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Tarifa zero nos ônibus pode cortar 0,25 ponto do IPCA

Tarifa zero nos ônibus pode cortar 0,25 ponto do IPCA

Tarifa zero nos ônibus pode cortar 0,25 ponto do IPCA

A proposta de oferecer transporte coletivo urbano gratuito aos sábados, domingos e feriados em todo o Brasil pode reduzir a inflação em 0,25 ponto percentual. A estimativa é do economista Leonardo Costa, da instituição financeira ASA, e leva em conta o anúncio feito na quinta-feira (15) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.

Lula pretende enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a gratuidade nos ônibus urbanos durante os fins de semana e feriados. A previsão é de que a medida entre em vigor em 2027, caso o presidente seja reeleito e o texto seja aprovado pelos parlamentares.

Como a tarifa zero nos ônibus pode afetar a inflação

Segundo o cálculo de Costa, a tarifa zero provocaria uma redução de aproximadamente 22,4% no preço do subitem ônibus urbano. Esse item tem peso de 1,116% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira.

O transporte urbano integra a cesta de produtos e serviços que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) usa para calcular o IPCA. Com a gratuidade em determinados dias da semana, o custo médio das passagens consideradas no índice tende a cair. Como resultado, o índice de preços do período registra um alívio pontual.

A estimativa considera tanto os municípios que já oferecem transporte gratuito em dias específicos quanto aqueles que ainda cobram passagem normalmente. O impacto de 0,25 ponto percentual apareceria no mês de implementação da medida, conforme a projeção.

O economista faz uma ressalva relevante. A projeção representa um efeito pontual sobre o índice de preços, e não uma redução permanente da inflação nessa mesma magnitude a cada mês. Portanto, quem espera um corte duradouro no índice precisa olhar a política como um choque isolado, não como uma tendência.

Capitais já testam a gratuidade nos fins de semana

A proposta nacional se inspira em experiências adotadas por diferentes cidades brasileiras. Várias delas passaram a oferecer transporte coletivo gratuito, ou tarifas reduzidas, aos domingos e feriados.

“A medida se soma às experiências já em curso em algumas capitais, que mostram como a gratuidade aos domingos pode funcionar na prática”, afirma Leonardo Costa.

Em São Paulo, o programa Domingão Tarifa Zero funciona desde dezembro de 2023 e garante viagens gratuitas nos ônibus municipais aos domingos. Belo Horizonte adotou a gratuidade por meio do programa Catraca Livre, implementado em 14 de dezembro de 2025, com linhas convencionais e suplementares aos domingos e feriados nacionais.

Em Belém, os ônibus operados por empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) passaram a circular gratuitamente aos domingos e feriados em abril de 2025. Brasília implementou uma política semelhante em fevereiro de 2025, permitindo o uso gratuito do transporte coletivo nesses dias.

Curitiba, por outro lado, adotou um modelo de desconto. Desde janeiro de 2025, a passagem aos domingos e feriados custa R$ 3, valor equivalente à metade da tarifa regular. O caso mostra que a gratuidade total não é o único caminho possível para baratear o deslocamento.

O que falta para a tarifa zero valer em todo o país

Além do efeito sobre os indicadores econômicos, a proposta pode reduzir os gastos com deslocamento de trabalhadores e famílias que usam o transporte público nos fins de semana. O impacto no bolso, contudo, depende de como cada município vai aderir ao modelo.

Para entrar em vigor nacionalmente, a tarifa zero ainda depende do envio da PEC pelo governo federal e da aprovação no Congresso Nacional. A equipe econômica ainda não detalhou a fonte de financiamento da gratuidade.

Especialistas apontam que a medida exige compensação para as empresas de transporte. Isso pode envolver subsídios federais, municipais ou uma combinação das duas fontes. Sem essa definição, o desenho final da política segue em aberto.

O tema deve se somar a outras mudanças recentes nas regras do trabalho. O Senado aprovou, em dois turnos, o fim da escala 6×1, uma pauta que também trata da rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.

Com informações do ICL Notícias. Leia também: Fim da escala 6×1 é aprovado pelo Senado em dois turnos.

RedeBrasil

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