Colisão de trens na Espanha deixa ao menos 68 mortos
A colisão de trens na Espanha deixou ao menos 68 mortos e 80 feridos nesta quarta-feira (28). Dois comboios de alta velocidade bateram de frente perto da estação de Urda, na província de Toledo, pouco depois das 9h do horário local (5h de Brasília). O choque provocou o descarrilamento de vagões e interrompeu a linha que liga Madri à Andaluzia.
O balanço mais recente foi confirmado pela porta-voz do governo de Castilla-La Mancha, Ester Padilla. Os números mudaram várias vezes ao longo do dia: as primeiras informações falavam em 30 mortos, depois 64 e, no início da tarde, 68. As autoridades afirmam que o total ainda pode aumentar, porque as equipes de resgate seguem trabalhando no local.
Como aconteceu a colisão de trens na Espanha
Um trem da Renfe, empresa pública espanhola, levava 397 pessoas a bordo. A outra composição, da Iryo, operadora privada, transportava 147 passageiros. Juntas, as duas máquinas carregavam 544 pessoas no momento do impacto.
O choque ocorreu no quilômetro 118 da linha, entre as localidades de Mora, Orgaz e Urda, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Imagens aéreas da Guarda Civil mostram vagões retorcidos e carruagens descarriladas, algumas imobilizadas na base de um talude.
O trecho é um dos mais antigos da rede de alta velocidade espanhola, inaugurado em abril de 1992, no ano da Exposição Universal de Sevilha. A linha Madri-Sevilha concentra boa parte das viagens rápidas entre a capital e o sul do país.
Iryo diz que seu trem foi atingido na traseira
Em nota publicada nas redes sociais, a Iryo afirmou que sua composição “recebeu um golpe na parte traseira por parte de um trem da série 103 da Renfe”. A empresa informou que acompanha o atendimento aos passageiros e disponibilizou um telefone de contato para familiares.
Uma fonte ouvida pela agência Reuters afirmou que o trem da Iryo estava parado perto de Toledo por ordem da Adif, empresa que administra a infraestrutura ferroviária do país. A parada teria sido determinada por causa de uma falha de sinalização.
O jornal espanhol El País informou que a ordem para o trem da Renfe seguir viagem teria partido de um controlador em Atocha, a principal estação de Madri. As duas empresas ainda não se pronunciaram sobre essa versão.
Investigação aponta falha no sistema de sinalização
As primeiras apurações apontam para problemas no sistema de sinalização da via, conhecido pela sigla LZB. Esse mecanismo controla a distância entre os trens e impede movimentos incompatíveis na mesma linha.
A rede de alta velocidade espanhola combina diferentes sistemas de proteção, sensores de detecção de trem e procedimentos de bloqueio. Quando um desses elementos falha, a separação entre duas composições deixa de ser garantida.
Nenhuma causa foi confirmada oficialmente até o início da tarde. As autoridades pediram cautela e afirmaram que a investigação vai levar dias.
Resgate mobiliza bombeiros, polícia e helicópteros
Bombeiros, policiais, equipes médicas e helicópteros foram enviados para atender as vítimas. As autoridades ativaram o plano regional de emergência, enquanto seguem as operações de resgate e o trabalho de avaliação da dimensão do acidente.
O presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, acompanhou os trabalhos no centro de coordenação montado no local. A circulação ferroviária foi suspensa entre Madrid, Ciudad Real e Andaluzia, sem previsão de reabertura.
Sánchez cancela agenda e diz estar chocado
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, cancelou a agenda pública da manhã por causa do acidente. Na rede social X, ele afirmou estar “chocado” com o que aconteceu e enviou “todo o meu carinho, solidariedade e apoio às vítimas e suas famílias”.
Os governos regionais também suspenderam eventos oficiais previstos para esta quarta-feira. Hospitais de Toledo e de cidades próximas receberam os feridos e pediram doações de sangue.
Segundo grande acidente ferroviário do ano
Este é o segundo acidente grave de trem registrado na Espanha em 2026. Em janeiro, 45 pessoas morreram no sul do país quando uma composição saiu dos trilhos e colidiu com outra que vinha no sentido contrário.
Naquele episódio, a tragédia foi a mais letal no país desde 2013, quando um acidente deixou 80 mortos perto de Santiago de Compostela. A sequência abalou a confiança dos espanhóis em uma das redes ferroviárias de alta velocidade mais extensas da Europa.
O que se sabe e o que segue sob apuração
Até o início da tarde, as causas da falha de sinalização que teria parado o trem da Iryo ainda não tinham explicação oficial. Também falta o balanço definitivo de feridos graves e de desaparecidos.
As autoridades prometeram divulgar novas atualizações ao longo do dia e pediram que moradores evitem se deslocar para as proximidades do local, para não atrapalhar o atendimento. A Renfe colocou um telefone à disposição de familiares de passageiros.
Com informações de Euronews, g1 e DW. Veja também o caso da Noruega contra a Meta.
RedeBrasil

Foto: Guarda Civil / Divulgação



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