O que muda em Piúma? Plano Diretor que define o futuro da cidade começa a ser discutido na Câmara | Jornal Espírito Santo Notícias
Projeto trata de preservação ambiental, crescimento urbano, altura de prédios e expansão de áreas da cidade, temas que já geram divergências entre vereadores
O futuro de Piúma começou a ser debatido oficialmente na Câmara Municipal. Em primeira discussão no Legislativo, o Projeto de Lei nº 52/2026, que revisa o Plano Diretor Municipal (PDM), abriu uma série de debates sobre preservação ambiental, expansão urbana, verticalização e desenvolvimento econômico.
Considerado o principal instrumento de planejamento urbano de um município, o Plano Diretor estabelece regras para ocupação do solo, crescimento da cidade, preservação de áreas ambientais, mobilidade urbana e instalação de novos empreendimentos. Em Piúma, a legislação vigente foi aprovada em 2010 e, segundo vereadores, está há cerca de 16 anos sem uma atualização ampla.
O projeto encaminhado pelo Executivo foi elaborado a partir de estudos técnicos conduzidos por profissionais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), contratados para realizar o diagnóstico urbano do município. O trabalho incluiu levantamentos técnicos, audiências públicas e consultas à população para identificar demandas e definir diretrizes para o crescimento da cidade nas próximas décadas.
Apesar da construção técnica do documento, a chegada da proposta à Câmara abriu espaço para divergências entre parlamentares. Durante a sessão realizada na última terça-feira (10), vereadores defenderam alterações em pontos específicos do texto, enquanto outros parlamentares alertaram para possíveis impactos ambientais e urbanísticos caso determinadas mudanças sejam aprovadas.
Área de preservação na entrada da cidade gera debate
Um dos temas que mais chamou atenção durante a discussão envolve uma extensa área localizada na entrada de Piúma. Durante a sessão, os vereadores Alemão de Niterói e Jorge Miranda afirmaram que o local possui características de preservação ambiental e abriga vegetação nativa, além de servir de habitat para diversas espécies da fauna silvestre.
Segundo os parlamentares, o enquadramento da área dentro da proposta do Plano Diretor pode permitir futuras intervenções urbanas no local. Eles defenderam a apresentação de emendas para ampliar a proteção ambiental da região e impedir possíveis ocupações.
Os vereadores argumentaram ainda que a vegetação existente desempenha papel importante na estabilidade do terreno e na preservação das características ambientais da entrada da cidade.
O assunto deverá voltar a ser discutido nas próximas etapas de tramitação do projeto.
Área alagada e proposta de recuperação ambiental
Outro ponto citado durante os debates envolve uma área alagada do município que, segundo informações discutidas durante o processo de elaboração do Plano Diretor, possui potencial para recuperação ambiental e utilização turística.
A proposta estudada prevê ações de revitalização da área, incluindo melhorias ambientais e valorização do espaço como ponto de visitação, especialmente pela presença de aves aquáticas.
Durante as discussões, surgiram preocupações sobre possíveis alterações que possam modificar a destinação prevista para o local. O tema ainda deverá ser analisado pelos vereadores durante a tramitação do projeto.
Morro do Eucalipto e ocupação urbana entram na discussão
A sessão também foi marcada por manifestações relacionadas ao caso do Morro do Eucalipto.
O morador Aurenil utilizou a Tribuna Livre para relatar os impactos causados após problemas registrados em uma obra de contenção executada na região. Segundo ele, os danos atingiram diretamente sua residência e afetaram a rotina de sua família.
O caso gerou forte repercussão entre os vereadores, que cobraram esclarecimentos e responsabilização pelos prejuízos relatados.
Durante o debate, parlamentares também relacionaram o episódio às discussões sobre ocupação urbana e instalação de novos empreendimentos no município. Alguns vereadores mencionaram possíveis interesses econômicos ligados à área e defenderam maior rigor na análise das regras urbanísticas previstas no Plano Diretor.
Também foi discutida a legislação referente à instalação de postos de combustíveis em Piúma. O assunto gerou divergências entre os parlamentares e deverá continuar sendo debatido ao longo da tramitação do projeto.
Crescimento vertical divide opiniões
A revisão do Plano Diretor também reacendeu o debate sobre a verticalização da cidade.
Parte dos vereadores defendeu a possibilidade de ampliar os limites de altura para novas construções, argumentando que Piúma possui restrições territoriais que dificultam sua expansão horizontal e exigem alternativas para acomodar o crescimento urbano.
Outros parlamentares manifestaram preocupação com possíveis impactos no trânsito, na infraestrutura urbana e na qualidade de vida dos moradores.
Entre as propostas apresentadas durante a sessão está a exigência de um número maior de vagas de garagem nos novos empreendimentos, como forma de evitar sobrecarga das vias públicas e problemas relacionados ao estacionamento.
Projeto seguirá em discussão
O Projeto de Lei nº 52/2026 ainda está em fase de análise e poderá receber emendas antes da votação final pelos vereadores.
Por se tratar do principal instrumento de planejamento urbano do município, a revisão do Plano Diretor é considerada uma das discussões mais importantes para o futuro de Piúma. As decisões tomadas durante a tramitação do projeto poderão influenciar diretamente a forma como a cidade crescerá nos próximos anos, definindo regras para preservação ambiental, expansão urbana, desenvolvimento econômico e ocupação do território.
A expectativa é que novas discussões ocorram nas próximas sessões da Câmara Municipal, com a participação de vereadores, técnicos e representantes da sociedade civil.
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