×

Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço 

Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço 

Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço 

Café capixaba exporta mais conilon no bimestre, mas receita recua 16% com queda no preço

O estado do Espírito Santo enviou 479.680 sacas de café para exportação nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, gerando uma receita total de US$ 132,2 milhões. Esses números representam uma redução de 8% em volume e de 16% em receita em comparação com o mesmo período de 2025, conforme indicado no relatório mensal do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). A diferença entre essas quedas, maior em valor do que em quantidade, revela o impacto direto da desvalorização do conilon no desempenho das exportações do estado.

O conilon representou 75% do volume total exportado no bimestre, totalizando 359.835 sacas, um aumento de 13% em relação a janeiro e fevereiro de 2025. No entanto, em termos de receita, houve apenas um crescimento de 1%, atingindo um total de US$ 92,5 milhões. Isso se deve ao preço médio de exportação do conilon, que em fevereiro de 2026 foi de US$ 253,30 por saca, em comparação com US$ 296,03 no mesmo mês de 2025, representando uma queda de 14,4% em dólares.

Já o café arábica seguiu uma tendência oposta. O preço médio de exportação aumentou de US$ 358,38 em fevereiro de 2025 para US$ 373,66 em fevereiro de 2026, um aumento de 4,3%. No acumulado do bimestre, o arábica foi exportado a uma média de US$ 380,33 por saca, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 345,74), sendo o patamar médio mais alto para o bimestre desde o início da série do CCCV em 2023. No entanto, houve uma queda de 41% no volume exportado, passando de 137.528 sacas para 81.289 sacas, o que limitou o impacto positivo do aumento de preço na receita total.

Colômbia lidera, Turquia só quer arábica

A distribuição geográfica das exportações revela padrões de mercado além do volume. No período, a Colômbia foi o principal destino do café capixaba, recebendo 72.197 sacas, todas de conilon. Esse dado pode parecer contraditório, uma vez que a Colômbia é um grande produtor de cafés suaves, mas importa o conilon brasileiro para uso em blends industriais e em café solúvel, prática comum entre países que exportam café de qualidade e importam robusta para uso interno.

Por outro lado, a Turquia, que foi o sexto maior destino no bimestre com 39.520 sacas, adquiriu exclusivamente café arábica, sem importar nenhum quilo de conilon. Esse país é o principal processador de café torrado na região e utiliza o arábica capixaba como base para misturas destinadas aos mercados do Oriente Médio e Ásia Central. Já Reino Unido (57.655 sacas), Espanha (59.733 sacas) e México (46.449 sacas) focaram-se no conilon.

A Indonésia ocupou o oitavo lugar no bimestre com 20.288 sacas, todas adquiridas na forma de café solúvel. Apesar de ser o terceiro maior produtor mundial de robusta, o país importa o café solúvel capixaba para segmentos específicos de consumo, demonstrando que o café solúvel do Espírito Santo encontrou nichos mesmo em mercados com forte produção local.

O segmento de café solúvel registrou as maiores retrações no bimestre. O volume exportado diminuiu 42%, passando de 67.008 sacas no bimestre de 2025 para 38.556 sacas em 2026. A receita caiu 52%, de US$ 18,3 milhões para US$ 8,8 milhões. Essa queda na receita foi desproporcional à do volume, indicando que o preço médio do café solúvel também diminuiu, indo de US$ 273,74 para US$ 228,19 por saca, uma redução de 16,6% em dólares. Esse declínio pode refletir a perda de competitividade do produto diante do café solúvel vietnamita e indonésio, que ganharam espaço nos mercados europeus durante o período de maior oferta de robusta asiático.

Créditos