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Desabamento no Brás: Defesa Civil interdita imóveis vizinhos

Desabamento no Brás: Defesa Civil interdita imóveis vizinhos

Desabamento no Brás: Defesa Civil interdita imóveis vizinhos

O desabamento no Brás, na região central de São Paulo, segue mobilizando equipes de resgate e da Defesa Civil neste sábado, 7 de novembro. Dois imóveis vizinhos ao prédio que caiu na noite de sexta-feira continuam interditados, e a perícia já apontou danos graves em uma das estruturas.

Segundo o tenente-coronel Barelli, comandante do 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, o imóvel do lado esquerdo sofreu as piores avarias. “O do lado esquerdo está bem grave, a perícia já detectou isso e foi feito o laudo de interdição”, afirmou o oficial. “Do lado direito, possivelmente vai ter que ter uma nova análise pericial.”

A Defesa Civil informou que a interdição foi necessária por segurança, enquanto máquinas retiram materiais do interior do estabelecimento. Caminhões entravam e saíam do local durante todo o dia, carregando entulho retirado dos escombros.

Resgate retirou 27 pessoas com vida dos escombros

No momento do desabamento, 35 pessoas estavam dentro do prédio, que abrigava uma loja de tecidos no Brás. Oito conseguiram sair por conta própria, e os bombeiros resgataram outras 27 vítimas com vida.

Quatro feridos foram encaminhados à Unidade de Pronto-Atendimento da Mooca, na zona leste da capital, sem risco de morte, segundo as equipes de socorro.

Um dos sobreviventes descreveu os minutos seguintes à queda da estrutura. “Quem tinha celular, tava ligando para os bombeiros”, contou o trabalhador Jhony Wanga, que carregava tecidos no local. “Ligamos, depois de sete, oito minutos o socorro chegou no tempo certo. Nós todos estávamos ligando. Mais de 15 chamadas aí”, relatou ele. Wanga voltou ao local na manhã deste sábado para tentar recuperar uma mochila que ficou sob os escombros.

No início deste sábado, cães farejadores avaliaram os destroços e não encontraram indícios de novas vítimas soterradas. Os bombeiros ainda não descartam a hipótese de haver pessoas sob a estrutura, mas consideram o cenário cada vez menos provável.

Estrutura colapsou por completo ao longo do sábado

Ao longo deste sábado, a parte do prédio que ainda resistia colapsou totalmente. As equipes derrubaram o restante da parede que ameaçava cair sobre os bombeiros, e retroescavadeiras retiraram rolos de tecido do interior do estabelecimento.

O desabamento começou no meio do edifício, que tinha quatro andares e ficava em uma região de comércio e confecções. Parte da fachada chegou a ficar de pé logo após o acidente, mas não resistiu à movimentação das equipes e ao peso da estrutura comprometida.

Bombeiros e funcionários da prefeitura trabalharam por horas no local. Vários caminhões entraram e saíram do Brás com entulho, enquanto equipes mantinham o isolamento da área para evitar novos riscos.

Loja funcionava sem alvará da prefeitura e dos bombeiros

O estabelecimento não possuía autorizações de funcionamento da Prefeitura de São Paulo nem do Corpo de Bombeiros. A ausência de alvarás passou a integrar as apurações sobre as causas do acidente.

Para o trabalhador Jhony Wanga, o excesso de peso no último andar provocou o colapso. “Pra mim o que causou isso foi o peso, que eles queriam levar tudo no terceiro andar, no último andar do prédio”, afirmou. A hipótese ainda depende de confirmação técnica da perícia.

O caso também levanta dúvidas sobre a fiscalização de galpões e lojas antigas na região central. Imóveis usados como depósito costumam receber cargas pesadas sem laudo estrutural.

Desabamentos reacendem alerta sobre imóveis antigos do centro

O episódio do Brás reacende a discussão sobre a fiscalização de imóveis antigos e de galpões de comércio na região central da capital. Em setembro deste ano, um desabamento de prédio na zona leste de SP deixou três mortos e mobilizou o Corpo de Bombeiros por dias.

A prefeitura e a Defesa Civil costumam interditar imóveis vizinhos quando há risco de queda em cascata, como ocorreu agora. A medida protege as equipes de resgate e os moradores das construções ao lado.

O que esperar daqui para frente

Uma nova perícia deve avaliar o imóvel do lado direito nos próximos dias. Se o laudo confirmar que a estrutura é recuperável, o imóvel pode ser liberado para reforma. O prédio do lado esquerdo permanece interditado por tempo indeterminado.

O Corpo de Bombeiros segue com as buscas no terreno, sem prazo para encerrar os trabalhos. A prefeitura ainda não informou se vai abrir processo para apurar a falta de alvará do estabelecimento.

Brás concentra comércio popular e imóveis antigos

O Brás é um dos principais polos de comércio popular de São Paulo, com ruas tomadas por lojas de roupas e tecidos. O bairro fica na região central, perto da Mooca e do Pari, e recebe diariamente comerciantes de várias partes do país.

Boa parte dos imóveis da região é antiga e acumula depósitos no térreo e nos andares superiores. A sobrecarga dessas estruturas é uma das hipóteses para o colapso, mas a perícia ainda vai confirmar as causas do desabamento.

As vítimas resgatadas receberam atendimento no próprio local. Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros montaram uma área de triagem para avaliar os feridos antes de encaminhá-los às unidades de saúde da região.

Com informações de Metrópoles

RedeBrasil

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