PDT: Executiva assume negociação sobre fusão e federação
O PDT aprovou uma resolução que transfere à Executiva Nacional as negociações sobre fusão, incorporação e federação partidária. A decisão saiu da Convenção Nacional realizada nesta terça-feira, 27, no Rio de Janeiro. O partido presidido por Carlos Lupi busca uma saída após ficar fora da cláusula de barreira nas eleições de 4 de outubro.
A convenção ocorreu na sede da Fundação Leonel Brizola e Alberto Pasqualini, no centro do Rio, em formato híbrido. Além dos dirigentes, participaram parlamentares e representantes de movimentos sociais ligados à sigla.
O que a resolução do PDT muda
Com o texto aprovado, a Executiva Nacional ganha poder para efetivar a federação ou fusão que o partido vai integrar. A resolução autoriza o comando a aprovar o manifesto, os programas regionalizados, os estatutos e o nome da nova agremiação.
O partido declarou preferência por formar uma federação com o PSB. Além disso, afirmou que mantém canais de diálogo abertos com outras siglas. As discussões políticas definitivas e a elaboração do manifesto oficial ficaram para janeiro de 2027.
Um encontro está previsto para Niterói, no Rio de Janeiro, cidade comandada pelo pedetista Rodrigo Neves. A reunião deve fechar o desenho da nova configuração partidária.
Por que o PDT ficou fora da cláusula de barreira
A cláusula de barreira define o desempenho mínimo para que um partido mantenha a estrutura completa no Congresso. Em 2026, uma das alternativas era obter 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal. O PDT alcançou 1,64%.
A regra também exige um mínimo de 1,5% dos votos em pelo menos nove unidades da federação. Outra alternativa era eleger 13 deputados distribuídos por ao menos nove estados. O PDT não atingiu nenhum dos critérios.
O partido elegeu seis deputados federais: dois pelo Amapá e um em cada um dos estados da Bahia, do Maranhão, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.
O que o partido perde sem atingir a cláusula
Ficar abaixo da cláusula bloqueia o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão. Também compromete a estrutura de liderança na Câmara dos Deputados.
Contudo, o desempenho insuficiente não impede a posse dos parlamentares eleitos nem determina o encerramento do partido. A restrição atinge o financiamento partidário e a propaganda gratuita, não a existência da sigla.
O que esperar daqui para frente
A federação com o PSB aparece como o caminho preferido pelo PDT. As duas legendas estão no campo da esquerda democrática e já dialogaram em outras eleições. Por isso, a negociação tende a avançar nas próximas semanas.
O tema da cláusula de barreira também mexe com o cenário nacional. A discussão sobre o financiamento dos partidos voltou à pauta no Congresso, como mostra a retomada das investigações sobre emendas após a eleição.
Para o eleitor, a mudança pode alterar o nome e o número de legendas na próxima disputa. A definição final, no entanto, só deve sair em janeiro de 2027, quando o PDT apresentar seu manifesto.
O que é uma federação partidária
Na federação, dois ou mais partidos atuam como uma única sigla no Congresso. As legendas mantêm suas identidades e seus diretórios, mas votam em bloco e compartilham o tempo de propaganda e os recursos do fundo partidário.
O modelo tem duração mínima de quatro anos e passou a valer nas eleições proporcionais. Dessa forma, as siglas passam a depender umas das outras para a sobrevivência política no parlamento.
A alternativa é a fusão ou a incorporação, em que um partido deixa de existir e seu patrimônio passa a outra legenda. O PDT ainda avalia os dois caminhos antes de bater o martelo.
A tradição trabalhista do PDT
O PDT tem raiz na tradição trabalhista brasileira, ligada à figura de Leonel Brizola. A sigla se posiciona no campo da esquerda democrática e já disputou a Presidência em várias eleições.
Brizola foi governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. A fundação que leva seu nome, ao lado da de Alberto Pasqualini, sediou a convenção desta terça no centro do Rio.
Impacto no campo da esquerda
A saída do PDT da cláusula de barreira mexe com o tabuleiro da esquerda. Outras siglas historicamente menores, como o PSOL, também ficaram fora do corte e enfrentam o mesmo dilema.
Uma federação entre PDT e PSB poderia somar bancadas e preservar espaço no Legislativo. Para o eleitor, isso significa menos siglas com atuação individual e mais blocos de votação organizados.
A decisão também projeta as eleições de 2028, quando a federação já estará em funcionamento. Assim, os partidos poderão testar a aliança nas disputas municipais, inclusive em cidades onde hoje são adversários.
Pelas regras atuais, a federação precisa ser registrada na Justiça Eleitoral. A partir do registro, os partidos passam a ter estatuto conjunto e a prestar contas de forma unificada.
Com informações de CNN Brasil e Manchete Online
Foto: Reprodução / VEJA
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