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Sadi se diz elitista e ofende corintianos e são-paulinos

Sadi se diz elitista e ofende corintianos e são-paulinos

Sadi se diz elitista e ofende corintianos e são-paulinos

Carlos Henrique Sadi e a filha, Andréia Sadi. Foto: Reprodução

Carlos Henrique Sadi, conselheiro do São Paulo, pai da jornalista Andréia Sadi e sogro do também jornalista André Rizek, colocou seu nome no centro de uma polêmica que vai muito além da tradicional rivalidade entre clubes. Declarações marcadas por um elitismo assumido pelo próprio autor atingiram não apenas o Corinthians e milhões de corintianos, mas também moradores de regiões populares e do próprio São Paulo, clube do qual quer ser vice-presidente nas próximas eleições.

Ao associar o rival, Itaquera e Paraisópolis a uma suposta falta de “glamour” e a uma condição social inferior, Sadi deu voz, sem disfarces, a preconceitos antigos que ainda sobrevivem nos bastidores e nas arquibancadas do futebol brasileiro.

Em uma live sobre o Tricolor, realizada no último dia 26 de agosto, mas que só ganhou os holofotes na noite da última quinta-feira (3), o dirigente declarou que, se não valorizasse o “glamour”, torceria pelo Corinthians e iria para Itaquera. Ao explicar seu ponto de vista, o conselheiro afirmou ser “elitista” e citou o Corinthians e Itaquera em uma comparação sobre, segundo ele, qual é o o perfil do São Paulo. “Se eu não tivesse glamour, eu ia torcer pro Corinthians e ia pra Itaquera. Eu não ia morar no Morumbi, desculpa. Eu sou mesmo elitista”, afirmou.

Em outro momento da transmissão, Sadi criticou a entrada de novos grupos e pessoas na estrutura política do São Paulo: “Agora, você botou o baixo clero pra trabalhar aqui dentro, velho”, declarou o conselheiro. “Você casou com a mulher de Paraisópolis, velho, e a família inteira tá morando com você.”

Nome cotado internamente para candidatura ao cargo de vice-presidente do São Paulo pelos grupos de Oposição, Carlos Sadi deu entrevista considerada elitista na última semana.

No dia 26 de agosto, em live no canal São Paulo Digital, Carlos Sadi falou sobre a suposta mudança de… pic.twitter.com/WIxfWq9AzU

— Gabriel Sá (@OGabrielSa) September 3, 2026

A frase “Eu sou elitista”, por si só, já seria suficiente para provocar indignação. Mas o problema se tornou ainda mais grave quando ele utilizou referências a moradores de Paraisópolis de maneira depreciativa.

O futebol é, por natureza, um espaço de rivalidade, paixão e provocação. Torcedores brincam, exageram e defendem seus clubes com fervor. Mas existe uma diferença fundamental entre a provocação esportiva e a reprodução de preconceitos sociais. Quando um dirigente de um dos maiores clubes do país utiliza origem, território e condição social como instrumentos de desqualificação, não está apenas atacando um rival: está reafirmando uma visão de mundo baseada na ideia de superioridade de determinados grupos sobre outros.

E há uma contradição especialmente incômoda no episódio. Ao tentar defender o suposto “glamour” perdido do São Paulo, Carlos Sadi acabou ofendendo o próprio clube. O São Paulo Futebol Clube não pertence a uma elite social, a um bairro ou a um grupo político. Pertence à sua torcida, formada por milhões de pessoas das mais diferentes origens, classes sociais e regiões do Brasil. Reduzir a identidade são-paulina a um conceito de exclusividade elitista é desconhecer a dimensão popular que qualquer grande clube inevitavelmente constrói.

O Corinthians, por sua vez, tem uma história profundamente ligada às camadas populares e à cidade de São Paulo. Isso jamais deveria ser tratado como sinônimo de inferioridade. Ao contrário: a origem popular é parte da riqueza cultural que tornou o futebol brasileiro uma das maiores expressões sociais do país.

Sadi afirmou posteriormente que cometeu um equívoco, que foi mal interpretado e que não soube se expressar. O pedido de desculpas é necessário, mas não elimina o debate. Afinal, o problema não está apenas nas palavras escolhidas, mas nos preconceitos que elas revelam e na naturalidade com que ainda aparecem em espaços de poder.

A rivalidade entre Corinthians e São Paulo pode — e deve — continuar intensa dentro das quatro linhas. Mas o futebol brasileiro precisa abandonar definitivamente a ideia de que classe social, endereço ou origem tornam alguém maior ou menor. Clubes são gigantes por suas histórias. E suas torcidas, por sua diversidade.



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