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Tarcísio expande hub da cracolândia para o interior de SP

Tarcísio expande hub da cracolândia para o interior de SP

Tarcísio expande hub da cracolândia para o interior de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou a expansão do modelo de acolhimento a dependentes químicos da capital paulista para o interior do estado. O chamado hub, criado em 2023 para lidar com o fluxo de usuários na cracolândia, será levado a regiões metropolitanas como Campinas, Baixada Santista e Sorocaba.

O anúncio foi feito no Palácio dos Bandeirantes. O vice-governador Felício Ramuth (MDB), que coordena o plano de ações voltadas a dependentes químicos, afirmou que a meta é replicar o modelo em pelo menos três hubs até o fim de 2027.

O que é o hub da cracolândia

Criado em 2023 no centro de São Paulo, o hub é uma unidade de acolhimento que reúne serviços de saúde, assistência social e encaminhamento para tratamento. Na capital, o local atende centenas de pessoas por dia e é visto pela gestão Tarcísio como uma das principais políticas públicas para a população em situação de rua com dependência química.

A estrutura funciona como um ponto centralizado. No mesmo espaço, o dependente químico encontra médicos, assistentes sociais, psicólogos e profissionais que auxiliam na busca por vagas em comunidades terapêuticas ou centros de reabilitação. O modelo também inclui a oferta de refeições, kit de higiene e roupas.

De acordo com dados do governo estadual, desde a implantação do hub na capital, mais de 15 mil pessoas passaram pelo atendimento inicial. A taxa de encaminhamento para tratamento voluntário, no entanto, ainda é considerada baixa por especialistas, girando em torno de 20% dos acolhidos.

Próximos passos para o interior

A expansão para o interior não será imediata, segundo Ramuth. O próximo passo é a realização de estudos técnicos em cada região para definir a localização e a capacidade dos hubs. As cidades de Campinas, Santos (Baixada Santista) e Sorocaba estão na lista prioritária por concentrarem os maiores fluxos de dependentes químicos do interior paulista.

Campinas, por exemplo, já enfrenta uma situação semelhante à da capital. A região da Estação Ferroviária da cidade se tornou ponto de concentração de usuários de crack, com queixas de moradores e comerciantes locais sobre a insegurança na área. Em Santos, a região do Porto também registra aumento da população em situação de rua nos últimos meses.

Ramuth afirmou que o governo pretende ouvir prefeitos e secretários municipais de Saúde antes de instalar as unidades. “Não vamos impor um modelo sem diálogo. Cada cidade tem uma realidade específica, e o hub precisa se adaptar a ela”, declarou o vice-governador.

Custos e financiamento

A ampliação do programa deve custar aos cofres estaduais cerca de R$ 120 milhões nos próximos dois anos, segundo estimativas preliminares da Secretaria de Desenvolvimento Social. O valor inclui obras de adaptação de imóveis, contratação de profissionais e manutenção dos serviços. O governo espera contar com contrapartidas municipais e parcerias com o governo federal.

Um dos principais desafios apontados por especialistas em saúde pública é a continuidade do tratamento após o acolhimento inicial. Muitos dependentes químicos abandonam o acompanhamento nas primeiras semanas, o que compromete a eficácia da política pública.

A professora de saúde coletiva da USP, Lúcia Mendes, afirma que a expansão do modelo é bem-vinda, mas precisa vir acompanhada de políticas habitacionais e de geração de renda. “O acolhimento é o primeiro passo. Mas sem moradia digna e oportunidades de trabalho, o ciclo de dependência e rua se mantém”, disse à reportagem.

Impacto político e eleitoral

A decisão de Tarcísio de ampliar o hub ocorre em meio ao período eleitoral de 2026. O governador, que é pré-candidato à reeleição, tem buscado demonstrar resultados na área social, um dos pontos mais cobrados pela oposição. Pesquisas recentes mostram que a segurança pública e a situação das pessoas em situação de rua estão entre as principais preocupações do eleitor paulista.

O PSOL e o PT, principais partidos de oposição no estado, criticaram o anúncio. Para a deputada estadual Ediane Silva (PSOL), a medida é “mais do mesmo” e não ataca as causas estruturais da dependência química. “Falta política de moradia, falta emprego, falta salário digno. Um hub não resolve o que o desemprego e a falta de perspectiva causam”, afirmou.

Já o deputado estadual Emídio de Souza (PT) afirmou que São Paulo precisa de “ações integradas com o governo federal” e defendeu um plano estadual mais amplo, com metas claras e prazos definidos. Emídio lembrou que o programa federal “Região de Cuidados” já prevê repasses para estados que criarem redes de acolhimento.

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O que esperar daqui para frente

Nos próximos meses, o governo deve divulgar editais para a realização dos estudos de impacto e viabilidade em Campinas, Santos e Sorocaba. A previsão é que as primeiras unidades comecem a funcionar no segundo semestre de 2027. Até lá, o governo estadual promete manter o hub da capital funcionando 24 horas por dia, como ocorre atualmente.

Ao mesmo tempo, a administração Tarcísio enfrenta o desafio de mostrar resultados concretos em um ano eleitoral. O governador deve intensificar as visitas ao interior nos próximos meses para anunciar outros programas sociais, dentro de uma estratégia de fortalecimento da imagem antes da disputa de 2026.

Especialistas consultados pela reportagem avaliam que, embora o hub represente um avanço no acolhimento emergencial, a política pública ainda carece de mecanismos de reinserção social efetivos. A combinação de acolhimento, moradia assistida e geração de emprego é apontada como o caminho mais eficaz por organizações internacionais como a ONU.

O governo paulista afirma que está estudando essas dimensões e que o modelo do hub pode evoluir para incluir parcerias com empresas e cursos de capacitação profissional. O desafio, segundo Ramuth, é orçamentário. “Gostaríamos de fazer tudo ao mesmo tempo, mas precisamos de realismo fiscal”, ponderou.

A questão da dependência química, no entanto, segue como um dos temas mais sensíveis da gestão Tarcísio. A ampliação do modelo para o interior mostra que o governo aposta no hub como principal bandeira na área social. Se a estratégia se consolidar ou sofrer reveses, só o tempo dirá, em meio a uma disputa eleitoral que promete acirrar o debate sobre políticas públicas no estado mais populoso do Brasil.

Com informações da Folha de S.Paulo

RedeBrasil

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