Google Cloud: falha derruba bancos no Reino Unido
Uma falha de energia no centro de dados europeu da Google Cloud derrubou serviços bancários no Reino Unido nesta terça-feira (20). O incidente começou às 06h08 no horário de Greenwich e atingiu a região conhecida como europe-west2, onde fica a estrutura da empresa em Londres.
De acordo com a própria Google, a plataforma sofreu a falha “devido a um incidente elétrico”. Em seguida, a companhia informou que o problema foi “atenuado” para “a maioria” dos clientes, embora “um número muito reduzido” continuasse enfrentando dificuldades.

Foto: Reprodução / Euronews
Google Cloud afeta Revolut, Lloyds e HSBC
Os serviços do banco digital Revolut, incluindo levantamentos em caixas automáticas, transferências bancárias e carregamentos de cartões, foram perturbados. Uma fonte próxima do processo atribuiu os problemas às falhas na Google Cloud.
Além disso, os bancos Lloyds e HSBC confirmaram que seus clientes enfrentavam dificuldades. O Lloyds afirmou estar ciente de que “alguns clientes estão a ter problemas com a nossa aplicação e com a banca online”.
O HSBC disse que os correntistas tinham “dificuldades em aceder aos nossos serviços” e que iria “monitorizar a situação, que também está a afetar outras organizações”. Um porta-voz do Revolut declarou que o banco “está a trabalhar para resolver o problema desde que foi identificado”.
O porta-voz pediu desculpas “a todos os afetados e por qualquer incómodo causado” e acrescentou que “todo o dinheiro e os dados dos nossos clientes estão seguros”.
Falha atingiu também correios e imobiliárias
O site de monitorização de serviços Downdetector registrou centenas de relatos de problemas em outras empresas. Entre elas, o portal imobiliário Rightmove e o serviço postal Royal Mail.
Portanto, o episódio não ficou restrito ao setor financeiro. Ele expôs a dependência de serviços públicos e privados de infraestruturas de nuvem concentradas em poucos fornecedores globais.
Como resultado, a interrupção de algumas horas em um único centro de dados foi suficiente para travar transferências, saques e o acesso a contas em três dos maiores bancos britânicos.
O que explica a concentração de risco
Bancos europeus migraram boa parte de seus sistemas para nuvens públicas nos últimos anos. A medida reduz custos, mas concentra risco: quando a infraestrutura falha, o efeito é simultâneo em várias instituições.
Reguladores europeus já discutem regras para limitar essa dependência. A preocupação é parecida com a que aparece no debate sobre controle de exportação de tecnologia de IA, em que infraestrutura passa a ser tema de segurança nacional.
Até o fechamento desta matéria, a Google não havia divulgado a causa exata do incidente elétrico nem o número total de empresas afetadas.
Histórico de quedas em nuvem preocupa reguladores
Não é a primeira vez que uma falha em serviço de nuvem paralisa empresas em vários países ao mesmo tempo. Episódios parecidos já atingiram bancos, companhias aéreas e plataformas de streaming nos últimos anos.
O padrão se repete. Um erro elétrico, de configuração ou de rede em um único centro de dados provoca efeito dominó em empresas que não têm alternativa de operação imediata.
Como resultado, autoridades europeias passaram a tratar a concentração em poucos provedores de nuvem como risco sistêmico. A discussão inclui limites de dependência para bancos e exigência de planos de saída.
Impacto para o cliente bancário
Para quem usa os serviços, o efeito prático apareceu em tarefas simples. Saque em caixa automático, transferência entre contas e recarga de cartão ficaram indisponíveis por horas em instituições afetadas.
Além disso, o acesso aos aplicativos e à banca online travou para parte dos correntistas. O Lloyds relatou problemas na aplicação e no internet banking, e o HSBC confirmou dificuldade de acesso aos serviços.
O Revolut informou que trabalha na correção desde a identificação da falha e garantiu que dinheiro e dados dos clientes seguem seguros. A empresa não detalhou quantos usuários foram atingidos.
O que muda na infraestrutura
A resposta mais provável do setor é a chamada arquitetura multirregião. Nela, o mesmo sistema roda em dois ou mais centros de dados, e a operação migra automaticamente quando um deles cai.
Contudo, essa solução custa mais caro e exige equipes especializadas. Para bancos, o cálculo envolve o preço da parada contra o custo fixo adicional de manter redundância.
No caso britânico, a Google afirmou que o problema foi atenuado para a maioria dos clientes. A empresa não informou prazo para o restabelecimento total nem a causa exata do incidente elétrico.
O que esperar daqui para frente
A tendência é que os bancos reforcem planos de contingência e adotem operações em mais de uma região de nuvem. Isso encarece a operação, mas reduz o tempo de parada em episódios como o desta terça-feira.
Para o usuário, a recomendação prática segue a mesma: ter mais de uma forma de pagamento disponível e não depender de um único aplicativo para movimentar dinheiro.
Com informações de Euronews
RedeBrasil



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