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Benito di Paula morre aos 84; velório no Theatro Municipal

Benito di Paula morre aos 84; velório no Theatro Municipal

Benito di Paula morre aos 84; velório no Theatro Municipal

O cantor e compositor Benito di Paula morreu na noite de domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho e não resistiu a complicações de um câncer de próstata, doença que enfrentava havia cerca de um ano.

O velório acontece nesta terça-feira (20), no Theatro Municipal de São Paulo, no centro da capital paulista. Por decisão da família, a cerimônia é aberta a fãs e admiradores do artista.

Depois da homenagem pública, o corpo segue para o Cemitério Morumby. O sepultamento está previsto para as 17h, em cerimônia restrita aos familiares.

Quem foi Benito di Paula

Benito di Paula nasceu Uday Velloso em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Ele cresceu no Rio e adotou o nome artístico que o Brasil aprendeu a reconhecer nos anos 1970.

O artista se apresentava como sambeiro e pianeiro. No toque percussivo do piano, ele fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que antecipou o pagode paulista dos anos 1990.

Nos palcos dos auditórios de TV, ele criou um visual de gala só dele. Anéis, casacas, colares e gravatas borboleta acompanhavam os cabelos longos que marcaram sua imagem.

De Retalhos de Cetim a Amigo do Sol

A estreia no mercado fonográfico aconteceu em 1967. O primeiro álbum, “Benito Di Paula”, chegou em 1971, e o segundo, “Ela”, veio no ano seguinte.

O reinado começou de fato em 1973, com o samba-canção “Retalhos de Cetim”. A canção abriu caminho para uma sequência de sucessos que se estendeu até 1984.

Entre os hits do período áureo estão “Charlie Brown” (1974), “Beleza que é Você Mulher” (1974), “Bandeira do Samba” (1975) e “Do Jeito que a Vida Quer” (1976). A lista segue com “Assobiar e Chupar Cana” e “Proteção às Borboletas”, ambas de 1977.

Na década de 1980, ele ainda emplacou “Ah! Como Eu Amei” (1981) e “Amigo do Sol, Amigo da Lua” (1984). A última faixa virou tema da novela “A Gata Comeu”, da TV Globo, e foi seu último grande sucesso nas rádios.

Benito di Paula no Carnaval de São Paulo

Nos últimos anos, a obra do artista passou por um processo de reavaliação. Em 2025, a Águia de Ouro levou ao sambódromo paulistano o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer”.

Benito acompanhou o desfile emocionado, em um dos carros alegóricos da escola. O reconhecimento do público, aliás, sempre chegou antes de qualquer consagração da crítica especializada.

Um samba diferente, esquema novo

Benito jamais se viu como herdeiro da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. O artista preferia o rótulo de sambeiro, com a batucada feita nas teclas do piano e um suingue que ninguém repetiu igual.

A maior influência que ele admitia era Ataulfo Alves. Desse encontro saiu a mistura que o público passou a chamar de samba-joia, com toque latino e afro-cubano no meio da batida brasileira.

Os discos do período áureo saíram pela gravadora Copacabana, onde o músico permaneceu até 1980. Ele voltou ao selo em duas passagens curtas, em 1987 e em 1992, já sem o mesmo espaço nas rádios.

O legado de um sambeiro que virou enredo

O catálogo do artista segue com alta rotação em plataformas digitais, em execuções públicas e em regravações. Esse movimento explica por que os clássicos continuam rendendo tanto quanto nos tempos do disco de vinil.

A obra também atravessou a fronteira do samba. O piano percussivo de Benito abriu espaço para arranjos de teclado que depois apareceriam em grupos de pagode e em bandas de baile.

O que acontece com os direitos autorais

Os direitos patrimoniais do repertório cabem aos herdeiros legais diretos e ao cônjuge. A partilha sai no inventário e inclui rádio, televisão, streaming e regravações, com arrecadação pelo Ecad.

A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998) garante proteção por décadas depois da morte do autor. Segundo a CARAS, a contagem do prazo começa em 1.º de janeiro de 2027 e segue por 70 anos.

Além do dinheiro, a sucessão envolve o controle moral da obra. Os herdeiros passam a decidir sobre novos arranjos, lançamentos póstumos e montagens teatrais inspiradas no repertório.

Benito foi pai de três filhos: Rodrigo, Thiago e André. Rodrigo também é cantor e pianista e costumava dividir o palco com o pai. André morreu em setembro de 2019, aos 36 anos, no Rio de Janeiro.

Outubro de luto para a música brasileira

O mês já havia sido duro com a música popular antes da morte do sambista. No mesmo domingo (18), a atriz e cantora Lua Blanco morreu aos 39 anos, depois de enfrentar um câncer no intestino.

Cinco dias antes, o cantor Netinho, um dos principais nomes do axé music, morreu aos 60 anos. Ele também lutava contra o câncer.

O país acompanha agora a despedida de um artista que atravessou gerações. As rádios seguem tocando “Do Jeito que a Vida Quer”, e o público que cresceu com esses versos encontrou uma forma própria de se despedir.

Com informações do Blog do Mauro Ferreira, no g1, e da CARAS Brasil.

RedeBrasil

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