×

Negociações apoiadas pelos EUA na Venezuela começarão sem María Corina

Negociações apoiadas pelos EUA na Venezuela começarão sem María Corina

Negociações apoiadas pelos EUA na Venezuela começarão sem María Corina

EUA oferecem garantias de segurança

As tratativas apoiadas pelos Estados Unidos entre o governo interino venezuelano e um setor da oposição iniciarão em breve, sem a presença de María Corina Machado, líder opositora proeminente no país.

Essas conversas visam reformular o sistema político da Venezuela antes de futuros pleitos, demonstrando a influência sem precedentes de Washington na política venezuelana desde a remoção de Nicolás Maduro do poder em janeiro, durante a administração Trump, quando Delcy Rodríguez foi instaurada como presidente interina.

Representando o governo, as negociações serão conduzidas por Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e experiente em diálogos anteriores com os EUA e a oposição.

Por outro lado, a delegação opositora, apoiada pelos EUA na busca por reformas no Conselho Nacional Eleitoral e no Supremo Tribunal para assegurar eleições livres e justas, será liderada por Dinorah Figuera, conforme comunicado conjunto divulgado recentemente.

Três fontes informaram que os EUA solicitaram a Figuera que encabeçasse a delegação, por ser presidente do grupo da Assembleia Nacional de 2015, majoritariamente opositora, ainda reconhecida por Washington como o último Parlamento democraticamente eleito na Venezuela.

A ausência nas negociações de María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e figura de destaque na oposição venezuelana, tem gerado frustração em alguns analistas.

Machado deixou a Venezuela no final do ano passado para receber o Nobel, comprometendo-se a retornar ao país para auxiliar na resposta aos terremotos de junho, mesmo contrariando autoridades americanas que consideram inadequado o momento para seu retorno.

O presidente dos EUA, Donald Trump, negou relatos de que seu governo teria solicitado que Machado não voltasse à Venezuela. Desde a saída de Maduro, Washington tem mantido Machado em segundo plano publicamente, afirmando que ela não possui apoio suficiente para liderar o país.

De acordo com as fontes, antes da visita de Dinorah Figuera a Caracas em meados de junho, Machado não tinha conhecimento iminente do início das negociações. Outra fonte indicou que ela foi informada sobre as conversas, porém não foi convidada a integrar a delegação opositora por não pertencer à Assembleia Nacional eleita em 2015.

Uma pessoa familiarizada com as negociações afirmou que Machado está correta ao manter distância do processo, podendo tornar-se a primeira presidente mulher da Venezuela se as negociações forem bem-sucedidas, ou reforçar seu argumento de que as tratativas necessitam de representantes legitimados e populares, caso falhem.

Segundo essa fonte, os negociadores terão de produzir resultados rapidamente para conquistar a confiança dos venezuelanos e compensar a ausência de Machado nas conversações.

Embora não participe das negociações, Machado declarou na semana passada que não irá obstruir um “progresso real” e avaliará seu êxito com base em critérios como a restauração das instituições democráticas, a libertação de presos políticos e o estabelecimento de um calendário eleitoral, entre outros.

Machado e Figuera não responderam aos pedidos de comentário.

Durante as negociações, o governo interino defenderá a suspensão das sanções americanas ainda em vigor. No passado, os EUA amenizaram temporariamente sanções sobre os setores de petróleo, gás e ouro venezuelanos após acordos entre governo e oposição para garantir eleições justas.

A data exata de início das negociações ainda não está clara. Embora inicialmente previstas para 1º de agosto, conforme comunicado conjunto do governo e da oposição, fontes próximas à oposição e ao governo indicaram à Reuters que as conversas devem começar no domingo ou na segunda-feira, com a chegada de Figuera e demais membros da delegação opositora a Caracas.

Jorge Rodríguez não respondeu aos pedidos de comentário.

Ao longo dos anos, a oposição venezuelana participou de várias rodadas de negociações com o então governo de Nicolás Maduro, acusado de influenciar o Judiciário e a autoridade eleitoral ao designar aliados para tais órgãos.

Um acordo planejado para as eleições de 2024 prometia uma competição justa e ampla participação da oposição, porém María Corina Machado foi impedida de concorrer. Observadores eleitorais internacionais e os EUA alegaram que seu movimento obteve cerca de dois terços dos votos, mas as autoridades eleitorais e judiciais reconheceram Maduro como vencedor, mantendo-o no cargo.

Para Ricardo Ríos, diretor da consultoria de risco político Poder y Estrategia, a exclusão do grupo de Machado das novas negociações priva a sociedade venezuelana de uma parcela significativa. Contudo, ele considera improvável que isso resulte em novas divisões, dada a histórica fragmentação da oposição.

Os EUA argumentam que a Venezuela deve primeiramente alcançar estabilidade política e recuperação econômica antes de realizar eleições. Trump relaxou parte das sanções e elogiou repetidamente a liderança de Delcy Rodríguez.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, aliado de longa data de Machado, afirmou neste mês que ela será bem-vinda às negociações se os venezuelanos apoiarem sua participação, salientando que o papel dos EUA é facilitar, não impor, o processo.

“Para que a Venezuela alcance a reconciliação necessária para avançar em todos os demais projetos, todos os setores da sociedade venezuelana precisam estar representados. E, obviamente, María Corina representa uma parcela importante dessa sociedade”, disse Rubio.

Segundo outra fonte da oposição, a participação dos EUA oferece segurança aos opositores, frequentemente sujeitos a prisões e processos que consideram perseguição política.

Um informante ligado ao grupo de Dinorah Figuera descreveu os Estados Unidos como um ator central nas negociações, afirmando que Washington não ficará apenas observando.

Créditos