Casal gay esfaqueado em SP diz que buscou provas do crime
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O médico Lucas Osiak, 28 anos, ainda se encontra em processo de recuperação após ser atacado ao retornar para casa no centro de São Paulo. No dia 7 de fevereiro, enquanto caminhava com seu parceiro Yuri, 27 anos, pela Rua Consolação, ambos foram vítimas de um ataque com facas. Até o momento, a Polícia Civil não conseguiu identificar os agressores, levando o casal a buscar evidências em vídeos para esclarecer o ocorrido.
Nenhum pertence foi roubado durante o ataque, levantando a suspeita de que o crime possa ter sido motivado por homofobia. Preocupados em preservar as provas, eles aguardam o desfecho das investigações, que estão sob responsabilidade do Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).
O casal foi atacado ao retornar para casa. O médico Lucas Osiak, uma das vítimas, relatou: “Eu e meu parceiro estávamos com amigos em um café na tarde de sábado e decidimos voltar de metrô. Ao sairmos da estação, notamos que a rua estava escura, embora movimentada para um sábado à noite, por volta das 20h, em uma região agitada. Poucos metros após deixarmos a estação, vi meu parceiro gritar ao meu lado. Ao virar, vi ele sendo agarrado pela cabeça e, logo em seguida, senti algo pontiagudo em meu pescoço”.
“Não consegui ver muito, pois os agressores não nos abordaram nem disseram nada; simplesmente nos atacaram. Naquele momento, pensei que fosse um assalto. Só percebi que não era quando acordei na UTI”, relatou Lucas Osiak.
Um veículo policial que passava próximo prestou socorro ao casal. Eles foram levados ao hospital e, segundo Osiak, os próprios policiais registraram o ocorrido como uma agressão. Contudo, após recuperar a consciência, a vítima começou a desconfiar das motivações do ataque, considerando a possibilidade de ter sido um crime de homofobia, uma vez que nenhum pertence foi levado.
Após se recuperar do ataque, Osiak decidiu buscar respostas. Enquanto ainda estava internado, um investigador mostrou imagens do resgate, o que trouxe a sensação de que “as coisas estavam progredindo para a identificação dos agressores”. No entanto, semanas depois, ao retornarem à delegacia, descobriram que a investigação não avançava.
Diante disso, o casal decidiu procurar por câmeras que pudessem ter registrado o crime. Identificaram locais que poderiam conter evidências e solicitaram judicialmente a preservação das provas. Osiak afirmou: “Somente após isso, uma empresa informou que havia guardado alguns registros, os quais ainda não tive a oportunidade de ver”.
O caso está sendo investigado pelo Decradi. Em comunicado, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o pedido de transferência do caso para o DHPP foi deferido pela Justiça. Dessa forma, a investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, especializada em casos de homofobia.
A alteração traz esperanças de solucionar o caso. Osiak afirmou que, apesar de ainda se recuperar dos ferimentos e do impacto emocional, acredita que os responsáveis pelo ataque poderão ser identificados.
“Além das sequelas físicas, ainda enfrento dificuldades na fala e necessitarei de acompanhamento com um fonoaudiólogo. Sigo tomando medicamentos e em tratamento. O processo de recuperação psicológica também será longo para que eu possa reconquistar a confiança e a sensação de segurança para retomar minha rotina. Muitas pessoas me questionam por que não nos mudamos, mas sinto que isso poderia ter ocorrido em qualquer lugar; não foi um incidente isolado. Após o ocorrido, fomos informados sobre outros casos de violência motivados por homofobia ou envolvendo outras minorias”, compartilhou Lucas Osiak.

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