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Dino retira sigilo de investigação do Dark Horse vinda de SP

Dino retira sigilo de investigação do Dark Horse vinda de SP

Dino retira sigilo de investigação do Dark Horse vinda de SP

Ministro do STF levanta sigilo de investigação sobre o filme Dark Horse enviada pela Justiça paulista

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou neste domingo, 13 de setembro, o sigilo da investigação sobre o filme Dark Horse que foi enviada pela Justiça de São Paulo ao Supremo. A decisão torna públicos todos os documentos e dados apreendidos pela Polícia Civil paulista que agora tramitam na corte. A determinação atende a uma nova orientação dentro do próprio STF sobre a publicidade de investigações.

O material foi encaminhado pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo e passa a integrar o inquérito conduzido por Dino no STF. A investigação original foi aberta a partir de suspeitas relacionadas à execução de emendas parlamentares federais destinadas a empresas do estado de São Paulo.

Dino retira sigilo de investigação do Dark Horse vinda de SP

Conexão com emendas e a Prefeitura de SP

Ao examinar o material encaminhado por São Paulo, Dino afirmou que se fortaleceu a hipótese de conexão entre diferentes frentes de investigação. Segundo o ministro, há indícios de um suposto esquema envolvendo a destinação e o desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares federais.

A decisão menciona emendas parlamentares federais, recursos da Prefeitura de São Paulo e cita nominalmente o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua como roteirista e produtor-executivo de Dark Horse. Frias é apontado como personagem central da linha de investigação que envolve a captação e o uso de verbas públicas para a produção do filme. A produtora, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que todas as prestações de contas foram feitas dentro da lei.

Mudança de entendimento no STF

Dino justificou a retirada do sigilo também por uma mudança recente de entendimento dentro do próprio Supremo sobre a publicidade das investigações. No despacho, o ministro cita uma decisão do ministro André Mendonça, que levantou, após pedido do presidente do STF, Edson Fachin, o sigilo de outros procedimentos relacionados ao Banco Master e às investigações que envolvem o empresário Daniel Vorcaro.

Dino afirma que a medida sinaliza uma “viragem jurisprudencial em curso”, à qual diz precisar se adaptar em respeito à colegialidade. O ministro reconhece que a transparência total dos processos é um caminho sem volta dentro da corte. Segundo ele, pessoas mencionadas em investigações semelhantes passarão a ter direito de acesso público aos autos, salvo exceções justificadas por segurança nacional ou risco à investigação.

“Por enquanto”, escreveu o ministro, a orientação será aplicada ao material da investigação sobre Dark Horse enviado pela Justiça paulista e incorporado ao processo sob sua relatoria. Dino determinou ainda que a Secretaria Judiciária do STF adote as medidas necessárias para dar publicidade integral aos documentos recebidos.

Antecedentes da investigação

A operação que mirou a produtora Dark Horse já havia sido alvo de reportagem anterior do RedeBrasil. As apurações indicam que o esquema envolvia empresários ligados ao PCC e pessoas investigadas por outros crimes graves. A conexão entre recursos públicos desviados e organizações criminosas é um dos pontos que mais preocupam os investigadores.

A investigação sobre Dark Horse tramitava em segredo de Justiça na esfera estadual, mas a gravidade das conexões com emendas federais fez com que o caso fosse remetido ao STF. Com a retirada do sigilo, todos os detalhes da apuração ficam acessíveis para consulta pública, incluindo extratos bancários, registros de quebra de sigilo fiscal e mensagens apreendidas durante as buscas.

O caso também se conecta com outra frente de investigação em que o ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o empresário Daniel Vorcaro são mencionados. Vorcaro, dono do Banco Master, buscou contato com a Polícia Civil de São Paulo após ser intimado, conforme mostrou o RedeBrasil. A defesa de Vorcaro afirma que não há irregularidades e que todas as movimentações foram legais.

Impacto político e eleitoral

A decisão de Dino ocorre em meio a um momento de tensão no STF, com pressões crescentes sobre o presidente da corte, Edson Fachin, para que paute a discussão sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Os bastidores do Supremo estão agitados, com ministros trocando acusações públicas e articulações nos bastidores para definir os rumos das investigações.

A expectativa agora é que novos elementos do caso Dark Horse venham a público nos próximos dias, o que pode impactar diretamente a reta final da campanha eleitoral de 2026. O deputado Mario Frias é candidato à reeleição pelo PL de São Paulo e tem usado sua atuação como produtor cultural como bandeira de campanha. Caso as investigações apontem irregularidades no uso de emendas, isso pode comprometer sua candidatura.

A retirada do sigilo também atinge outros personagens políticos mencionados no inquérito. A partir de agora, jornalistas, advogados e cidadãos comuns poderão examinar cada documento do processo, o que tende a gerar novas revelações sobre o suposto esquema de desvio de recursos públicos em São Paulo.

A produtora Dark Horse, em nota, reiterou que todas as suas atividades foram realizadas dentro da legalidade e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos adicionais. Já o deputado Mario Frias não se manifestou até a publicação desta matéria.

Com informações do Estadão e CNN Brasil

RedeBrasil

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