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Escala 6×1: BYD diz que fim da jornada não reduz produção

Escala 6×1: BYD diz que fim da jornada não reduz produção

Escala 6×1: BYD diz que fim da jornada não reduz produção

O fim da escala 6×1 não deve reduzir a produção da BYD no Brasil. A avaliação é do vice-presidente da montadora no país, Alexandre Baldy, em evento realizado em Salvador nesta quinta-feira (29).

Segundo o executivo, a demanda atual supera a capacidade da fábrica de Camaçari, na Bahia. Por isso, a empresa planeja ampliar o ritmo de fabricação em vez de cortar turnos.

A declaração diverge da posição de parte da indústria e coloca a montadora chinesa em um campo diferente no debate sobre a jornada de trabalho.

BYD diz que respeita a lei e mantém investimentos

Baldy afirmou que a companhia vai ajustar a operação conforme a nova regra e seguir com os planos de expansão. Para ele, o fim da escala 6×1 não cria obstáculo à produção.

“O mercado, hoje, está acima da nossa capacidade produtiva, e nós vamos ajustar isso. Então, não há nada que vá impactar ou reduzir. [Vamos] gerar empregos e produzir aquilo que for necessário. Nós respeitamos a lei, seguimos a lei, e vamos investir de acordo com a legislação”, disse.

O executivo também destacou que a empresa mantém o cronograma de investimentos no complexo baiano. A fábrica é a segunda maior empregadora do setor industrial da Bahia.

Montadora mantém 9.500 empregos diretos

O complexo industrial de Camaçari emprega 9.500 pessoas de forma direta. A unidade foi inaugurada em outubro de 2025 e opera no modelo SKD, no qual kits parcialmente desmontados chegam da China para montagem no Brasil.

A próxima etapa é a nacionalização da produção. Com fábricas de estamparia, soldagem e pintura, a BYD passará a executar etapas importantes da carroceria no país. Os testes começam em novembro.

O objetivo é reduzir a dependência de peças importadas e facilitar as exportações para o Mercosul. No caso da Argentina, as exigências de conteúdo regional podem chegar a 35%. A meta da montadora é ultrapassar 50% de conteúdo local na montagem em janeiro de 2027.

Posição diverge da federação das indústrias

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) manifestou ressalvas à redução da jornada. Em comunicado publicado em 15 de outubro, a entidade disse reconhecer a importância da medida, mas alertou que ela pode comprometer avanços econômicos.

A BYD segue caminho oposto. A empresa projeta produzir 600 mil carros por ano, bem acima da capacidade atual, de 150 mil veículos anuais.

O tema também divide as centrais sindicais e as confederações patronais no Conselho Curador do FGTS, que nesta quinta aprovou a prorrogação do limite de antecipações do saque-aniversário. A medida ficou até março de 2027.

O que muda com o fim da escala 6×1

A proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 foi aprovada pelo Senado em dois turnos em 14 de outubro. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante duas folgas por semana.

A votação teve 75 votos a favor, 1 contra e 5 abstenções. Apenas o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra. A mudança não vale de imediato, pois há uma transição de 14 meses.

Dois meses após a publicação da emenda, o limite cai para 42 horas semanais e começa a valer o direito aos dois dias de descanso. Um ano depois, a jornada chega às 40 horas finais.

A proposta tem origem na PEC 221 de 2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apensada a um projeto da deputada Erika Hilton (Psol-SP). O texto fixa teto diário de 8 horas e dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.

O relator Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou as emendas apresentadas e manteve o texto aprovado pela Câmara. Para concluir a análise no mesmo dia, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresentou requerimento que quebrou o intervalo entre as votações.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, 14,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada podem ser beneficiados, além de 1,4 milhão de empregados domésticos. A redução não pode provocar diminuição de salário.

Camaçari e a aposta da BYD no Brasil

A unidade de Camaçari foi a primeira fábrica da BYD no Brasil e virou o principal ativo da empresa no país. A montadora assumiu o complexo que pertencia à Ford, que encerrou as atividades na Bahia em 2021.

A instalação teve apoio do governo baiano, que negociou a vinda de um novo grupo industrial para ocupar a área. Em troca, a empresa se comprometeu a gerar empregos e a ampliar a produção local ao longo dos anos.

O texto que acaba com a escala 6×1 já passou pela Câmara e pelo Senado e agora segue para promulgação. A regulamentação para micro e pequenas empresas virá depois, por lei complementar.

O que esperar daqui para frente

O setor produtivo ainda aguarda a regulamentação e as medidas compensatórias para micro e pequenas empresas. Essas regras virão por lei complementar e ficarão condicionadas à manutenção dos empregos.

Para a BYD, o discurso é de continuidade: mais produção, mais contratações e avanço na nacionalização de componentes. A montadora quer transformar a fábrica baiana na base de sua expansão no Mercosul.

Com informações de Poder360.

RedeBrasil

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