Fapesp recua após Tarcísio criticar corte em bolsas no exterior
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) recuou parcialmente das mudanças anunciadas na semana passada para bolsas de pesquisa no exterior e voltou a prever o benefício para estudantes de iniciação científica e mestrado. Os dois grupos, porém, continuarão fora do sistema de fluxo contínuo e passarão a depender de chamadas específicas.

O recuo ocorre após o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmar, na última sexta-feira (28), que a fundação iria rever as normas. A declaração foi dada durante agenda no interior paulista, em meio à pressão de pesquisadores e entidades acadêmicas.
No fim de agosto, a Fapesp anunciou novas regras para a Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) que excluíam alunos de iniciação científica e mestrado das modalidades contempladas. O novo regulamento, que entrou em vigor em 1º de setembro, passou a prever o benefício apenas para doutorado direto, doutorado e pós-doutorado.
No entanto, em novo comunicado publicado na segunda-feira (1º), a fundação informou que alunos de IC e mestrado também poderão pleitear bolsas no exterior, mas por meio de chamadas específicas — e não mais pelo sistema de fluxo contínuo, que permitia solicitação a qualquer momento.
Como ficam as novas regras
Segundo a Fapesp, quem teve a bolsa de iniciação científica ou mestrado aprovada até 31 de agosto poderá disputar uma chamada que será anunciada no fim de setembro. Para as bolsas concedidas a partir de 1º de setembro, haverá uma nova chamada apenas no primeiro semestre de 2027.
Para doutorado direto, doutorado e pós-doutorado, a fundação manteve a redução de até 12 para seis meses no período inicial das bolsas no exterior. O pesquisador poderá pedir uma prorrogação por outros seis meses, mas o período adicional dependerá de justificativa e nova análise da Fapesp.
Justificativa orçamentária
A Fapesp apresentou dados para justificar as mudanças. Segundo a fundação, os gastos com bolsas chegaram a 58% de seu orçamento em junho deste ano, ante uma média histórica de 35%. Entre 2023 e 2025, o número de bolsas contratadas cresceu 73%, saltando de 7.610 para 13.180.
No mesmo período, as bolsas no exterior cresceram 52%, de 1.242 para 1.889. A Fapesp alegou que a manutenção desse ritmo poderia comprometer a saúde orçamentária e limitar a capacidade de financiar projetos de pesquisa científica e tecnológica.
Por outro lado, a própria fundação informou que os repasses do Tesouro estadual para seu orçamento aumentaram 64% entre 2020 e 2025 — o que gerou críticas de pesquisadores sobre a real necessidade dos cortes.
A polêmica teve início quando a Fapesp anunciou as mudanças em 26 de agosto. Na ocasião, o governador Tarcísio disse que garantiria a manutenção das bolsas após protestos de estudantes e docentes.
O recuo parcial da Fapesp, no entanto, não foi suficiente para encerrar o debate. Entidades representativas de pesquisadores argumentam que as chamadas específicas representam uma barreira burocrática que pode desestimular candidaturas, sobretudo de alunos de graduação que dependem da mobilidade internacional para complementar a formação.
Com informações do G1
RedeBrasil




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