Mesmo sob tarifaço de Trump, Brasil bate recorde de exportações em julho e superávit cresce 31,9%
Em meio ao aumento das tarifas impostas por Trump, o Brasil alcançou um recorde de exportações em julho, resultando em um superávit crescente de 31,9%.
De janeiro a julho de 2026, o superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 49,04 bilhões, representando um aumento de 31,9% em relação ao mesmo período de 2025 (MDIC).
No mês de julho, as exportações totalizaram US$ 34,12 bilhões, estabelecendo um recorde histórico para o período e gerando um superávit de US$ 7,07 bilhões.
O crescimento foi impulsionado pelas vendas para a China e a União Europeia, enquanto as exportações para os Estados Unidos tiveram uma queda de 12,2% no acumulado do ano.
Os setores agropecuário, extrativo e de transformação registraram aumentos de 9,3%, 10,8% e 2,4% nas vendas externas, respectivamente.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, celebrou o resultado em um vídeo publicado nas redes sociais.
“O Brasil acaba de atingir mais um recorde no comércio exterior. Em julho, exportamos US$ 34,1 bilhões, o maior valor da história para este mês”, afirmou.
Exportações crescem no setor agropecuário e na indústria
No mês de julho, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 7,07 bilhões. As exportações alcançaram US$ 34,12 bilhões, representando um crescimento de 6,2% em comparação com o mesmo mês de 2025.
O aumento ocorreu em diversos setores da economia. As exportações do setor agropecuário cresceram 9,3%, enquanto a indústria extrativa avançou 10,8% e a indústria de transformação registrou um crescimento de 2,4%.
Alckmin destacou especialmente o desempenho da indústria de transformação.
“Houve crescimento nas vendas do setor agropecuário, da indústria extrativa e também da indústria de transformação, que agrega valor, gera empregos e fortalece a economia”, afirmou.
De janeiro a julho, as exportações brasileiras totalizaram US$ 218,55 bilhões, representando um aumento de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A indústria extrativa liderou o crescimento, com uma expansão de 21,3%. O setor agropecuário avançou 9,2%, enquanto a indústria de transformação cresceu 6,3%, contribuindo com US$ 112,50 bilhões em exportações.
China amplia compras do Brasil em quase 20%
A China reforçou sua posição como principal destino das exportações brasileiras. Em julho, as vendas para o mercado chinês cresceram 8,6%, totalizando US$ 10,67 bilhões.
De janeiro a julho, a expansão foi ainda maior, atingindo 19,7%, com US$ 69,03 bilhões exportados pelo Brasil. O saldo comercial bilateral foi positivo em US$ 24,06 bilhões para o país.
A União Europeia também apresentou crescimento. As exportações brasileiras para o bloco aumentaram 3,9% em julho e 11% no acumulado do ano, chegando a US$ 31,59 bilhões. O Brasil registrou um superávit de US$ 2,31 bilhões nessa relação comercial.
Alckmin relacionou o desempenho à política de abertura de mercados e ampliação dos acordos comerciais conduzida pelo governo Lula.
“Mesmo diante do aumento das tarifas e dos conflitos externos, desde o início do governo do presidente Lula, o Brasil vem batendo recordes sucessivos. Isso é resultado de trabalho, diálogo e empenho na abertura de novos mercados e na conclusão de acordos internacionais”, declarou.
O vice-presidente também ressaltou o crescimento das vendas para os europeus.
“Só para a União Europeia, vendemos quase 4% a mais neste mês em relação ao ano passado”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilhou o vídeo de Alckmin e afirmou: “Retrato de um Brasil que abriu o número recorde de 664 mercados em mais de 90 destinos nos cinco continentes desde 2023”.
Exportações para os EUA caem 12,2%
O desempenho com os Estados Unidos seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 5% em julho e 12,2% entre janeiro e julho, totalizando US$ 20,95 bilhões.
O Brasil acumulou um déficit comercial de US$ 2,27 bilhões com os EUA nesse período.
A queda das exportações para os EUA ocorre em meio à escalada da pressão comercial promovida pelo governo Trump. Os dados do MDIC, porém, não permitem atribuir a queda das exportações exclusivamente às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Os números evidenciam, ao mesmo tempo, a crescente importância de outros mercados para o comércio exterior brasileiro, especialmente a China e a União Europeia, que contribuíram para sustentar a expansão das exportações apesar da redução nas vendas para os norte-americanos.
As exportações para a Argentina também diminuíram. Houve uma queda de 13,9% em julho e de 18,6% no acumulado do ano, totalizando US$ 8,76 bilhões. Mesmo assim, o Brasil manteve um superávit de US$ 1,22 bilhão com o país vizinho.
Comércio brasileiro cresce apesar das tensões externas
As importações também aumentaram. Em julho, o Brasil adquiriu US$ 27,05 bilhões em produtos do exterior, representando um aumento de 7,6% em relação ao mesmo período de 2025.
De janeiro a julho, as importações atingiram US$ 169,51 bilhões, crescendo 5,5%.
O crescimento simultâneo das exportações e importações ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar mercados e reduzir a vulnerabilidade do país diante de turbulências envolvendo parceiros específicos.



