortes decorrentes de intervenções policiais em São Paulo, o maior número já registrado em um trimestre desde 1996.
Atualmente, o aumento é impulsionado pelo aumento das mortes na região metropolitana da Baixada Santista, que foi cenário das operações mais letais da Polícia Militar sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), conhecidas como Escudo e Verão. Essas operações, desencadeadas após assassinatos de policiais em Guarujá e Santos em 2024 e 2023, resultaram em um total oficial de 84 mortes causadas pela PM.
Dois anos atrás, o número total de mortes causadas pela PM em janeiro e fevereiro foi de 147, principalmente devido à operação Verão. Portanto, os números de 2026 se aproximam dos registrados naquele período, mesmo sem uma operação específica que concentrasse os casos.
A Baixada Santista registrou seis mortes causadas por policiais nos primeiros meses de 2025. No entanto, nos dois primeiros meses deste ano, houve um aumento de 283%, totalizando 23 mortes. Esses números incluem casos em que os policiais estavam em serviço ou folga.
O aumento da violência policial contrasta com a redução de outros crimes no estado. Por exemplo, o homicídio doloso teve 392 casos no primeiro bimestre, uma queda de 7,5% em relação a 2025, o menor número para o período na série histórica. Além disso, os nove municípios da Baixada registraram 20 assassinatos em janeiro e fevereiro, dois a mais do que no ano anterior.
O número de roubos registrados no estado foi o menor já documentado para o primeiro bimestre, enquanto os furtos também diminuíram. No entanto, os registros de feminicídio continuam em alta, com 56 casos em janeiro e fevereiro, o maior número desde 2018.
Questionada sobre o aumento, a Secretaria de Segurança Pública da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que “intensificou o enfrentamento à criminalidade violenta e organizada, com a realização de operações de alta complexidade e risco, o que influencia diretamente o tipo de ocorrência enfrentada pelas equipes.”
“Na área de abrangência do Deinter-6 (Santos), os homicídios dolosos, furtos e roubos em geral também apresentaram quedas, com este último indicador chegando ao menor patamar desde o início da série histórica”, destaca a nota.
No litoral, as mortes causadas por PMs se concentraram nos municípios de Guarujá, Santos e Cubatão. Em dois casos, três pessoas foram mortas simultaneamente: em Santos, na tarde de 23 de janeiro; e em Cubatão, no dia 30 de janeiro.
Outro caso incluído nas estatísticas do período foi em 5 de janeiro, quando um policial militar de 37 anos matou um jovem de 21 anos com um tiro na cabeça após uma discussão de trânsito na Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. O cabo Leandro de Souza Assis, que estava de folga, se entregou e foi preso.
A discussão começou por falta de espaço para passagem de dois carros simultaneamente em uma rua do bairro. O PM emparelhou seu veículo com o do outro motorista, Bruno Lisboa Araújo, 21, e ambos iniciaram uma discussão.
O policial alegou que Araújo abriu parcialmente a porta do veículo, colocou um pé para fora e fez menção de sacar uma arma. O cabo afirmou que nesse momento pegou sua pistola e atirou no jovem. O boletim de ocorrência revelou que nenhuma arma foi encontrada com a vítima.
Com casos como esse, as mortes causadas por policiais nos seis meses entre setembro de 2025 e fevereiro deste ano já ultrapassam o total registrado durante todo o ano de 2022, quando a letalidade policial atingiu os níveis mais baixos em 17 anos.
Desde o início da gestão Tarcísio, a atuação da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e dos Baep (Batalhões de Ações Especiais de Polícia) tem se destacado diante do aumento da violência policial.
Esses batalhões, que recebem treinamento especializado no combate a grupos armados e são considerados tropas de elite dentro da PM paulista, estiveram envolvidos em ocorrências resultando em mortes não apenas com mais frequência, mas também em mais municípios ao longo do ano passado.
Conhecida pelo alto índice de letalidade, a Rota foi o batalhão da PM com mais mortes no ano passado, totalizando 67 casos. A maioria ocorreu com agentes em serviço, sendo que 4 mortes foram provocadas por policiais de folga.
Neste ano, policiais da Rota já estiveram envolvidos em 22 mortes, conforme dados do Gaesp (Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública) do Ministério Público de São Paulo. Mantendo esse ritmo, a tropa de elite superará o número de mortes registrado no ano anterior.
A letalidade e o controle da atuação policial tornaram-se temas centrais da gestão Tarcísio desde a campanha eleitoral de 2022. Inicialmente, ele expressou interesse em acabar com o programa de câmeras corporais da PM.
Após críticas, inclusive pela redução de mortes de civis e policiais com a implementação dos equipamentos, ele passou a considerar mudanças, mas sem desistir da ideia. Em dezembro de 2024, após circularem imagens de um PM jogando um homem de uma ponte durante uma abordagem, Tarcísio admitiu ter errado nas críticas ao uso do equipamento.
Sob sua gestão, a PM adotou novos modelos, nos quais cabe ao policial acionar a câmera para iniciar a gravação. Os equipamentos podem acionar automaticamente quando há outra câmera ligada a até 20 metros de distância.
O número de mortes por policiais tem aumentado a cada ano desde o início da gestão atual. Durante as operações Escudo e Verão, sete casos foram denunciados após o Ministério Público Estadual considerar que os PMs mataram pessoas sem oferecer risco e tentaram manipular provas, muitas vezes obstruindo as lentes das câmeras corporais.
A Secretaria de Segurança Pública afirmou que “todas as ocorrências de morte em decorrência de intervenção policial são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Judiciário. As circunstâncias de cada caso são analisadas individualmente, com base em elementos técnicos e periciais.”
A pasta também destacou que “as polícias paulistas não toleram excessos e desvios de conduta, punindo com rigor todos os casos identificados.
O crime ocorreu em Campo Belo (MG); o suspeito confessou após tentar enganar a polícia, enquanto as investigações apontam um histórico de agressões e motivação considerada fútil pela delegada responsável pelo caso.
Notícias ao Minuto | 06:00 – 11/04/2026



