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Desabamento em obra: prevenir antes de lamentar vidas perdidas

Desabamento em obra: prevenir antes de lamentar vidas perdidas

Desabamento em obra: prevenir antes de lamentar vidas perdidas

Toda vez que um edifício desaba, um muro desmorona ou uma estrutura apresenta falhas graves, a sequência parece previsível. Primeiro vem o susto, depois a busca por responsáveis. Em seguida, os laudos apontam falhas na execução, ausência de responsável técnico, uso inadequado de materiais ou desrespeito às normas da engenharia. A pergunta inevitável é: se essas irregularidades aparecem com tanta clareza depois da tragédia, por que não foram identificadas antes? O desabamento que resultou na perda de quatro vidas em Cariacica é um exemplo disso. A obra estava embargada, havia um projeto técnico que não foi seguido e o engenheiro responsável retirou formalmente sua responsabilidade diante do descumprimento das normas. Mesmo assim, a construção continuou. Tudo indica que havia sinais de alerta suficientes para justificar uma atuação preventiva mais eficaz. Embora a responsabilidade principal seja do proprietário da obra, não se pode ignorar que o poder público também precisa explicar por que é tão ágil em produzir laudos após os eventos e ainda tão limitado em impedir que eles ocorram. A deficiência na estrutura de fiscalização é um problema antigo. Além disso, muitas construções começam sem qualquer comunicação aos órgãos competentes. No entanto, em um país que já utiliza inteligência artificial para monitorar florestas, identificar fraudes fiscais e acompanhar movimentações financeiras suspeitas, é essencial incorporar essas mesmas ferramentas para localizar construções irregulares, identificar situações de maior risco e direcionar de forma mais eficiente os recursos de fiscalização. Ao mesmo tempo, conselhos profissionais, como o Crea, podem expandir ações de orientação e fiscalização por amostragem, incentivando a regularização antes que tragédias ocorram. A prevenção não depende apenas de punição, mas também de presença técnica, informação e conscientização. Outro aspecto que precisa ser abordado é a persistente cultura do improviso. A aparente economia obtida ao dispensar um profissional qualificado ou ignorar um projeto técnico pode resultar em um custo humano irreparável. Nenhum sistema eliminará completamente os riscos. No entanto, aceitar tragédias previsíveis como inevitáveis deixou de ser uma opção.

Quando vidas são perdidas em circunstâncias que apresentavam sinais de alerta, a pergunta que deve orientar a sociedade não é apenas quem errou, mas por que não fomos capazes de evitar que o pior acontecesse.

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