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Hong Kong condena Joshua Wong a mais 10 anos de prisão

Hong Kong condena Joshua Wong a mais 10 anos de prisão

Hong Kong condena Joshua Wong a mais 10 anos de prisão

O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a mais dez anos de prisão por um tribunal de Hong Kong, sob a acusação de conluio com potências estrangeiras. Com a nova pena, ele só deve deixar a prisão no fim de 2036.

Wong, que completou 30 anos no mês passado, já cumpriu quase seis anos atrás das grades. Ele deveria ser libertado em janeiro, depois de cumprir quatro anos e oito meses por subversão, mas as autoridades voltaram a acusá-lo com base na mesma Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim a Hong Kong em 2020.

Nova acusação e o que decidiu o tribunal

As autoridades de Hong Kong alegam que Joshua Wong se articulou com outros países e entidades para tentar impor sanções contra o centro financeiro e contra a China. O tribunal descreveu Wong e o também líder estudantil Nathan Law, em exílio e procurado pelas autoridades, como dois cabecilhas ou mentores de uma conspiração para pôr em risco a segurança nacional.

O ativista enfrentava a possibilidade de prisão perpétua, já que o crime foi classificado como de natureza grave. O juiz William Tam fixou um ponto de partida de 13 anos, reduzido a dez por causa da confissão de culpa.

Wong entrou no banco dos réus com ar calmo, de camisa azul e óculos escuros, e acenou com a cabeça aos apoiantes. Numa carta de atenuação vista pela agência AFP, escreveu que esperava sair da prisão em 2027 e que a nova acusação o fez sentir que voltava ao início.

Ele acrescentou que seu futuro não seria definido pelo que lhe aconteceu antes de 2020 e que os anos passados atrás das grades foram as lições mais profundas de sua vida.

O que diz a Lei de Segurança Nacional

A legislação foi imposta por Pequim a Hong Kong em 2020, depois de uma onda de protestos pró-democracia no ano anterior. O texto tipifica quatro categorias de crimes: secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras, com penas que chegam à prisão perpétua.

Desde então, a lei passou a ser usada com frequência contra ativistas, jornalistas e opositores. Em setembro deste ano, um tribunal de Hong Kong condenou ativistas da vigília de Tiananmen a penas de cinco a sete anos de prisão, no mesmo pacote de processos de segurança nacional.

Uma trajetória de confronto com Pequim

Joshua Wong ganhou destaque durante os protestos de 2014 em Hong Kong, conhecidos como Movimento dos Guarda-chuvas, e tem entrado e saído da prisão desde 2017. Tornou-se uma das faces mais conhecidas da geração que enfrentou o avanço do controle chinês sobre o território.

As autoridades afirmam que ele começou a fazer lobby internacional já em 2016, quando promoveu um projeto de lei que permitiria ao presidente dos Estados Unidos impor sanções em resposta a violações de direitos na cidade. Durante os grandes protestos pró-democracia de 2019, integrou uma delegação que foi aos Estados Unidos defender a aprovação do texto, que acabou aprovado.

No ano seguinte, Pequim impôs a Hong Kong a abrangente lei de segurança nacional que, na prática, esmagou a dissidência, levou grupos da oposição a se dissolver e fez ativistas fugirem da cidade. Na época, Wong prometeu continuar a defender a sua casa, Hong Kong, até que o silenciassem.

Em 2024, ele esteve entre dezenas de figuras pró-democracia condenadas por subversão no maior julgamento de segurança nacional já realizado em Hong Kong. Alguns dos condenados já foram libertados desde então. O magnata Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, foi condenado em fevereiro a 20 anos de prisão sob a mesma legislação.

Reações internacionais

Para Steve Tsang, diretor do China Institute da SOAS University of London, o caso mostra que Pequim mantém um controle apertado sobre Hong Kong e que não há margem para regressar aos dias mais descontraídos anteriores a 2019.

A organização Human Rights Watch classificou a sentença como cruel e injusta e apelou a que governos estrangeiros imponham sanções específicas aos responsáveis pela repressão em Hong Kong.

Taiwan criticou o que chamou de perseguição política sem fim contra ativistas pró-democracia de Hong Kong após a condenação. Já Steve Li, superintendente-chefe do Departamento de Segurança Nacional da polícia local, saudou a pena e disse que os esforços de Wong para obter sanções estrangeiras foram inúteis.

O que esperar daqui para frente

A condenação amplia a lista de ativistas que devem permanecer presos por anos em Hong Kong. O território deixou de ser um caso isolado: a repressão a vozes críticas e a jornalistas se repete em outros países sob governos autoritários, como mostrou o fechamento da redação da Novaya Gazeta na Rússia.

Depois da leitura da sentença, alguns apoiantes que acompanhavam o julgamento do lado de fora choraram e gritaram palavras de espera pela libertação. Wong agradeceu e acenou antes de deixar o banco dos réus.

Com informações de Euronews, Vatican News e AFP

RedeBrasil

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