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Datafolha aponta que 28% querem impeachment de Moraes

Datafolha aponta que 28% querem impeachment de Moraes

Datafolha aponta que 28% querem impeachment de Moraes

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) revelou que 28% dos brasileiros defendem a abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo levantamento, 12% dos entrevistados afirmaram apoiar o afastamento do colega de Corte André Mendonça.

Os números refletem o impacto da crise institucional que envolve o STF nas últimas semanas, após a divulgação de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, incluindo o próprio Moraes. O caso levou a uma disputa interna entre ministros e expôs divisões na mais alta instância do Judiciário brasileiro.

Realizada entre os dias 10 e 11 de setembro, a pesquisa ouviu 2.556 eleitores em 172 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo.

Números da pesquisa

Quando a pergunta foi sobre afastamento temporário do cargo, os números se inverteram parcialmente. Para 37% dos entrevistados, André Mendonça deveria se afastar temporariamente das funções até o esclarecimento dos fatos. Já 34% acreditam que o afastamento deveria ser de Alexandre de Moraes.

Segundo analistas políticos ouvidos pela reportagem, a diferença entre os índices de impeachment e os de afastamento temporário indica que parte da população não defende uma punição definitiva, mas entende que o momento exige cautela. “As pessoas querem uma solução, mas têm dúvidas sobre o caminho”, avaliou um cientista político consultado.

Para 7% dos brasileiros, não houve nada de errado na atuação de Moraes. Outros 5% acreditam que eventuais problemas são consequência do vazamento ilegal das conversas, e não de uma conduta inadequada do ministro. Esses percentuais indicam que uma parcela pequena, mas consistente, da população rejeita a narrativa de que o magistrado agiu de forma antiética.

No caso de Mendonça, 25% dos entrevistados afirmaram que o relator do Caso Master não fez nada de ilegal ao conduzir as investigações. Outros 11% defenderam a renúncia voluntária do ministro como saída para a crise instalada na Corte.

Entenda a crise no STF

A crise teve início após a Polícia Federal encontrar mensagens no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que sugerem encontros e contatos com Alexandre de Moraes. O material levou André Mendonça, então relator do caso, a adotar medidas que foram interpretadas como uma ofensiva contra o colega de Corte.

Desde então, o STF vive um clima de tensão nunca antes visto na história recente da instituição. Edson Fachin, presidente do STF, assumiu a relatoria dos casos envolvendo o Banco Master e o INSS, retirando-os de Mendonça. A decisão foi tomada na noite de sábado (12) e centralizou na Presidência da Corte a condução das investigações.

Para a terça-feira (15) está marcada a sessão que vai julgar o pedido de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Já o julgamento de André Mendonça ficou para o dia 23 de setembro. Fachin será o relator em ambos os casos, o que lhe dá poder de conduzir o ritmo dos processos.

Ao assumir os casos, Fachin também determinou que a Polícia Federal informe, em até 24 horas, sobre a custódia e o estado em que se encontram os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. A partir dessa informação, ele decidirá se autoriza o compartilhamento do material com os demais ministros do STF.

Repercussão em São Paulo

Em São Paulo, a crise no STF tem sido tema central dos debates eleitorais. Candidatos ao Senado e ao governo do estado têm usado o caso para se posicionar diante do eleitorado. Alguns pregam o afastamento imediato dos ministros envolvidos, enquanto outros defendem a presunção de inocência e o respeito às investigações em curso.

O Datafolha anterior, divulgado na última semana, já mostrava que a populaçãopresta atenção ao desenrolar do caso. Para analistas, o desgaste da imagem do STF pode influenciar diretamente o voto em candidatos que se posicionam de forma mais crítica em relação ao Judiciário.

Os números da pesquisa indicam que a população não está indiferente à crise. Com 28% defendendo o impeachment de Moraes e 37% apoiando o afastamento temporário de Mendonça, fica claro que a sociedade espera uma resposta rápida e transparente das instituições.

O que esperar dos próximos dias

Nesta segunda-feira (14), a Polícia Federal deve entregar ao STF as informações solicitadas por Fachin sobre os dados do celular de Vorcaro. O material inclui mensagens, registros de chamadas e arquivos de mídia que podem conter elementos relevantes para as investigações.

Na terça-feira (15), o plenário do STF se reúne a partir das 10h para avaliar o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes. O julgamento será transmitido ao vivo, conforme decisão já anunciada pela Corte. A expectativa é de que o debate seja acalorado e possa se estender por várias horas.

Já no dia 23, será a vez de André Mendonça ser julgado pelos mesmos colegas. Até lá, novos elementos podem surgir, tanto da análise do celular de Vorcaro quanto de outros desdobramentos das investigações da Polícia Federal.

O STF enfrenta, portanto, um teste de credibilidade. A forma como conduzirá esses julgamentos pode definir não apenas o futuro dos ministros envolvidos, mas a confiança da população na mais alta Corte do país.

Com informações da CNN Brasil

RedeBrasil

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