Bandas investem até R$ 40 mil para lançar álbuns em vinil: 'Experiência única', diz músico do interior de SP
Bandas investem até R$ 40 mil para lançar álbuns em vinil: ‘Experiência única’, diz músico do interior de SP
Na era do streaming, grupos musicais do interior de São Paulo escolhem o vinil como meio de lançamento de seus álbuns. Em meio a playlists e singles, essas bandas mantêm viva a tradição dos discos de vinil, optando pelo formato analógico clássico.
No Dia Mundial do Vinil, celebrado nesta segunda-feira (20), o G1 conversou com bandas de Araraquara e Descalvado que mantêm a cultura do disco físico, apesar dos altos custos de produção e venda no Brasil.
Entre apresentações na Itália e festivais de jazz pelo Brasil, o Du Rompa Hammond Trio, de Descalvado, investe em LPs com edições limitadas, que podem custar até R$ 40 mil para prensar 300 cópias.
“É preciso ter uma decisão firme e buscar formas de arrecadar fundos para prensar os vinis. Para 300 cópias, os custos variam de R$ 25 mil a R$ 40 mil”, explicou o músico Du Rompa.
Tanto o Du Rompa Hammond Trio quanto os Caramelows apostam nos discos de vinil para promover sua música instrumental.
Desafios e Acessibilidade Sonora
Para artistas independentes, o formato exige planejamento e investimentos significativos, o que impacta diretamente o acesso do público.
Os discos do Du Rompa Hammond Trio são vendidos por valores entre R$ 200 e R$ 270. O primeiro álbum, com apenas 300 cópias, começa a se tornar uma raridade e valorizar-se mais com o tempo.
Da mesma forma, os primeiros discos dos Caramelows, como ‘Remonta’ (2016) e ‘Goela Abaixo’ (2019), da fase inicial com a cantora Liniker, tornaram-se itens de coleção, podendo chegar a custar até R$ 2 mil.
Apesar do crescimento do vinil, o alto custo ainda limita o acesso do público, o que ressalta uma questão de classe social, conforme apontado pelo baterista Péricles Zuanon dos Caramelows.
Os primeiros trabalhos dos Caramelows tiveram tiragens expressivas, com produção nacional e internacional, sendo que os discos mais recentes também devem ganhar versões em vinil.
Público e Interesse
Para o tecladista dos Caramelows, Fernando TRZ, parte da nova geração tem redescoberto o vinil como uma alternativa ao consumo digital, buscando uma conexão mais profunda com a música e valorizando a cultura nacional.
Por outro lado, Du Rompa destaca que o público do vinil é composto principalmente por colecionadores e pessoas acima de 35 anos, que compreendem a importância desse formato como uma experiência única de imersão na obra musical.
Além disso, há um número crescente de jovens se aproximando dos vinis, atraídos pela conexão mais profunda que o formato proporciona, indo além da simples audição e envolvendo aspectos ritualísticos e uma apreciação mais atenta e sensível do trabalho artístico.
Experiência Musical e Artística
Liderado pelo organista Du Rompa, o trio Du Rompa Hammond conta com a guitarra de Daniel Zivko e a bateria de Leo Luca, destacando-se pelo uso do órgão Hammond como peça central, misturando jazz, música brasileira e elementos psicodélicos.
A banda investe no formato físico do LP para aprofundar a experiência sonora, com o músico também atuando como artista gráfico, assinando as artes dos discos, incluindo ilustrações e capas elaboradas.
As capas, no formato gatefold, são consideradas essenciais no projeto, carregando simbologia e relação com o conceito do álbum.
Atualmente com dois discos de vinil lançados, “Só e Poeira” e “Beijo da Serpente”, o trio se prepara para o terceiro trabalho, previsto para ser lançado entre abril e maio.
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Caramelows, Som e Imersão
Com quatro álbuns lançados, sendo os dois primeiros ao lado da cantora Liniker e os dois últimos na fase instrumental, a banda Caramelows vê no vinil uma conexão mais profunda com o público.
Para o grupo, a relação com o vinil vai além do som, envolvendo o contato físico com o disco, ampliando a conexão e a percepção do ouvinte.
O pensamento de um álbum em vinil vai além da música, exigindo uma construção narrativa dividida nos lados A e B, influenciando a forma como as faixas são organizadas e a experiência do ouvinte.
Além disso, a própria estrutura do disco ganha novas camadas nesse processo dos “lados”, influenciando a seleção e disposição das músicas.
Afetividade Sonora
A relação com o vinil, para os integrantes das bandas, é não apenas musical, mas também afetiva, remontando a experiências passadas e influências familiares. O vinil é visto como um objeto de valor e um meio de conexão profunda com a música e a arte.
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