Elisa Lucinda apresenta o espetáculo “O Princípio do Mundo” no Teatro da Ufes | Jornal Espírito Santo Notícias
Título: Elisa Lucinda apresenta a peça “O Princípio do Mundo” no Teatro da Ufes | Jornal Espírito Santo Notícias
Partindo do princípio de que a primeira pessoa foi criada por uma mulher de pele negra, a peça “O Princípio do Mundo” retorna em cartaz neste sábado (08), às 20h, com uma nova apresentação no domingo (09), às 18h, no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória. Estrelado por Elisa Lucinda, que assina a dramaturgia em parceria com a diretora Geovana Pires – ambas formam a Companhia da Outra – o espetáculo marca a estreia profissional do jovem ator Gabriel Demarchi. Com uma abordagem totalmente poética, a montagem explora a essência do matriarcado e a falta de referências do mundo contemporâneo.
“Estamos propondo uma forma de interação com o mundo menos destrutiva e menos violenta. Ainda é inaceitável nos dias de hoje que a presença do masculino represente uma ameaça à vida de uma mulher. Abordamos esses temas para provocar reflexões, mas com leveza, beleza e humor nas palavras. Atualmente, vivemos em um mundo muito árido, carente de mais doçura. Na peça, a personagem ancestral, acompanhada de seu jovem aprendiz, embarca em uma jornada que discute os perigos do destino humano quando afastado das raízes matriarcais. Neste momento em que as pessoas enfrentam dificuldades para lidar com crianças e adolescentes, e muitos jovens estão órfãos de conexão com a natureza e contatos presenciais, apresentamos um conjunto de ideias para promover uma cultura de paz”, destaca Elisa Lucinda.
Assim, o sétimo espetáculo da Companhia segue na contramão do pensamento predominante no mundo ocidental e se conecta com as tradições das sociedades africanas – como o provérbio que diz que quando um ancião morre, uma biblioteca se perde. Não por acaso, esses povos têm o hábito ritualístico de compartilhar conhecimentos por meio de histórias, fábulas, representações teatrais, cantos e outros fundamentos com os mais jovens. Ao conhecer sua história, a juventude consegue fundamentar o presente no passado. Quanto mais fortalecida essa base, mais o futuro prospera.
“Para interpretar a Mãe do Mundo, tivemos que mergulhar na ancestralidade, voltar a um tempo anterior à narrativa oficial que conhecemos. Se pensarmos bem, essa versão oficial da história mundial, considerada universal, acaba por suprimir saberes antigos. Isso levou gerações a terem uma visão equivocada da África, por exemplo, enxergando-a como uma aldeia e não como um continente com 54 países, cuja contribuição cultural é fundamental para a harmonia global. Sinto-me profundamente grata por minhas raízes ao interpretar essa mãe”, expressa Elisa entusiasmada com sua nova personagem.
Concepção
A dramaturgia, algo não tão comum, foi se desenvolvendo à medida que os ensaios avançavam, o que modificou significativamente a concepção da peça. “Há uma diferença enorme, pois enquanto escrevo a dramaturgia, já estou conduzindo a encenação, direcionando para as cenas que considero teatralmente potentes. Essa abordagem mantém tudo dinâmico, menos engessado. É uma entrega total, como se fôssemos guiados pela divindade do teatro, que dita espiritualmente como o espetáculo deve existir. Abrimos nosso canal criativo para estabelecer uma conexão com esse aspecto divino, que é o teatro”, acredita a diretora Geovana Pires.
Entusiasta do que chama de “risco criativo”, Elisa comenta sobre a estrutura poética do texto cênico, o primeiro dela escrito inteiramente em rimas. “É a primeira vez e de propósito. Queremos que o texto brilhe. Acredito no poder das palavras, vejo a força da tradição oral. Nunca antes nossa companhia construiu um texto tão poético, especialmente nos diálogos. Por outro lado, somos especialistas, e digo sem hesitação, em encenar poesia. Embora eu assine em maior parte, o texto conta com versos completos de Geovana e até um poema do próprio Gabriel. Geovana é uma dramaturga experiente, e é reconfortante trabalhar ao lado de uma profissional que também é diretora, pois ela já pensa em termos de encenação”, observa a multiartista.
Fazendo sua estreia no teatro profissional acompanhado de figuras tão talentosas, Gabriel Demarchi já demonstra sua versatilidade assim que pisa no palco. Além de contracenar com Elisa Lucinda, ao jovem de 14 anos cabe a tarefa de embalar trechos da peça com o som do kamale ngoni, um instrumento também conhecido como harpa africana. “Aprendi a tocar em cerca de duas semanas. Foi um desafio rápido, mas muito prazeroso, pois o som se encaixa perfeitamente com o clima da peça e me conectou ainda mais com a narrativa. Estrear tão jovem e já poder mostrar meu trabalho como ator e também minha habilidade musical, ao lado de pessoas que admiro tanto, tem sido uma experiência incrível”, celebra Gabriel.
Valorização da Sabedoria da Terceira Idade
Reconhecendo tanto o poder das palavras em si quanto o encantamento que elas proporcionam, a Companhia da Outra presta uma homenagem à terceira idade com esta montagem, pois compreende que há muito a aprender com a sabedoria dos mais velhos. “Convidamos o público a confiar no tesouro que é o ser humano, com seus conhecimentos e experiências antigas que residem em nossa memória e precisam ser resgatados. Nas culturas indígenas e africanas, os idosos são vistos como sábios. Em torno deles, toda a comunidade se reúne para desfrutar de sua sabedoria, e o mais interessante é que os jovens apreciam a proteção dessa sabedoria. Temos convicção de que a natureza é uma escola perene”, conclui Elisa Lucinda.
PROGRAMAÇÃO:
“O Princípio do Mundo”
Uma produção da Companhia da Outra
Temporada: 08 e 09 de agosto de 2026
Horários: sábado, às 20h, e domingo, às 18h
Ingressos: R$ 25,00 (meia-entrada) / R$ 50,00 (inteira) – mezanino
R$ 60,00 (meia-entrada) / R$ 120,00 (inteira) – plateia
Link de Vendas: 08/08
Local: Teatro Universitário – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Endereço: Av. Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras, Vitória – ES, 29075-910
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 90 minutos
Instagram: @oprincipiodomundo
SOBRE A COMPANHIA DA OUTRA
A Companhia da Outra foi fundada em 2007 pelas atrizes e dramaturgas Elisa Lucinda e Geovana Pires, e desenvolve uma abordagem teatral baseada na riqueza dramatúrgica de obras poéticas. Sua pesquisa segue uma linguagem que parte do conteúdo para moldar as formas e escolhas estéticas. A Companhia assina produções como “Parem de Falar Mal da Rotina”, “A fúria da Beleza”, “A Natureza do Olhar”, “A Paixão Segundo Adélia Prado”, “Perigosas Damas”, além de shows musicais e poéticos por todo o Brasil e no exterior.
SOBRE A PARAGOGÍ
A Paragogí Cultural é uma produtora que enxerga a cultura como uma ferramenta poderosa de transformação social, inclusão e fortalecimento da diversidade racial, de gênero, religiosa e cultural. Seu propósito é criar experiências que representem, respeitem e amplifiquem diferentes corpos, vozes e histórias. A empresa busca fazer da cultura um espaço de empatia, equidade e escuta ativa. Acredita que a transformação acontece quando todas as pessoas se veem, se reconhecem e se sentem parte do processo. Com um compromisso com a justiça social, a Paragogí Cultural busca construir pontes entre comunidades, instituições e territórios, promovendo encontros que gerem pertencimento e novas possibilidades.
FICHA TÉCNICA
Texto e Dramaturgia: Elisa Lucinda e Geovana Pires
Elenco: Elisa Lucinda e Gabriel Demarchi
Direção: Geovana Pires
Assistente de direção: Nando Rodrigues
Direção de produção: Rafael Lydio
Direção de movimento: Elton Sacramento
Cenário e Figurino: Arieli Marcondes
Direção musical: Glaucus Linx
Desenho de luz: Djalma Amaral
Preparação musical: Beà Ayòóla
Preparação vocal: Pedro Lima
Assistente de figurino: Luan Mateus
Assistente de arte/figurino: Jessica Araújo
Coordenação de comunicação: Daniel Barboza (Incerta)
Projeto gráfico: Allan Brandão
Fotografia: Vantoen Pereira Jr.
Assistentes de fotografia: Iury Senck e Xayoncé Queen
Cinematografia: Chamon Audiovisual
Mídias sociais: Carla Freitas
Assessoria Jurídica: Thais Dumêt
Assistente de produção: Eduardo Brandão e Rafaela Santos
Coordenadora institucional: Taís Espírito Santo
Idealização: Instituto Casa Poema
Realização: Companhia da Outra
Produção: Paragogí Cultural



