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O Futuro do Cerrado Está em Suas Mãos: Vote Consciente!

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Organizações da sociedade civil lançaram em setembro a campanha #VotePeloCerrado. A iniciativa convoca candidatos das eleições a se engajarem na proteção do bioma e dos povos que vivem nele, portanto. Uma carta-compromisso oficializa o engajamento de postulantes ao Executivo e Legislativo, e ela está disponível para assinaturas no site votepelocerrado.org.br.

O Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, reforça a relevância desta mobilização. As entidades envolvidas destacam a importância vital do bioma para o Brasil. Ele abriga as nascentes que alimentam oito das doze principais bacias hidrográficas do país, por exemplo.

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Ameaças e a importância do bioma para o país

Contudo, o Cerrado enfrenta uma situação crítica. Mais de 50% de sua vegetação nativa já foi destruída. Os rios da região também têm registrado uma redução média de 27% na vazão, conforme alertas das organizações. Este cenário acende um alerta nacional.

A devastação no Cerrado, portanto, não afeta apenas a região central do Brasil. Ela impacta diretamente o equilíbrio hídrico e climático de todo o país, incluindo grandes centros urbanos como Guarulhos e a Grande São Paulo. Alterações climáticas, por exemplo, manifestam-se em extremos de seca ou chuva em diversas localidades. Desse modo, a proteção do bioma central torna-se uma pauta essencial para a qualidade de vida em todo o território nacional.

Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), enfatiza a necessidade de eleger parlamentares com uma visão de longo prazo para a proteção do bioma. Ela alerta, assim, contra uma abordagem imediatista que comprometeria o futuro do país.

Propostas da campanha para proteção do Cerrado

A campanha #VotePeloCerrado apresenta oito propostas concretas para serem incorporadas pelos candidatos. Primeiramente, ela defende a proteção do Cerrado e seu reconhecimento como patrimônio nacional. Além disso, a iniciativa busca garantir a proteção das águas como um direito fundamental. Por outro lado, prioriza a defesa de terra, território e autodeterminação para os povos.

Outro ponto crucial é o combate à grilagem e à violência no campo. A campanha também exige o enfrentamento dos impactos dos grandes empreendimentos, assegurando a consulta livre, prévia e informada das comunidades. Ela ainda promove a agroecologia e fortalece a agricultura familiar, bem como valoriza a sociobiodiversidade e a soberania alimentar. Finalmente, a campanha visa garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

Liderança na mobilização e engajamento eleitoral

A mobilização é liderada pela Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações associadas, e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que articula mais de 60 entidades. Elas congregam povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.

Ingrid Silveira, secretária executiva da Rede Cerrado, indica um conjunto de elementos que devem orientar os compromissos dos candidatos. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garante ela. Dessa forma, é possível assegurar território, crédito e acesso a mercados para quem cuida do bioma.

Durante o lançamento online da campanha, Samuel Leite Caetano, presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), alertou sobre a escolha de representantes do Congresso. Ele destaca a necessidade de votar em políticos comprometidos com pautas ambientais e com os direitos dos povos tradicionais. O representante do povo geraizeiro enfatiza que os biomas correm sérios riscos, a depender dos eleitos.

Caetano ressalta a importância de proteger o Cerrado para todo o país. A água que abastece as capitais vem do Cerrado, assim como todos os grandes rios, ele afirma. É preciso ter a dimensão da importância desse bioma, ainda mais nesse contexto de emergência climática, ele pontua. A participação consciente nas urnas, portanto, é crucial para o futuro ambiental brasileiro.

Crise climática exige atenção nas urnas

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, reforça a necessidade de uma escolha atenta para as eleições deste ano. Ela observa o momento político atual, marcado por retrocessos em legislações ambientais. Em plena crise climática, com a chegada do El Niño, vemos candidatos negacionistas, ela lamenta. Posições políticas que não consideram a emergência em que vivemos só vão piorar a vida dos brasileiros, conclui ela.

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