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PL fecha chapa apenas com homens

PL fecha chapa apenas com homens

PL fecha chapa apenas com homens

“As mulheres conservadoras estão preparadas para assumir o lugar de destaque.” A declaração foi feita por Damares Alves (Republicanos-DF) em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 5 de agosto, após o anúncio de que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), selecionou um homem para compor a chapa presidencial do PL – o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Pelo menos na chapa que representa o bolsonarismo na disputa presidencial, as mulheres conservadoras, apesar de estarem preparadas, não têm recebido o destaque político que esperavam.

Elas estão presentes, porém não ocupam o centro do principal arranjo do partido. Isso fica evidente na própria composição da mesa do evento que anunciou o nome do vice: entre Flávio, Gaspar e o coordenador da campanha, Rogério Marinho, estavam seis figuras femininas: a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, Cristiane Britto; a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também ocupou o cargo de Britto; a deputada federal Bia Kicis (PL-DF); a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro; a senadora Tereza Cristina; e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Entre elas, três foram consideradas anteriormente para a vice-presidência: Bia Kicis, Tereza Cristina e Daniella Marques.

Apesar de o evento ter sido focado no anúncio de um homem como vice de Flávio, as mulheres foram lembradas durante os discursos dos dois candidatos. Gaspar agradeceu à sua mãe, de 84 anos, e à esposa, com quem é casado há 36 anos. Flávio, assim como fez na convenção do partido que oficializou sua candidatura à presidência, também mencionou a esposa, Fernanda, as duas filhas e a “seleção de mulheres” que o acompanham, citando nominalmente as senadoras Tereza Cristina e Damares, as deputadas federais Clarissa Tércio (PP-PE) e Simone Marquetto (PP-SP), além de duas parlamentares do PL, Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis, e a presidente do Podemos, Renata Abreu.

Por que isso é relevante?

  • As mulheres representam mais da metade da população, porém possuem uma representação política significativamente menor. No Senado, compõem menos de 20% do total. Na Câmara, cerca de 15%. Desde a redemocratização, houve apenas uma presidente mulher.

Flávio dedicou parte de seu discurso para se dirigir ao eleitorado feminino, que hoje corresponde a 53% dos votos na eleição – sendo um dos principais desafios para a popularidade da candidatura bolsonarista, já que a vantagem de Lula na intenção de votos do eleitorado feminino é maior. O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, mencionou a “economia do cuidado” (conceito associado a atividades predominantemente realizadas por mulheres) e uma de suas promessas de campanha, uma política focada na “inserção e garantia de autonomia financeira” para as mulheres.

“Isso [economia do cuidado] nunca foi reconhecido e o nosso governo, sob a liderança de Dani Martins, juntamente com Fernanda, Damares, Tereza, Cris, as mulheres presentes conosco, serão responsáveis por conduzir essa política voltada para as mulheres, que será algo extraordinário”, afirmou Flávio.

Ao responder à Agência Pública, o senador Carlos Portinho (PL) justificou que, por decisão dos próprios partidos, nenhuma das mulheres cotadas para vice pôde compor a chapa. Partidos do centrão, como União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e MDB, já declararam neutralidade na disputa presidencial.

A Pública questionou ao parlamentar se, diante desse cenário, não seria mais adequado formar uma chapa exclusivamente com mulheres, com a indicação de Júlia Zanatta, que se colocou à disposição.

Em resposta, Portinho indicou que a deputada não traria os votos necessários para Flávio, visto que seu estado, Santa Catarina, já é dominado pela influência bolsonarista. A solução, portanto, foi escolher um candidato do Nordeste, região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui o maior eleitorado.

Denúncia por estupro

Em março deste ano, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram na Polícia Federal (PF) uma representação pedindo a investigação de Alfredo Gaspar por estupro de vulnerável. O caso veio à tona por meio do jornal Folha de S. Paulo.

Conforme o documento enviado à PF, os parlamentares receberam registros e conversas que indicam o crime cometido contra uma menina de 13 anos à época, que resultou em uma gravidez.

De acordo com apurações da Pública, a representação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a enviou para a Procuradoria Geral da República (PGR). Em seguida, o órgão solicitou diligências à PF, que segue com o caso para cumprir a solicitação. Não há inquérito aberto na Corte.

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