Feminicídios caem 4,5% em 2026, mas tentativas sobem 10,4%
O Brasil registrou 1.082 feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, uma queda de 4,5% na comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado, foram 1.133 vítimas. A redução veio depois de uma alta nos três primeiros meses do ano.
Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e foram divulgados em levantamento assinado pela jornalista Raquel Lopes, da Folhapress. A média é de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou de discriminação à condição feminina.

Feminicídios caem 4,5% em 2026 após alta no início do ano
O terceiro trimestre concentrou o recuo mais forte. Foram 338 feminicídios entre julho e setembro, contra 365 no mesmo período de 2025, uma redução de 7,4%.
A queda dá continuidade ao movimento do segundo trimestre, quando os casos recuaram 14,7%. No primeiro trimestre, houve aumento de 9,1%, o que explica por que o recuo acumulado no ano é mais modesto.
Tentativas de feminicídio sobem e chegam a 12 por dia
Enquanto os assassinatos caem, as tentativas seguem em alta. Foram 3.350 casos entre janeiro e setembro de 2026, o equivalente a 12 por dia. No mesmo período de 2025, o número foi de 3.035, um crescimento de 10,4%.
A série histórica mostra uma escalada desses registros, em especial a partir de 2022, quando as tentativas ultrapassaram a marca de 2.000 casos. Em setembro, a Justiça paulista condenou um homem a 27 anos de prisão por tentativa de feminicídio e danos morais à vítima, em decisão que ilustra a resposta do Judiciário a esses casos.
Onze estados registraram aumento no período
A queda não foi homogênea em todo o país. Onze estados tiveram alta no número de feminicídios entre janeiro e setembro. A lista inclui Sergipe, Amapá, Amazonas, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
O dado mostra que o problema mantém pesos diferentes conforme a região. Estados com redução conseguiram compensar, no total nacional, o avanço verificado nessas unidades.
O que explica a queda e o que diz o governo
Especialistas pedem cautela na leitura dos números. A série histórica mostra que o patamar de 2026 segue acima do registrado em anos anteriores, mesmo com a redução pontual.
Parte da alta nos registros é atribuída ao aprimoramento da identificação e da classificação dos crimes pelas polícias e pelo sistema de Justiça. Mortes antes tratadas como homicídio passaram a ser enquadradas como feminicídio.
Ainda assim, o avanço na notificação não explica tudo. Pesquisadores apontam que a persistência da violência de gênero e do machismo estrutural permanece como o principal fator por trás dos assassinatos de mulheres.
A Lei do Feminicídio tipificou o crime no Brasil em 9 de março de 2015. Em 2024, a conduta deixou de ser qualificadora do homicídio e passou a crime autônomo. As penas variam de 20 a 40 anos de prisão e, com agravantes, podem chegar a 60 anos, a maior punição prevista na legislação brasileira.
Pacto Nacional e Operação Mulher Segura
O governo federal lançou neste ano o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do Estado à violência de gênero.
No Ministério da Justiça e Segurança Pública, a pasta inaugurou o Centro Integrado Mulher Segura. A estrutura foi criada para integrar e monitorar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência em todo o país.
O ministério também coordena a Operação Mulher Segura. Em 141 dias, a ação prendeu 57.790 suspeitos de agressão, sendo 49.129 em flagrante e 8.661 em cumprimento de mandados judiciais.
O que esperar daqui para frente
O acompanhamento dos dados segue trimestral. A tendência de queda nos assassinatos precisa se sustentar nos últimos meses do ano para confirmar uma reversão consistente.
Já o avanço das tentativas acende alerta. Para especialistas, ele indica que a violência letal só não cresce porque mais mulheres sobrevivem às agressões e conseguem buscar ajuda. O dado foi publicado pelo ICL Notícias, com base em levantamento da Folhapress.
Como a lei do feminicídio mudou
A tipificação do crime completou dez anos em 2025. Desde a mudança de 2024, o feminicídio deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser julgado como crime autônomo, o que reforçou a punição específica para mortes motivadas por gênero.
Na prática, a alteração impede que o caso seja tratado apenas como homicídio comum. Com agravantes, a pena pode alcançar 60 anos, o teto mais alto previsto no Código Penal brasileiro.
A escalada das tentativas desde 2022
Os registros de tentativas de feminicídio crescem de forma consistente desde 2022. Naquele ano, os casos ultrapassaram a marca de 2.000 e seguiram subindo nas temporadas seguintes.
O contraste entre tentativas em alta e assassinatos em queda reforça a leitura dos pesquisadores. A rede de proteção e a notificação mais rápida ajudam mais mulheres a sobreviver, mas ainda não atacam a raiz da violência.
Com informações da Folhapress, via ICL Notícias
RedeBrasil



Publicar comentário