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Negociação sem trégua de Israel no Líbano mantém cessar-fogo em xeque

Negociação sem trégua de Israel no Líbano mantém cessar-fogo em xeque

Negociação sem trégua de Israel no Líbano mantém cessar-fogo em xeque

O líder de Israel, Benjamin Netanyahu, instruiu seu governo a buscar diálogos com o Líbano “imediatamente”, porém ressaltou que as forças israelenses manterão os ataques no território libanês.

Deixe-me ser claro: não há cessar-fogo no Líbano. Continuaremos a combater o Hezbollah com determinação e não cessaremos até que a segurança seja restabelecida”, declarou Netanyahu em um vídeo nesta quinta-feira (9).

ASSISTA: WW – TRUMP SUBSTITUI GUERRA EXTERNA POR CONFLITO COM ALIADOS – 09/04/2026

A permissão de Netanyahu para dialogar veio após o ataque mais letal de Israel contra o Líbano no atual conflito no Oriente Médio, o que levou o Irã a questionar o cessar-fogo acordado com os Estados Unidos sob mediação do Paquistão.

Pelo menos 303 indivíduos faleceram no Líbano durante os ataques de quarta-feira (8), conforme relatado pelo Ministério da Saúde local.

Novos ataques foram registrados na quinta-feira, tanto no sul do Líbano – onde Israel conduz uma operação militar de ocupação – quanto nas proximidades de Beirute, a capital.

A CNN informou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou a Netanyahu que reduza os ataques contra o Líbano e inicie negociações com o país vizinho sobre a desmilitarização do Hezbollah.

Os Estados Unidos devem atuar como mediadores nessas negociações entre Líbano e Israel e planejam reuniões com ambas as partes a partir da próxima semana.

Entretanto, uma autoridade de alto escalão do Líbano, em caráter confidencial, afirmou que o país busca um cessar-fogo antes de avançar para negociações mais abrangentes com Israel.

Ali Fayyad, um dos membros do Hezbollah com assento no Parlamento libanês, declarou que o grupo rejeita diálogos diretos com Israel e que o governo do Líbano deve exigir um cessar-fogo como condição preliminar para quaisquer outras medidas com o país vizinho.

Horas antes do anúncio de Netanyahu, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que “a única saída para a situação no Líbano é alcançar um cessar-fogo entre Israel e o Líbano, seguido de negociações diretas entre eles”.

Agressões renovadas pelo regime sionista contra o Líbano violam flagrantemente o cessar-fogo inicial. Tais ações indicam engano e descumprimento, tornando as negociações sem sentido. Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses. https://t.co/T3Wy3qBqcE

— Masoud Pezeshkian (@drpezeshkian) 9 de abril de 2026

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nas redes sociais que a continuação dos ataques de Israel “invalidará as negociações”.

Pezeshkian referiu-se aos diálogos entre Irã e Estados Unidos que devem ter início no sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão.

“Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses“, acrescentou.

O Paquistão afirma que a cessação dos ataques israelenses no Líbano fazia parte do cessar-fogo – algo que tanto Israel quanto os Estados Unidos negam.

O Líbano tem buscado diálogos desde o início da ofensiva de Israel contra o Hezbollah. O grupo libanês tem realizado ataques contra o território israelense em apoio ao Irã desde o início do conflito.

O Hezbollah anunciou ataques contra instalações militares israelenses na cidade de Haifa, no norte de Israel, nesta quinta-feira. Sirenes soaram em diversas regiões do país, inclusive em Tel Aviv, alertando sobre um ataque com míssil.

O Líbano não mantém relações diplomáticas formais com Israel; e o atual governo libanês, liderado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, tem buscado desmilitarizar o Hezbollah, apesar da resistência do grupo. Contudo, Netanyahu vinha rejeitando qualquer solicitação de diálogo de Beirute.

Quase 1,9 mil indivíduos faleceram no Líbano desde o início da ofensiva de Israel, em 2 de março. O número de deslocados no país ultrapassou 1 milhão – cerca de um quinto da população libanesa.

* Com informações da CNN e da Reuters