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CPMI do INSS encerra os trabalhos sem aprovação de relatório final – Notícias

CPMI do INSS encerra os trabalhos sem aprovação de relatório final – Notícias

CPMI do INSS encerra os trabalhos sem aprovação de relatório final – Notícias

CPMI do INSS encerra os trabalhos sem aprovação de relatório final – Notícias

28/03/2026 – 03:02

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Alfredo Gaspar durante a leitura do documento

Por 19 votos a 12, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou o relatório apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A decisão final foi tomada na madrugada de sábado (28/03), último dia de funcionamento da comissão. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), optou por encerrar os trabalhos sem considerar o relatório paralelo dos governistas. A comissão esteve ativa por sete meses.

O extenso relatório de Alfredo Gaspar, com mais de 4 mil páginas, revelou a existência de núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político envolvidos na movimentação bilionária através de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

“O esquema de descontos associativos e empréstimos consignados, todos fraudulentos, prosperou dentro do INSS com a conivência ou negligência daqueles que ocupavam cargos para impedir tais práticas”, afirmou Gaspar.

Gaspar solicitou o indiciamento de 216 indivíduos, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. O filho do ex-presidente Lula foi um dos nomes polêmicos da lista, devido ao suposto envolvimento com o lobista conhecido como “Careca do INSS”, principal responsável pelas irregularidades apuradas.

“Fábio Luiz Lula da Silva é indiciado por tráfico de influência; lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; organização criminosa; e participação em corrupção ativa”, conforme o relatório.

Além disso, os pedidos de indiciamento incluem o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; assim como o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

O líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou um relatório paralelo solicitando o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente da República.

“Nosso relatório aponta Jair Bolsonaro como líder dessa organização criminosa. O escândalo do INSS e o Bolsomaster não teriam ocorrido sem a participação ativa e coordenação intelectual de Jair Messias Bolsonaro”, declarou Pimenta.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) acrescentou que a revelação do escândalo foi possível graças às investigações da Controladoria Geral da República.

“Tudo isso só poderá ser solucionado durante o governo do presidente Lula, que iniciou as investigações que o governo Bolsonaro optou por não realizar”, afirmou.

No decorrer das discussões, parlamentares de diferentes posicionamentos trocaram ataques pessoais, xingamentos e acusações sobre a origem das fraudes no INSS, supostas interferências nas investigações e alterações de última hora na composição da comissão. Também foram feitas críticas ao Supremo Tribunal Federal pelas concessões de habeas corpus aos depoentes e pela revogação da liminar que prorrogaria a CPMI. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, mencionou que o relatório de Alfredo Gaspar será encaminhado aos órgãos competentes e os parlamentares seguirão atentos às investigações em outras instâncias.

“Os mesmos elementos presentes em nosso relatório estão em posse da Polícia Federal e do ministro André Mendonça. Estou confiante de que ninguém sairá impune”, complementou.

A CPMI teve início em 20 de agosto do ano anterior, com prazo final em 28 de março. Apesar do pedido de prorrogação das investigações, este não foi acatado pela presidência do Congresso nem pelo Supremo Tribunal Federal.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Rachel Librelon

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