×

Senado SP: candidatos endurecem discurso contra o STF

Senado SP: candidatos endurecem discurso contra o STF

Senado SP: candidatos endurecem discurso contra o STF

O debate entre os candidatos ao Senado por Sao Paulo, realizado na TV Bandeirantes, foi marcado pelo endurecimento do discurso contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Pela primeira vez no atual ciclo eleitoral, candidatas aliadas ao governo Luiz Inacio Lula da Silva e oposicionistas convergiram em pelo menos um ponto: a disposicao de discutir o impeachment de ministros da Corte.

Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), ambas aliadas de Lula, evitaram citar nomes especificos, mas sinalizaram apoio ao impeachment de ministros envolvidos em suspeitas de corrupcao. “Se o STF nao fizer nada, o Senado precisa fazer”, afirmou Tebet durante o bloco que debateu a crise institucional entre os poderes.

A fala de Tebet representa um movimento significativo dentro do campo governista. Senadora de carreira e ex-ministra do Planejamento, ela propos tambem que decisoes monocraticas sejam enviadas ao plenario da Corte em ate 48 horas. A ex-ministra defendeu ainda o fim da vitaliciedade dos mandatos dos ministros do STF, uma proposta que ganha cada vez mais espaco no debate publico.

Na mesma linha, Marina Silva pediu a “cassacao” de ministros envolvidos em crimes de responsabilidade. A ex-ministra do Meio Ambiente e figura historica da luta ambientalista no pais argumentou que o Senado nao pode se omitir diante de evidencias de irregularidades na mais alta corte do pais.

Senado SP: candidatos endurecem discurso contra o STF

Do lado oposicionista, Andre do Prado (PL), deputado federal e correligionario de Flavio Bolsonaro, tambem defendeu a abertura de processos contra ministros. “E preciso coragem para fazer o impeachment de ministros do STF”, afirmou, mirando sua base mais conservadora. A candidatura de Andre do Prado e vista como um dos principais veiculos do bolsonarismo na disputa por uma das duas vagas ao Senado por Sao Paulo.

O candidato do Novo, Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, culpou o centrao por “represar” os pedidos de impeachment que tramitam no Congresso Nacional. Salles tem adotado uma estrategia de se apresentar como a alternativa mais combativa ao sistema politico tradicional.

Guilherme Derrite (PP), ex-secretario de Seguranca Publica de Sao Paulo e um dos nomes mais fortes na seguranca publica do estado, tambem defendeu a abertura de processos contra ministros da Corte. Segundo ele, a situacao atual exige que o Senado exerca seu papel constitucional de fiscalizacao do Judiciario. Derrite construiu sua campanha em torno da pauta de seguranca, mas o debate mostrou que o tema institucional tambem mobiliza seu eleitorado.

O debate foi marcado ainda pela dobradinha entre Simone Tebet e Marina Silva em defesa das pautas sociais do governo, como a reducao da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. As duas candidatas governistas buscaram se diferenciar da oposicao ao mesmo tempo em que mantiveram uma postura critica em relacao ao STF.

Do outro lado do espectro, Ricardo Salles e Guilherme Derrite se uniram para criticar as adversarias, lembrando que ambas foram criticas aos governos petistas antes de se aliarem a Lula. Salles fez questo de lembrar declaracoes passadas de Marina contrarias ao PT, em uma tentativa de expor supostas contradicoes.

Ja o bolsonarista Andre do Prado foi alvo constante de Salles durante todo o debate. O candidato do Novo tentou colar no deputado a pecha de “centrao” — palavra quase um insulto no vocabulario politico brasileiro — e de apoiador da esquerda. A estrategia de Salles busca desidratar a candidatura do PL e atrair o eleitor mais radicalizado.

A ex-vereadora Soninha da Francine (Cidadania) e o ativista Geraldo Rufino (Podemos) tambem participaram do encontro e formaram uma dobradinha em pautas sociais. Soninha defendeu politicas para populacoes vulneraveis e maior transparencia no Legislativo, enquanto Rufino trouxe sua experiencia como empreendedor e ativista social para o debate.

O debate na Band ocorre em um momento particularmente delicado para as instituicoes brasileiras. O STF esta no centro do noticiario politico devido ao caso Master, que envolve suspeitas de corrupcao e influencia na Corte. As revelacoes sobre o suposto esquema, que vieram a tona a partir de investigacoes da Policia Federal, geraram uma crise de confianca entre os poderes.

O caso Master, como ficou conhecido, envolve suspeitas de tentativas de influenciar votos de ministros do STF e gerou uma serie de reacoes no Congresso. O presidente do Senado ja recebeu diversos pedidos de impeachment contra ministros da Corte, e o tema promete dominar os debates eleitorais ate outubro.

Para os eleitores paulistas, a eleicao ao Senado neste ano e especialmente importante porque o estado elegira dois representantes para a casa legislativa. Com a renovacao estimada em ate 40% da composicao do Senado, a disputa promete ser acirrada. Sao Paulo, como maior colegio eleitoral do pais, tera peso decisivo na definicao do novo equilibrio de forcas na casa.

O debate da Band foi o primeiro grande encontro televisionado entre os candidatos ao Senado por Sao Paulo. Nos proximos dias, outros debates devem acontecer, mantendo a pressao sobre os candidatos para que apresentem propostas claras sobre a relacao entre os poderes e o futuro da democracia brasileira.

A expectativa e que o tema continue em alta nas pesquisas de opiniao. Levantamentos recentes mostram que o eleitorado paulista esta atento as questoes institucionais e tende a valorizar candidatos com posicoes definidas sobre o papel do Judiciario e do Legislativo no cenario politico nacional.

Com informacoes da CNN Brasil

RedeBrasil

Publicar comentário