Cachorro-do-mato é resgatado e devolvido à natureza em Caraguatatuba
Uma jovem fêmea de cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) foi resgatada nesta sexta-feira (4) em uma área urbana de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, e devolvida à natureza após passar por avaliação veterinária. O resgate foi realizado pela Polícia Militar Ambiental em conjunto com o Corpo de Bombeiros.
Moradores da região perceberam a presença do animal silvestre em situação de risco e acionaram as autoridades. O Corpo de Bombeiros fez a contenção inicial do cachorro-do-mato, e em seguida a PM Ambiental assumiu o caso, transportando o animal para uma avaliação veterinária.
Segundo as autoridades, os exames realizados no animal apontaram que a fêmea estava em boas condições de saúde e apta a retornar à vida selvagem. Não foram encontrados ferimentos ou sinais de doenças que pudessem comprometer sua sobrevivência na natureza.

Após os procedimentos, a Polícia Ambiental levou o animal ao Parque Estadual da Serra do Mar, onde ela foi solta em uma área preservada de Mata Atlântica. O parque é uma das maiores áreas de conservação ambiental do estado de São Paulo, com mais de 300 mil hectares de floresta nativa.
Presença de animais silvestres em áreas urbanas
A Polícia Ambiental destaca que a presença de animais silvestres próximos a áreas de conservação é algo comum, especialmente em cidades do litoral e do interior paulista que fazem divisa com parques e reservas florestais. Caraguatatuba, por exemplo, está situada ao lado do Parque Estadual da Serra do Mar, uma das maiores reservas de Mata Atlântica do país.
Com o crescimento urbano e a aproximação entre áreas residenciais e florestas, é cada vez mais frequente que animais como o cachorro-do-mato, ouriços, capivaras, macacos e até mesmo felinos de maior porte apareçam em ruas e bairros residenciais.
A recomendação das autoridades é que, ao encontrar um animal silvestre em situação de risco, a população não tente capturá-lo ou manuseá-lo por conta própria. O correto é acionar os órgãos responsáveis, como o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Ambiental, que dispõem de equipes treinadas para fazer a contenção segura do animal.
Recentemente, Caraguatatuba foi palco de outras ocorrências envolvendo a fauna local. Em setembro, um incêndio atingiu uma oficina mecânica na cidade, mobilizando equipes de resgate. A região também tem enfrentado desafios relacionados à preservação ambiental e ao equilíbrio entre desenvolvimento urbano e conservação da natureza.
Cachorro-do-mato: características da espécie
O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um canídeo de médio porte, típico da América do Sul. Diferente do nome popular, não é parente próximo dos cães domésticos, mas pertence a uma linhagem distinta de canídeos silvestres. Ele pode ser encontrado em diversos biomas brasileiros, como a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.
O animal tem hábito onívoro — alimenta-se de pequenos roedores, aves, frutas, insetos e répteis. Costuma ter atividade crepuscular e noturna, o que reduz o contato com humanos em condições normais. Quando avistado durante o dia em áreas urbanas, pode ser sinal de que algo está fora do comum, como falta de alimento na floresta ou perda de habitat.
Embora não seja considerado ameaçado de extinção em nível nacional, o cachorro-do-mato sofre com a fragmentação de seu habitat natural, atropelamentos em rodovias e ataques de cães domésticos. Ações de resgate como esta em Caraguatatuba são fundamentais para a preservação da espécie na região.
Como agir ao encontrar animais silvestres
Especialistas recomendam que moradores de áreas próximas a reservas ambientais fiquem atentos e saibam como agir ao se deparar com animais silvestres. Além de não tentar capturar o animal, é importante manter distância e evitar oferecer alimentos, pois a alimentação inadequada pode prejudicar a saúde do bicho e torná-lo dependente de humanos.
Outra orientação importante é manter cães e gatos domésticos vacinados e dentro de casa durante a noite, especialmente em regiões de mata. Animais domésticos podem transmitir doenças para a fauna silvestre ou sofrer ataques ao tentar confrontar um animal selvagem.
Em caso de animais feridos ou debilitados, a recomendação é acionar imediatamente a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, que têm protocolos específicos para o resgate e reabilitação de animais silvestres. Tentar socorrer o animal por conta própria pode colocar em risco tanto a pessoa quanto o bicho.
Com informações de CNN Brasil
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