‘Peru vive um empate técnico e expõe extrema fratura’, diz analista internacional
A eleição presidencial no Peru, com contornos dramáticos e disputa acirrada, segue indefinida, mas, neste momento, com vantagem para a ultradireitista Keiko Fujimori diante do oponente, o esquerdista Roberto Sánchez. Desde domingo, ambos trocaram de posição algumas vezes durante a apuração, mas a filha do ex-ditador Alberto Fujimori ganhou vantagem nesta quinta-feira (11) por causa dos votos de cidadãos peruanos que não moram no país.
Para Gustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), a chamada disputa voto a voto pode ser compreendida diante do cenário de descrença da população peruana com a história recente do país. “Esse quadro do processo eleitoral vem se intensificando na expressão desses dois projetos totalmente antagônicos: de um lado, o fujimorismo, e, do outro lado, a força de Roberto Sánchez na chamada região do Alto Peru, na medida em que os votos dele se concentram nessa região serrana, em cidades como Puno e Cuzco. Trata-se do principal reduto eleitoral de Roberto Sánchez. É bem provável que essa contagem de votos se expanda nas próximas horas. E veja que os votos do exterior foram decisivos nessas últimas horas. E isso é um cenário bastante emblemático na atual conjuntura. A gente está falando de 759 votos que separam Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. É um cenário de empate técnico e de um Peru extremamente fraturado”, avalia.
O professor destaca a ampla vantagem que a candidata ultradireitista tem na capital Lima e em outras importantes cidades costeiras. “Caso venha a se confirmar a eleição de Keiko Fujimori, haverá uma aproximação ao trumpismo e um fortalecimento do escudo das Américas”, pontua.
Menon avalia que, independentemente do vencedor, o futuro presidente terá um desafio imenso, que é compor com o parlamento. “Terá muito trabalho com o Congresso peruano, onde sabemos que o sistema político peruano se trata de um presidencialismo de fachada. O Congresso Nacional possui ampla força no sentido de destituir sucessivos presidentes. Chamo a atenção para o processo contra Pedro Castillo, eleito em 2021, e veja agora, que se trata de um momento decisivo em que as últimas urnas estão sendo apuradas”, afirma.
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