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Noruega processa Meta por uso de jornalismo em IA

Noruega processa Meta por uso de jornalismo em IA

Noruega processa Meta por uso de jornalismo em IA

Uma coligação de órgãos de comunicação social da Noruega processa a Meta na Justiça. O grupo alega que as novas condições para contas comerciais do Facebook e do Instagram podem enfraquecer o controle dos editores sobre o próprio jornalismo.

Segundo os dez grupos de mídia que assinam a ação, as novas regras dariam à Meta o direito de recolher artigos, fotografias e vídeos, inclusive conteúdos restritos a assinantes. O material poderia ser usado no desenvolvimento de produtos de inteligência artificial, sem acordo prévio com os veículos.

A Meta anunciou a mudança das “Condições Comerciais” em 8 de outubro, com planos de implementação para 30 de outubro. Após forte contestação de editores europeus e de autoridades da concorrência, a empresa adiou o calendário para 20 de novembro.

Por que a Noruega processa a Meta

A ação judicial vai testar se os editores conseguem travar as alterações antes que entrem em vigor. A presidente da Associação das Empresas de Mídia da Noruega (MBL), Lene Eltvik Vindfeld, afirmou que o receio é que as empresas usem esse poder para garantir direitos sobre conteúdo jornalístico.

“A Meta utiliza o investimento dos grupos de mídia para desenvolver serviços de inteligência artificial que concorrem diretamente com eles. Isto é inaceitável e distorce a concorrência”, declarou Vindfeld em comunicado.

Segundo os queixosos, as novas condições de uso abrangem todos os titulares de contas profissionais. Vão de grandes veículos a pequenos criadores de conteúdo, o que amplia o alcance da mudança para toda a cadeia que depende das plataformas.

A escolha “tudo ou nada” imposta aos editores

Críticos dizem que os editores são empurrados a uma escolha “tudo ou nada”. A alternativa é permitir que a Meta extraia automaticamente o conteúdo jornalístico, possivelmente para treinar sistemas de IA, ou perder a presença no Facebook e no Instagram.

A Meta afirmou que o adiamento serve “para permitir mais tempo para explicarmos aos nossos parceiros e partes interessadas o que muda e o que se mantém”. A empresa não detalhou, até o momento, como pretende tratar o conteúdo dos veículos.

O episódio reacende uma discussão antiga entre plataformas e imprensa. Nos últimos anos, veículos de vários países cobraram remuneração pelo uso de matérias jornalísticas em redes sociais e em buscas online.

Impacto para o jornalismo e para a Europa

A disputa na Noruega ocorre em um momento de pressão crescente sobre as big techs na Europa. Autoridades de concorrência e editores de vários países discutem formas de proteger o conteúdo jornalístico do uso não autorizado em sistemas de inteligência artificial.

O caso dialoga com outras batalhas regulatórias recentes no continente. Entre elas, a que envolve a plataforma Temu, que teve um plano de ação validado pela União Europeia após multa de 200 milhões de euros.

A pressão sobre a Meta não é isolada. Reguladores europeus já aplicaram sanções a outras empresas de tecnologia por práticas consideradas anticompetitivas e por falhas na proteção de dados de usuários.

Para os veículos noruegueses, a ação é uma tentativa de preservar a receita e o controle editorial. Sem regras claras, avaliam, o jornalismo passa a alimentar produtos que competem com quem o produz.

Na Europa, a discussão sobre o uso de conteúdo jornalístico por plataformas digitais ganhou força com a adoção de regras que preveem remuneração a editores. O objetivo é garantir que os veículos recebam pelo conteúdo que circula em sites de terceiros.

Entidades de imprensa argumentam que a extração automática de textos e imagens alimenta modelos de linguagem com material produzido por profissionais. Sem contrapartida financeira, dizem, o modelo compromete a sustentabilidade do setor.

Na prática, a mudança atinge qualquer perfil profissional que publica no Facebook, no Instagram ou no Threads. Isso inclui desde grandes jornais até criadores independentes que usam as redes para distribuir conteúdo e atrair leitores.

O que está em jogo

Mais do que uma atualização de contrato, o caso define quem controla o conteúdo jornalístico depois que ele é publicado nas redes sociais. A resposta deve sair da Justiça norueguesa, mas o efeito pode alcançar toda a Europa.

Se os veículos vencerem, a decisão pode servir de modelo para outros países. Se perderem, a tendência é que mais plataformas adotem condições semelhantes para usar conteúdo de terceiros no treinamento de sistemas de IA.

O desfecho também interessa aos leitores. A forma como o jornalismo circula nas redes sociais influencia o acesso à informação e a sustentabilidade financeira dos veículos que a produzem.

A discussão sobre direitos autorais e inteligência artificial já chegou a tribunais de vários países. Veículos, autores e artistas questionam o uso de suas obras no treinamento de modelos sem autorização ou pagamento.

No caso norueguês, a ação busca travar a aplicação das regras antes que elas entrem em vigor, enquanto o mérito é discutido. Os editores querem uma decisão rápida para evitar perdas de receita e de controle sobre o próprio conteúdo.

Com informações da Euronews.

RedeBrasil

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