Bolsonarismo raiz se afasta de Tarcísio e busca Salles em SP
A campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enfrenta um movimento de afastamento de nomes ligados ao núcleo mais tradicional do bolsonarismo em São Paulo. A insatisfação com os rumos da campanha tem levado parte desse grupo a reduzir a participação nas agendas de Tarcísio e a se aproximar do deputado federal Ricardo Salles (Novo).
Segundo apuração da CNN Brasil publicada nesta quarta-feira (26), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro relatam que perderam espaço nas articulações políticas do governador. O movimento expõe uma fissura na base bolsonarista paulista a menos de dois meses das eleições.
Vice-prefeito se queixa de exclusão
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), confirmou à reportagem que se sente pouco informado sobre as agendas de campanha de Tarcísio. Segundo ele, as informações sobre compromissos chegam com pouca antecedência, muitas vezes apenas na noite anterior, o que dificulta sua participação.
Mello Araújo afirmou ainda que soube por comerciantes de uma caminhada realizada recentemente no centro de São Paulo com a presença de Tarcísio e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A declaração indica que o vice-prefeito, que deveria ser figura central na campanha, não está sendo integrado às decisões eleitorais.
Ao descrever a dinâmica política que, na sua avaliação, tem marcado a campanha, Mello Araújo recorreu a uma expressão: “Boi branco anda com boi branco, boi preto anda com boi preto.” A frase sugere que o grupo político de Tarcísio estaria operando de forma fechada, beneficiando aliados mais próximos em detrimento da base bolsonarista original.
O racha na base bolsonarista
O mal-estar não se limita ao vice-prefeito. Integrantes do bolsonarismo mais identificado com Jair Bolsonaro avaliam que têm perdido espaço nas articulações em torno da campanha. Eles se sentem excluídos de parte das decisões e agendas eleitorais, o que tem gerado frustração entre lideranças que apoiaram Tarcísio nas eleições de 2022.
A insatisfação ganhou força depois que Tarcísio passou a adotar um tom mais moderado em algumas agendas, buscando atrair o eleitorado de centro. Para a ala mais radical, essa estratégia representa um abandono das bandeiras que marcaram a campanha presidencial de Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, parte do bolsonarismo “raiz” avalia que Tarcísio tem priorizado o diálogo com partidos do centrão e com setores do empresariado paulista, deixando de lado lideranças que construíram a base conservadora no estado.
Ricardo Salles como alternativa
Diante do afastamento, Ricardo Salles passou a aparecer como uma alternativa para o eleitorado que defende uma campanha mais alinhada ao núcleo original do bolsonarismo. O deputado federal do Novo disputa o Palácio dos Bandeirantes e tenta conquistar justamente o eleitor que se sente órfão de um discurso mais radical.
Salles, que foi ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, tem se posicionado como a “verdadeira direita” na disputa paulista. Com isso, ele tenta capitalizar o descontentamento de setores que consideram Tarcísio moderado demais.
O movimento de migração de apoiadores bolsonaristas para Salles ainda é incipiente, mas já preocupa a coordenação de campanha de Tarcísio. Em um cenário de segundo turno contra Fernando Haddad (PT), qualquer perda de votos à direita pode ser decisiva.
Prefeito Nunes tenta apaziguar
O prefeito Ricardo Nunes rebateu as críticas de que o vice estaria sendo excluído. Ele classificou a avaliação como uma “grande injustiça” e afirmou que Mello Araújo é chamado para todas as agendas. “Ele é chamado para todas as agendas. Se ele tem outros compromissos, eu respeito”, disse Nunes.
O prefeito fez um apelo público para que o vice participe mais das atividades e afirmou que pretende conversar diretamente com Mello Araújo para tratar do assunto. Nunes também disse ter pedido ao núcleo responsável pela campanha de Tarcísio que o vice-prefeito seja mais incluído nas agendas eleitorais.
No entanto, a declaração pública de Nunes não foi suficiente para conter a insatisfação. Mello Araújo manteve o tom de desabafo e indicou que o problema não é de comunicação, mas de decisão política sobre quem participa ou não das articulações.
O que esperar da campanha daqui para frente
A crise expõe a fragilidade da aliança que sustenta a candidatura de Tarcísio. De um lado, o governador busca um tom moderado para crescer entre eleitores independentes. De outro, a base bolsonarista original cobra fidelidade às pautas conservadoras que garantiram a vitória em 2022.
Com a aproximação do primeiro turno, a tendência é que o racha se aprofunde, especialmente se Ricardo Salles conseguir consolidar seu espaço entre os eleitores mais radicais. A campanha de Tarcísio precisará equilibrar forças internas para evitar que a fragmentação da direita beneficie a candidatura de Haddad.
Enquanto isso, o eleitor paulista acompanha de perto os movimentos. A pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25) mostrou Tarcísio com 40% das intenções de voto contra 27% de Haddad, mas a margem de erro de dois pontos percentuais indica que a disputa ainda está em aberto. O comportamento da ala bolsonarista raiz pode definir o resultado nos próximos meses.
Com informações da CNN Brasil
RedeBrasil




Publicar comentário