Boletim Focus: projeção do PIB cai para 1,83% em 2026
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central reduziu de 1,85% para 1,83% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O relatório, que reúne as expectativas de instituições financeiras compiladas até a sexta-feira (16), manteve a estimativa de inflação em 5,22% e a taxa Selic em 13,25% ao ano.
A previsão para o dólar também recuou, de R$ 5,15 para R$ 5,13. O documento é o principal termômetro das apostas do mercado para a economia brasileira e orienta decisões de investidores, empresas e do próprio Comitê de Política Monetária (Copom).
O Focus é publicado toda segunda-feira e reúne projeções de bancos e corretoras consultados pela autoridade monetária. Por isso, qualquer mudança de rota no documento costuma antecipar movimentos de juros, câmbio e crédito.
O que o Boletim Focus mostra sobre a inflação
O mercado manteve em 5,22% a projeção para o IPCA, índice oficial de inflação, em 2026. O número segue acima do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. Na comparação com quatro semanas atrás, a expectativa ficou mais alta.
Para o curto prazo, o relatório aponta alívio discreto. A projeção para outubro caiu de 0,33% para 0,32%. Em novembro, recuou de 0,35% para 0,34%. Para dezembro, a estimativa permaneceu em 0,56%.
A inflação acumulada em 12 meses, medida de forma suavizada, subiu de 4,48% para 4,51%. O dado contraria a expectativa de desaceleração dos preços no fim do ano. Além disso, a projeção para 2027 avançou de 4,30% para 4,32%.
Os preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, também entraram na revisão. A estimativa para 2026 caiu de 4,89% para 4,84%. Para 2027, porém, subiu de 3,84% para 3,86%. Em 2028, passou de 3,62% para 3,63%, e, em 2029, permaneceu em 3,50%.
Selic estável e dólar em leve queda
A taxa básica de juros permaneceu em 13,25% ao ano para o fim de 2026. O patamar sustenta o discurso do Banco Central de cautela diante da inflação corrente. No início da semana do segundo turno, o dólar operou em baixa e a Bolsa ficou estável, movimento alinhado às projeções do Focus.
O mercado já trabalha com juros menores nos próximos anos. Para 2027, a estimativa para a Selic ficou em 12% ao ano. Em 2028, a projeção permaneceu em 10,50%, e, para 2029, em 10%.
A queda da Selic interessa diretamente a quem tem dívida, crédito ou investimento em renda fixa. A trajetória também pesa no custo do financiamento da dívida pública, que apareceu em alta no relatório. Vale lembrar que o mercado já projetava Selic de 13,25% no fim de 2026 desde o mês passado.
Crescimento menor em 2027 e nos anos seguintes
A revisão do Focus não ficou restrita a 2026. Para 2027, a expectativa de crescimento do PIB caiu de 1,40% para 1,32%. A projeção para o dólar recuou de R$ 5,26 para R$ 5,22, com a Selic mantida em 12% ao ano.
Em 2028, a mediana para o PIB passou de 1,83% para 1,81%, e o câmbio foi de R$ 5,30 para R$ 5,29. A Selic ficou em 10,50%. Para 2029, a estimativa de crescimento seguiu em 2%, com dólar a R$ 5,30 e juros a 10%.
Os números desenham um cenário de expansão moderada, com a economia perdendo ritmo ao longo do ciclo. O IGP-M, usado em reajustes de aluguéis e contratos, caiu de 5,27% para 5,26% em 2026. Para 2027, a projeção recuou de 4,11% para 4%. Em 2028, ficou em 3,90%, e, em 2029, subiu para 3,81%.
Dívida pública e contas externas
O cenário fiscal piorou na comparação semanal. A mediana para a dívida líquida do setor público em 2026 subiu de 70% para 70,10% do PIB. Para 2027, a estimativa passou de 73,90% para 74%. Em 2028, aumentou de 76,50% para 76,70%, e, em 2029, chegou a 79,13%.
A projeção para o resultado primário de 2026 passou de déficit de 0,41% para 0,48% do PIB. Para 2027, o mercado manteve o déficit em 0,40%. Em 2028, a estimativa recuou de 0,27% para 0,20% do PIB, e, em 2029, melhorou de 0,15% para 0,13%.
O resultado nominal, que inclui os juros da dívida, também foi revisado. O déficit projetado para 2026 passou de 8,87% para 8,90% do PIB. Para 2027, ficou em 8,50%. Em 2028, permaneceu em 7,90%, e, para 2029, recuou de 7,43% para 7,40% do PIB.
Nas contas externas, a projeção para o déficit em conta corrente de 2026 seguiu em US$ 60 bilhões. A previsão para a balança comercial de 2026 subiu de US$ 78,88 bilhões para US$ 80,15 bilhões. O investimento direto no país permaneceu em US$ 80 bilhões no ano.
O que esperar daqui para frente
O Boletim Focus reforça a leitura de crescimento modesto e inflação resistente. O mercado não vê espaço para corte acelerado de juros em 2026, mas aposta em afrouxamento gradual a partir do próximo ano. Portanto, crédito e investimentos devem seguir caros no curto prazo.
Ainda assim, o mercado reduziu a projeção do dólar e elevou a da balança comercial, sinais de que o setor externo ajuda a sustentar a atividade. O desafio está no lado fiscal, que segue pressionando a dívida.
O próximo Copom e a divulgação do IPCA de outubro serão os testes seguintes para as projeções. Até lá, o Focus deve continuar servindo de bússola para quem acompanha juros, câmbio e atividade econômica no Brasil.
Com informações de MundoCoop
RedeBrasil



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