GDF terá de buscar ao menos R$ 4 bi para seguir como controlador do BRB
Com a aprovação do incremento do capital do BRB (Banco de Brasília), o Governo do Distrito Federal (GDF) precisará realizar um investimento de aproximadamente R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para manter sua posição como principal acionista da instituição financeira, conforme fontes consultadas pela CNN Money. Atualmente, o GDF detém 53,7% das ações do banco.
Na manhã de quarta-feira (22), o BRB aprovou uma proposta que poderá elevar o capital em até R$ 8,8 bilhões. Com a subscrição mínima, o capital social da instituição atingirá R$ 2,88 bilhões, podendo chegar a R$ 11,16 bilhões com a subscrição máxima.
Até o momento, o capital social do BRB era de R$ 2,34 bilhões. A oferta de ações do banco será realizada por meio de subscrição privada, restringindo a compra dos ativos aos atuais acionistas.
O valor de emissão das novas ações foi fixado em R$ 5,36. O objetivo do aumento de capital é:
- fortalecer a estrutura de capital da Companhia;
- reforçar os indicadores prudenciais e patrimoniais do BRB;
- garantir níveis adequados de capitalização e índice de Basileia; e
- ampliar a capacidade de crescimento das operações da Companhia.
A assembleia geral extraordinária prevista para março foi cancelada após questionamentos judiciais sobre o projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que propunha o uso de imóveis do governo local como garantia para o BRB. A divulgação do balanço também foi adiada para 31 de março.
De acordo com fontes consultadas pela CNN Money, o balanço do BRB referente a 2025 será divulgado em 29 de maio.
Após identificar operações fraudulentas com o Banco Master, o BRB contratou uma auditoria externa independente para revisar as transações realizadas com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
A auditoria revelou que as operações com o Banco Master totalizaram cerca de R$ 21,9 bilhões. Desse montante, R$ 1,9 bilhão foram vendidos no mercado e os ativos remanescentes serão transferidos à Quadra Capital por R$ 15 bilhões, conforme apurado pela CNN Money.
O acordo com a Quadra Capital envolve o pagamento imediato à vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, gerando liquidez imediata para o BRB. Além disso, está prevista uma parcela subsequente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas do fundo de investimento e a monetização dos ativos.
A carteira de ativos oriunda do Banco Master e vendida à Quadra Capital abrange quatro principais blocos:
- Carteira de atacado com pessoas jurídicas e grandes empréstimos;
- Credcesta;
- Ativos imobiliários;
- 19 fundos de investimentos, incluindo 17 nacionais e 2 internacionais.
Além disso, o BRB aguarda a resposta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) sobre um aporte de R$ 6,6 bilhões. Com o progresso das operações com a Quadra Capital e o aumento do capital social, fontes sob reserva ouvidas pela CNN Money consideram que o empréstimo total de R$ 6,6 bilhões pode não ser mais necessário.



