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Audiolivros ganham espaço entre brasileiros e transformam rotina de leitura

Audiolivros ganham espaço entre brasileiros e transformam rotina de leitura

Audiolivros ganham espaço entre brasileiros e transformam rotina de leitura

Os audiolivros no Brasil estão conquistando cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros. Dados recentes mostram que 23% da população já ouviu um audiobook, contra 20% em 2019. O crescimento reflete uma mudança no hábito de leitura, impulsionada pela falta de tempo e pela praticidade do formato digital.

Uma pesquisa feita pela NIQ BookData em parceria com a Skeelo revela que 49% dos brasileiros já são considerados leitores digitais. Desses, 25,3% acessaram livros digitais, audiolivros ou PDFs nos últimos 12 meses. O número representa cerca de 18 milhões de pessoas que aumentaram significativamente o consumo de leitura depois de adotar os formatos digitais.

O levantamento também mostra que 45% dos usuários de audiolivros passaram a ler muito mais depois de conhecer o formato. Entre os motivos apontados estão a possibilidade de realizar outras atividades ao mesmo tempo (45,5%), a facilidade de acesso (45%) e a praticidade de carregar vários livros no celular (36%).

Falta de tempo impulsiona crescimento dos audiolivros

A 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” indica que 75% dos leitores gostariam de ler mais, mas 46% apontam a falta de tempo como principal obstáculo. É nesse cenário que os audiolivros no Brasil ganham força. Eles permitem que as pessoas consumam literatura durante deslocamentos, tarefas domésticas ou atividades físicas.

A estudante Giovanna Lima Silva é um exemplo dessa tendência. Ela alterna entre livro físico e audiolivro de acordo com o momento do dia. “Meu preferido mesmo é ler livro físico. Mas nem sempre é viável levar um calhamaço para o ônibus. Então eu gosto de equilibrar entre os dois”, conta. Giovanna passa cerca de uma hora por dia no transporte público e começou a ouvir audiolivros há quase dois anos. “No ônibus lotado, às vezes não tem condição de abrir um livro. Com o audiolivro eu continuo consumindo cultura enquanto faço outras coisas.”

Livro físico e audiolivro não competem, dizem especialistas

Apesar do avanço dos formatos digitais, o livro impresso continua sendo o preferido dos brasileiros. A pesquisa mostra que 83% dos leitores tiveram o livro impresso como último formato lido, enquanto 16% leram em formato digital. Entre quem utiliza os dois formatos, 57% preferem o físico, 22% preferem o digital e 21% dizem gostar igualmente dos dois.

Para a escritora Bruna Martiolli, autora de “É Tempo de Morangos”, os formatos não competem entre si. “Eu acho que ele é infalível. Uma hora vai chegar a todo mundo, porque a vida está extremamente corrida”, afirma. Ela narrou a versão em áudio do próprio livro e conta que a experiência foi desafiadora. “As emoções faladas são muito diferentes. Na voz você tem entonação, sentimento.” A gravação levou cerca de 40 horas, distribuídas em seis dias de estúdio. Ela admite que tinha preconceito com o formato, mas mudou de ideia. “Hoje a neurociência já mostra que ouvir um audiobook também é leitura.”

Celular impulsiona acesso a audiolivros no Brasil

O diretor de produtos da Skeelo, Gustavo Santos Oliveira, destaca que o celular teve papel fundamental na transformação. “Hoje você consegue ouvir um livro em qualquer lugar. O que percebemos é que muitas pessoas escutam durante o deslocamento e deixam o ebook para quando chegam em casa”, explica. Segundo ele, o audiobook também atrai pessoas que antes tinham dificuldade para manter o hábito da leitura. “Tem pessoas que nunca se imaginaram lendo ou tinham dificuldade de concentração. O audiobook acaba sendo uma porta de entrada.”

Os audiolivros também estão abrindo espaço para formatos que parecem depender de ilustrações. É o caso da série “As Aventuras de Mike”, de Gabriel Dearo e Manu Digilio, que ganhou versões narradas pelos próprios autores. Acostumados a dar voz aos personagens em vídeos na internet, eles transformaram a experiência em algo próximo de uma dramatização. “Parece um pequeno filme. As cenas ficam divertidas e cada personagem ganha uma voz”, diz Gabriel.

O mercado editorial acompanha esse movimento. Plataformas como Skeelo, Ubook e até Spotify têm investido em catálogos de audiolivros no Brasil. A tendência é que o formato continue crescendo, especialmente entre jovens e moradores de grandes centros urbanos, onde o tempo de deslocamento é maior.

Para quem quer começar, especialistas recomendam títulos mais leves no início, como crônicas ou contos. Com o tempo, o hábito se expande para romances, não-ficção e até clássicos da literatura. O importante, segundo os entrevistados, é encontrar o formato que melhor se encaixa na rotina de cada um.

Com informações de G1

RedeBrasil

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