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Embaixada dos EUA buscou líder do PL para falar de urnas

Embaixada dos EUA buscou líder do PL para falar de urnas

Embaixada dos EUA buscou líder do PL para falar de urnas

A embaixada dos EUA no Brasil entrou em contato com o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), para que o parlamentar recebesse Riley Bernes e Samuel Samson, dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA — órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil. A delegação teve os vistos negados pelo Consulado Brasileiro em Washington e, conforme noticiado pelo jornal The Washington Post, planejava se reunir com lideranças políticas em Brasília para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral no país.

Sóstenes confirmou à Agência Pública ter sido acionado por meio da assessoria da embaixada norte-americana e relatou não ter sido informado sobre o tema da reunião.

Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

“A embaixada americana entrou em contato comigo pedindo para receber duas autoridades do governo americano. Eu disse que receberia com todo prazer. Eu recebo toda e qualquer autoridade de todos os países do mundo para falar sobre qualquer assunto, sem nenhum problema”, reforçou o deputado. O parlamentar também questionou o motivo da negação dos vistos pelo governo. “Nunca soube que essas autoridades falariam sobre urnas. Mesmo que fosse, é proibido falar sobre urnas eletrônicas?”.

Segundo o Itamaraty, a justificativa oficial apresentada pelos americanos para virem ao país era fazer contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão. O governo dos Estados Unidos não detalhou os planos de viagem dos dois funcionários.

O impasse Daniel Perez

Os vistos foram negados na semana passada em meio a impasses diplomáticos com os EUA. Em 1º de junho, o presidente Donald Trump gerou mal-estar no governo brasileiro ao anunciar — sem antes consultar o Itamaraty, como preconizam as regras da diplomacia — o deputado republicano da Flórida, Daniel Perez, como embaixador no Brasil. Além disso, em 15 de julho, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Na publicação feita no X (antigo Twitter), Rubio ainda culpou nominalmente o presidente Lula pela imposição das taxas. 

A resposta brasileira a Rubio, um dos nomes mais influentes do governo americano e que se autodenomina “anticomunista visceral”, teve um tom mais direto e contundente do que o adotado após a aplicação da tarifa global de 10%, em 2 de abril de 2025. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que as taxas ocorreram porque o Brasil não se “curvou às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações” com o governo dos EUA.

Fachada da Embaixada dos EUA em Brasília, que acionou líder do PL para receber delegação americana

Procurado pela reportagem, o Itamaraty não comentou as razões para a negação dos vistos e reforçou que, quanto à aprovação ou não do nome de Daniel Perez à embaixada no Brasil, o processo segue de forma sigilosa.  

As tensões entre os dois países emergem no contexto das intervenções políticas de Donald Trump na América Latina e das relações com o bolsonarismo, ala mais representativa do ultraconservadorismo no Brasil. Essas conexões são estratégicas na corrida eleitoral à Presidência da República, liderada pelo presidente Lula (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Luis Dantas/Wikimedia Commons

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