Júri do motorista do Porsche azul começa em SP
Começa nesta quarta-feira (28) o júri do motorista do Porsche azul que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, na Zona Leste de São Paulo. O julgamento de Fernando Sastre de Andrade Filho está marcado para as 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital.
O Ministério Público de São Paulo pede uma pena superior a 20 anos de prisão. O réu responde por homicídio qualificado por perigo comum, na modalidade de dolo eventual, e por lesão corporal gravíssima contra um estudante de medicina que estava no banco do passageiro.
Fernando Sastre, à esquerda, e Ornaldo da Silva Viana; ao centro, o momento da batida gravado por câmera de monitoramento. Foto: Reprodução
Como aconteceu a batida no Tatuapé
A colisão ocorreu na noite de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Segundo a acusação, o empresário dirigia embriagado o carro esportivo a 136 km/h. O limite da via é de 50 km/h.
O Porsche atingiu a traseira do Renault Sandero da vítima. Câmeras de monitoramento gravaram o momento da batida. O motorista de aplicativo morreu depois de ser socorrido.
O que sustenta a acusação
Um laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o Porsche alcançou 156 km/h antes do impacto. No momento da colisão, o carro ainda estava a cerca de 136 km/h, em uma via cujo limite é de 50 km/h.
Para o MP, o empresário assumiu o risco de matar ao beber antes de dirigir e ao acelerar muito acima do permitido. Os promotores Rodolfo Morais e Lucas Schaef vão sustentar essa tese em plenário.
“A gente está confiante na condenação”, afirmou Morais nesta terça-feira (27). Sobre a pena, Schaef disse que espera de 15 a 20 anos. Morais foi além: “Acima de 20 anos, pelo menos. Vamos lutar por isso”.
O que argumenta a defesa
A defesa de Fernando Sastre alega homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O argumento central é o de que o empresário não quis provocar a morte do motorista de aplicativo no acidente.
O réu está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024. Até fevereiro deste ano, a Justiça já havia negado oito pedidos de liberdade apresentados pela defesa.
Quem julga e como funciona o júri
Sete jurados serão escolhidos para compor o Conselho de Sentença, que decidirá se o empresário será condenado ou absolvido. A sessão é presidida pela juíza Melanie Liesenberg.
Estão previstas 14 testemunhas, entre acusação e defesa, segundo o Tribunal de Justiça. O julgamento tem previsão de durar dois dias, com encerramento na quinta-feira (29), embora possa se estender. Depois das oitivas, será feito o interrogatório do réu.
Fernando também responde pelas lesões graves contra Marcus Vinicius Machado Rocha, estudante de medicina e amigo que estava no banco do passageiro. Ele sobreviveu à batida, mas sofreu fraturas em quatro costelas e precisou de cirurgia para retirada do baço.
Dois policiais militares que atenderam a ocorrência viraram réus no caso.
O peso do caso na segurança viária de São Paulo
O processo reacendeu a discussão sobre velocidade e álcool ao volante nas vias da capital. A Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, tem limite de 50 km/h e concentra tráfego pesado entre a Zona Leste e o centro.
A região passou por mudanças recentes de mobilidade, como a operação da Linha 15-Prata do monotrilho, que alterou o fluxo de passageiros na área. O caso também reacendeu o debate sobre penas para homicídios no trânsito.
O que esperar daqui para frente
O resultado do júri deve sair até a quinta-feira (29). Se condenado, o empresário pode pegar mais de 20 anos de prisão, conforme a pretensão do Ministério Público.
A reportagem não conseguiu localizar a família de Ornaldo da Silva Viana para comentar o julgamento. O motorista morreu após ser socorrido, no mesmo dia da batida.
PMs viram réus por liberar o motorista sem bafômetro
As câmeras corporais e os relatos colhidos na cena indicavam suspeita de que o empresário havia bebido antes da batida. Mesmo assim, ele deixou o local sem passar pelo teste do bafômetro e só se apresentou à polícia cerca de 36 horas depois da colisão.
No dia 22 de outubro, a 1ª Auditoria Militar Estadual recebeu denúncia e tornou réus os policiais militares Thiago Silva Batista e Daisy Aparecida Cardoso Romão, que atenderam a ocorrência. Para o Ministério Público, os agentes descumpriram procedimentos operacionais ao liberar o motorista.
A Promotoria sustenta que a conduta prejudicou a investigação do homicídio e comprometeu a preservação do local do acidente. A própria Secretaria da Segurança Pública reconheceu depois que houve erro na condução da ocorrência.
Como a acusação pretende provar o dolo eventual
O MP se apoia em depoimentos de testemunhas, registros da investigação e nas declarações de Marcus Vinicius, que afirmou à polícia e à Justiça que o empresário havia ingerido álcool antes de dirigir.
A apuração também reuniu uma comanda que apontaria o consumo de bebidas pelo grupo naquela noite. Há ainda um vídeo que mostra o empresário com voz pastosa antes de entrar no Porsche, um modelo 911 Carrera GTS avaliado em mais de R$ 1 milhão.
Quando foi interrogado, Fernando negou ter bebido antes do acidente. Em dezembro de 2025, a defesa apresentou habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça pedindo a desclassificação para homicídio culposo e a retirada da qualificadora. O pedido liminar foi negado.
José Roberto Soares Lourenço, advogado de Marcus e assistente da acusação, disse que o cliente “olha as cicatrizes que ficaram no corpo e se lembra todos os dias do que aconteceu”.
Com informações do g1
RedeBrasil



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