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Itamaraty repudia Milei e fala em ingerência externa

Itamaraty repudia Milei e fala em ingerência externa

Itamaraty repudia Milei e fala em ingerência externa

O Itamaraty classificou nesta terça-feira (20) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre as eleições brasileiras como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. A reação veio horas depois de o argentino criticar o sistema de votação do país e chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão”.

O que Milei disse sobre o Brasil

Em publicações na rede X, Milei compartilhou um vídeo que associava uma fala de Lula ao machismo e atacou o petista. “Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos, a verdadeira face deles está aparecendo. Espero que o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição, esquerdista ladrão”, escreveu o argentino.

Em post anterior, Milei já havia chamado Lula de “autoritário”. Dessa vez, as ofensas também alcançaram o Poder Judiciário e o sistema de voto eletrônico brasileiro, segundo a nota publicada pelo Poder360 sobre o episódio.

A resposta oficial do Itamaraty

Na nota, o ministério afirmou que as manifestações são “incompatíveis com a postura esperada de um chefe de Estado de um país amigo”. O texto também ligou as falas de Milei a quem contesta o resultado das urnas.

“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada”, diz a nota, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

O Itamaraty defendeu ainda a segurança do sistema eleitoral brasileiro. “O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”, afirmou o ministério.

A nota termina com um recado direto ao governo argentino. “A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25.”

Uma crise diplomática em escalada

Brasil e Argentina, que mantêm historicamente uma relação amistosa, acumulam desgastes desde julho. Durante a convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou o socialismo de “lixo”, falou em “risco Lula” e ofendeu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Lula rebateu dois dias depois, em 27 de julho. O argentino voltou ao ataque e chamou o brasileiro de “ladrão” e “corrupto”. Em agosto, o governo brasileiro comunicou que o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, permaneceria no Brasil até que Milei parasse de ofender autoridades nacionais.

Na diplomacia, a retirada temporária de um embaixador de seu posto é um indicativo forte de rebaixamento na relação entre dois países. O gesto mostra que a crise deixou de ser apenas retórica e passou a ter custo para as duas diplomacias.

O rebaixamento das relações entre Brasília e Buenos Aires não é inédito, mas a frequência das ofensas chama atenção. Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, os dois governos já trocaram farpas em várias ocasiões.

Pressão externa na semana da votação

A fala do argentino ocorre a poucos dias do segundo turno e reacende o debate sobre a interferência de líderes estrangeiros na política brasileira. O argumento de fraude nas urnas é o mesmo repetido por bolsonaristas desde 2022 e já foi rejeitado pela Justiça Eleitoral e por missões de observação.

O Itamaraty lembrou que observadores de vários países acompanharam o primeiro turno e atestaram a segurança do processo. A nota reforça que caberá ao eleitor brasileiro, e a mais ninguém, definir o resultado da disputa no domingo (25).

O tom da nota soa mais duro do que o habitual em comunicados de repúdio. O Itamaraty costuma evitar adjetivos fortes, e o uso de termos como “antidemocrática” e “inaceitável” indica o grau de desgaste entre os dois governos.

Ataque externo na reta final da eleição

O episódio ocorre na semana decisiva da disputa presidencial, que opõe Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O apoio de Milei ao candidato do PL é um dos pontos que marcaram a campanha no exterior, como mostrou a reportagem sobre as declarações de Netanyahu a respeito do Brasil.

O governo brasileiro trata as falas do argentino como parte da ofensiva de quem não aceita o resultado das urnas. Do outro lado, o campo de Flávio usa o respaldo internacional para tentar ampliar a vantagem nas pesquisas.

O Itamaraty evitou comentar a corrida eleitoral e concentrou a resposta na defesa das instituições. O ministério repetiu que o resultado do primeiro turno foi acompanhado por observadores estrangeiros e não registrou contestação relevante.

Com o voto marcado para domingo, a expectativa é de que a tensão com Buenos Aires siga no centro do noticiário até a definição das urnas. Para o Brasil, o episódio reforça a necessidade de blindar o processo eleitoral de pressões externas.

Com informações do Poder360

RedeBrasil

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