Análise: Batalha contra Fauci mostra que os EUA ainda não superaram a Covid
A situação de Fauci também reflete uma espécie de drama em Washington.
Durante quase quatro décadas no NIAID (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas), ele era um dos poucos funcionários públicos elogiados tanto por republicanos quanto por democratas. Governos estrangeiros o consideravam um modelo de excelência em saúde global, e sua participação nos programas globais de combate ao HIV/AIDS do presidente George W. Bush, o PEPFAR, contribuiu para salvar milhões de vidas.
Fauci era uma figura influente em Washington. Contudo, aos 85 anos, tornou-se um símbolo daqueles que permanecem por muito tempo no poder e veem suas reputações prejudicadas.
Fragmentos de seus diários divulgados pelo comitê mostraram um lado vaidoso e arrogante, onde ele parecia se orgulhar de sua exposição na mídia, fama e interações com celebridades.
Não se pode afirmar que Fauci tenha acertado em tudo. Algumas de suas orientações, vistas em retrospecto, parecem ter sido contraditórias ou não respaldadas pela ciência.
A intensa disputa política em torno do renomado médico também pode ser um obstáculo para algo mais crucial: uma responsabilização abrangente em toda a sociedade em relação à pandemia, o que poderia aprimorar a resposta federal diante de futuras emergências.
Nos primeiros e assustadores dias da crise da Covid-19, autoridades tomaram decisões rápidas sem pleno conhecimento das características do vírus, resultando em hospitais lotados de pacientes gravemente enfermos. Erros eram inevitáveis. Contudo, em alguns momentos, as autoridades forneceram orientações inconsistentes ou mudaram de posição em questões como o uso de máscaras, o que levou a uma perda de confiança pública.
Disputa em torno de Fauci pode moldar a resposta dos EUA à próxima crise
Nenhuma autoridade pública deve escapar de prestar contas por suas decisões em cargos de confiança pública. Críticos de Fauci o veem como alguém arrogante e resistente à prestação de contas, enquanto minimizam as falhas de Trump, que frequentemente divulgou informações falsas e tratamentos não comprovados durante a emergência.
Se um profissional tão respeitado como Fauci não está imune à difamação pessoal e agressiva por parte de líderes nacionais, outros servidores públicos menos conhecidos podem optar por seguir outras carreiras, deixando os Estados Unidos mal preparados para futuras crises.



