Em meio à guerra do delivery, Yooga chega a 1,5 milhão de pedidos por mês
O setor de delivery vive sua fase mais competitiva em anos. O iFood domina cerca de 83% do mercado, movimenta mais de 200 milhões de pedidos por mês e cobra taxas que chegam a 30% do valor do pedido. Desde o fim de 2025, enfrenta a Keeta e a 99Food, que entraram com repasses rápidos, taxa zero e subsídios em cupom.
A Yooga, empresa de tecnologia para bares e restaurantes com sede em Vitória, processa hoje 1,5 milhão de entregas por mês pela sua base de clientes. O delivery está incluído na assinatura do sistema, sem comissão sobre as vendas, modelo oposto ao dos grandes aplicativos.
Para o dono do restaurante, a percepção sobre o canal tem mudado. As principais plataformas geram demanda, mas cobram caro por cada pedido, inclusive dos clientes que já eram fiéis à casa.
A lógica da Yooga é inversa: reter e fidelizar a própria base, sobretudo os consumidores mais próximos.
Vinícius Melo, fundador e CEO da Yooga, disse que esperava perder espaço com a concorrência acirrada.
“Eu achei que essa agenda de canal próprio perderia muita relevância porque teria uma guerra desenfreada por subsídios, e a gente não consegue estimular cupom, desconto como os marketplace fazem”, afirmou.
O efeito foi inverso. A multiplicação de canais reforçou a necessidade de um único lugar para consolidar resultado, margem e volume de cada aplicativo. O carro-chefe da Yooga, a gestão dos restaurantes, ficou ainda mais relevante.
“Essa dinâmica de novos canais de venda no delivery só reforça a importância do gestor. A concorrência empurrou o empresário a enxergar o canal como um ativo a ser medido, não apenas mais um aplicativo”, concluiu o fundador da Yooga.
A tese da empresa está na natureza hiperlocal do delivery. Pelos dados da própria Yooga, 80% dos pedidos monitorados acontecem num raio de três quilômetros. Para Vinicius, o número mostra que o restaurante ganha mais atuando forte na vizinhança do que disputando um cardápio nacional com dezenas de concorrentes.
O sistema opera em formato white label (a identidade da Yooga não aparece para o consumidor). Alguns clientes rodam domínio próprio, tráfego pago e pixel de rastreamento; outros publicam a loja com poucos cliques.
A operação logística usa entregador próprio do restaurante, com integração a operadores logísticos, roteirização automática e aplicativo de acompanhamento da rota.
A base está espalhada por mais de 1.800 cidades. São Paulo é o maior mercado, seguido pelo Espírito Santo, cada um com 12% a 15% dos pedidos. Cerca de 70% dos quase 7 mil restaurantes clientes operam o delivery próprio da plataforma.
A empresa diz acompanhar métricas de performance como taxa e tempo de recompra. Encurtar o intervalo entre pedidos pode somar de 20% a 30% de receita ao restaurante, segundo Melo.
O modelo sem comissão carrega uma aposta de prazo mais longo. A Yooga reúne quase 18 milhões de consumidores cadastrados, com nome, telefone, endereço e último pedido, algo próximo de 10% da população brasileira, sem nunca ter gasto para atrair esse público.
É uma base de monitoramento de hábito de compra que pode servir para falar direto com o consumidor.



