Argentinos matam a fome com alfajores em meio à crise
Manchete do Página 12 sobre alfajores vendidos como alternativa às refeições para parte da população argentina. Foto: Reprodução
O jornal Página 12 publicou essa semana uma longa reportagem sobre algo inusitado em meio à crise argentina: a população pula refeições, e os lanches rápidos nas ruas foram substituídos por alfajores que custam bem menos do que o preço médio de um sanduíche.
O jornal mostra como estudantes e trabalhadores que passam o dia fora de casa e não têm acesso a refeições em empresas se alimentam mal.
Não é a folclorização do alfajor como a comida dos pobres, como fizeram com a carne de burro que passou a ser consumida na Patagônia. É a realidade. Enganam a fome na rua com alfajores.
Os argentinos já comiam lanches, em substituição ao almoço, e agora comem cada vez mais doces industrializados. São mais de cem variedades do doce com o qual a Argentina é reconhecida em toda parte. A população consome 12 milhões de unidades por dia.
Também o jornal La Nación publicou de manchete nessa terça-feira a informação de que todos os institutos de pesquisa do país captam a mesma tendência: aumentou o desalento na Argentina, e as pessoas não acreditam mais na recuperação da economia e no governo.
O jornal dá a lista dos institutos que sustentam as informações sobre aumento do pessimismo generalizado: Poliarquía, Trespuntozero, Hugo Haime & Asociados, Opina Argentina, Casa Tres e Proyección Consultores. Algumas empresas de consultoria registram que o governo Milei chegou ao fundo do poço em desaprovação.
O Nación informa: ”O Índice de Otimismo Cidadão (CIO, na sigla em inglês), compilado pela Poliarquía — a mesma consultoria que coleta os dados usados pela UTDT para construir o ICG — apresentou uma queda acentuada em julho: recuou 9% e entrou na zona de forte pessimismo da opinião pública. Este é o pior resultado de toda a era Milei”.
O relatório de julho da consultoria também observa que “o apoio ao governo, a confiança do consumidor, o otimismo e a esperança social estão em queda, o que se traduz em um declínio no apoio eleitoral ao partido governista”, o que atribuem à falta de uma “melhora perceptível na economia do dia a dia”.
Milei estaria perdendo o apoio da velha direita argentina, como acontece no Brasil com o bolsonarismo sem o lastro eleitoral do centrão. Essa direita tradicional votou na senadora Patrícia Bullrich no primeiro turno, em novembro de 2023.
Milei e Flávio Bolsonaro na convenção do PL. Foto: Taba Benedicto/ Estadão
No segundo turno, foi decisiva, com o apoio de Bullrich, para a vitória de Milei. Mas o fascista está sendo abandonado por sua base disruptiva e pela base emprestada pelo conservadorismo tradicional.
Aqui, o link para a reportagem do Páginas 12 sobre o consumo de alfajores e as consequências desse hábito para a saúde da população



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