Negligência pode ter matado recém nascido no Hospital Geral São Mateus
Uma denúncia de possível negligência médica envolvendo a morte de um recém-nascido no Hospital Geral de São Mateus, na zona leste de São Paulo, tem gerado comoção e revolta entre familiares e moradores da região. O caso ocorreu no dia 24 de março de 2026 e envolve o atendimento prestado à gestante Melissa Araújo Costa, que aguardava o nascimento de seu filho, Davi.
Segundo relato da família, o que deveria ser um momento de celebração transformou-se em uma sequência de falhas graves no atendimento. De acordo com a avó da criança, dona Priscila, exames realizados ainda pela manhã já indicavam sofrimento fetal e batimentos cardíacos abaixo do normal – sinais que exigiriam atenção imediata e, possivelmente, intervenção cirúrgica.
Apesar do quadro considerado de risco, a equipe do hospital teria optado pela indução do parto normal. A denúncia aponta ainda que o procedimento foi conduzido exclusivamente por profissionais de enfermagem, sem a presença de um médico ginecologista obstetra durante todo o processo.
A situação teria se agravado com a identificação de mecônio, uma substância esverdeada que indica sofrimento fetal e pode causar complicações respiratórias graves. Mesmo diante desse sinal de alerta, a família afirma que houve uma demora de aproximadamente 40 minutos para o encaminhamento da gestante ao centro cirúrgico.
Davi nasceu com sérias complicações pulmonares após aspirar o líquido contaminado. Ainda segundo a família, houve insistência por uma avaliação pediátrica mais rigorosa, mas o recém-nascido não resistiu.
O outro lado
A reportagem tentou contato com a Diretoria do Hospital, com a Secretaria Estadual de Saúde e com o Governador do Estado, Tarcísio de Freitas. A única resposta obtida, em nota, pela Secretaria Estadual de Saúde diz que: “O Hospital Geral de São Mateus lamenta profundamente o desfecho do caso e informa que prestou acolhimento à família, oferecendo os esclarecimentos necessários sobre a assistência realizada, permanecendo à disposição dos familiares. Sobre o caso do bebê, a paciente M.A.C. deu entrada na unidade no dia 24 de março, com 40 semanas de gestação e em trabalho de parto, sendo acompanhada de forma contínua pela equipe assistencial. Durante a evolução do quadro, após a ruptura da bolsa, foi identificada intercorrência obstétrica que indicou a realização de cesariana, procedimento adotado de forma imediata pela equipe. O recém-nascido apresentou quadro inicial estável, mas evoluiu com grave dificuldade respiratória, compatível com complicações neonatais de alta complexidade, sendo encaminhado à UTI neonatal. Apesar de todos os esforços da equipe e das medidas adotadas, o bebê evoluiu para óbito. O hospital informa que o caso será analisado conforme os protocolos internos e reforça que segue à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos”.
Quando questionados do por que não ter um médico obstetra no Hospital que pudesse atender à gestante, ou mesmo da possível precariedade do hospital, ninguém respondeu.
Falta de estrutura
A nota entra em contradição quando afirma que após a ruptura da bolsa, foi realizado o procedimento de cesária, quando na verdade, a família afirma que houve a indução ao parto normal, mesmo a equipe sabendo dos riscos.
Outro ponto que ninguém responde, foi a falta de um médico responsável para atender a gestante prontamente e seguir com os protocolos de urgência. “por que nenhum médico realizou o parto, apenas os enfermeiros? É protocolo do Hospital em caso grave de parto, não contar com um obstetra para os procedimentos necessários?”, questiona a reportagem, mas ninguém soube dar essa resposta.
O caso levanta questionamentos sobre a estrutura e os protocolos de atendimento da unidade, que é administrada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, sob responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas. Em declarações públicas recentes, o governador tem destacado a “excelência” das instituições públicas geridas por sua administração.
Diante da gravidade das acusações, familiares cobram uma investigação rigorosa sobre a possível ausência de profissionais médicos especializados e a demora no atendimento emergencial. Até o momento, não há informações públicas sobre a abertura de sindicância interna ou posicionamento oficial detalhado da unidade hospitalar.
O caso reacende o debate sobre a qualidade do atendimento na rede pública de saúde e a necessidade de protocolos mais rígidos para garantir segurança a mães e recém-nascidos.
Enquanto isso, a família de Davi segue em luto e em busca de respostas.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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