Melhoramentos investe R$ 40 milhões em fábrica de embalagens sustentáveis
A demanda da indústria de alimentos por embalagens mais sustentáveis está abrindo espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias. A Melhoramentos aposta nessa tendência com a Biona, uma embalagem produzida com fibra de eucalipto que promete substituir plásticos rígidos e bandejas de isopor em diferentes aplicações.
Desenvolvida ao longo de três anos, a tecnologia utiliza celulose de alto rendimento combinada com um sistema de barreiras. O resultado é uma embalagem de polpa moldada capaz de suportar temperaturas entre -40°C e 220°C, permitindo que alimentos sejam levados diretamente do freezer ao forno convencional, micro-ondas ou air fryer.
Segundo a empresa, o diferencial está justamente na combinação de resistência térmica e ausência de plástico na composição.
“Existem outras embalagens de polpa moldada no mercado, mas não com essa performance e sem plástico”, afirma Carolina Alcoforado, diretora de Inovação e Novos Negócios da Melhoramentos.
A tecnologia já está sendo utilizada por algumas empresas do setor alimentício. Entre os primeiros clientes estão a SuperFrango e a Copacol, que lançaram linhas de frangos temperados destinados ao preparo em air fryer. A BRF também iniciou a substituição das embalagens de pequenas lasanhas pela nova solução.
Capacidade produtiva
De acordo com Carolina, a capacidade instalada atualmente varia entre 80 milhões e 100 milhões de embalagens por ano, com possibilidade de expansão.
“O planejamento sempre considerou, além do desenvolvimento de uma nova tecnologia, a garantia de escala suficiente para acompanhar o crescimento dos clientes”, explica.
O projeto faz parte da estratégia de verticalização da Melhoramentos. Proprietária de florestas de eucalipto certificadas e produtora da própria fibra, a empresa buscou agregar valor à matéria-prima utilizada tradicionalmente na fabricação de papel.
Além da sustentabilidade, o objetivo foi desenvolver uma solução competitiva em custo para a indústria de alimentos.
Carolina explica que a fibra utilizada apresenta menor consumo de água e energia durante a produção e menor pegada de carbono em comparação a materiais convencionais.
Mercado vai além das proteínas
Embora o lançamento tenha ocorrido inicialmente no segmento de carnes e pratos congelados, a empresa já trabalha em novas aplicações.
Entre elas estão embalagens para frutas, legumes e verduras (FLV); chocolates; biscoitos; sorvetes e pratos prontos.
No médio prazo, a estratégia também prevê a entrada em mercados como lácteos e cosméticos, que exigem níveis ainda maiores de barreira para conservação dos produtos.
A primeira fábrica da Biona recebeu investimento de aproximadamente R$ 40 milhões, com apoio da Finep.
A unidade entrou em operação em 2024 e está localizada próxima à fábrica de fibras da empresa, no interior de Minas Gerais, aproveitando a integração entre as operações florestais e industriais.
Sustentabilidade como vantagem competitiva
Além da possibilidade de substituir embalagens plásticas rígidas e bandejas de isopor, a empresa destaca a decomposição acelerada do material. Segundo a Melhoramentos, quando descartada em condições adequadas de compostagem doméstica, a embalagem pode se decompor em cerca de 75 dias.
Para a companhia, entretanto, a sustentabilidade não é o único fator de decisão da indústria.
“A inovação precisa combinar desempenho técnico, escala de produção, custo competitivo e praticidade para o consumidor. É isso que viabiliza a substituição das embalagens tradicionais”, afirma a executiva.



