Manicure perde R$ 1,2 milhao com golpe de investimento em SP
Moradora da zona leste de São Paulo, uma manicure de 42 anos perdeu mais de R$ 1,2 milhão em um golpe de falso investimento aplicado por criminosos que se apresentavam como “Dr. Jesus” e “Epaminondas”. O caso, que chocou familiares e amigos, já é investigado pela Polícia Civil de São Paulo.
A vítima, que pediu para não ser identificada, foi atraída por uma falsa corretora offshore com sede supostamente no Chipre, na Europa, chamada “ModMount”. O golpe do falso investimento começou de forma gradual em julho de 2025, quando a manicure fez aplicações iniciais de valores baixos e, para sua surpresa, conseguiu realizar alguns resgates com lucro.
Esse retorno inicial, segundo especialistas, é uma das principais estratégias dos golpistas. “O golpe do falso investimento não ataca a inteligência da pessoa, ataca a confiança. Ele é construído para que qualquer um caia: começa pequeno, entrega os primeiros resgates e, quando a confiança está formada, escala”, explica Danilo Pardi, advogado que representa a vítima.
Pressão psicológica e taxas fictícias
A partir de setembro de 2025, a manicure foi informada de que precisava realizar novos aportes para liberar os resgates. Sob forte pressão e acreditando que conseguiria recuperar o valor já investido, ela continuou transferindo dinheiro. Os criminosos exigiam valores cada vez maiores, incluindo R$ 132 mil como suposta “taxa de câmbio” exigida por um banco para manter a cobertura da conta.
As mensagens obtidas pela reportagem mostram o desespero da vítima. “Eu não tenho estrutura psicológica para passar por isso de novo”, escreveu a manicure em uma conversa. Em outro momento, ela suplica: “Não posso perder esse dinheiro que não é meu, pelo amor de Deus”. O dinheiro perdido incluía não apenas as economias da manicure, mas também R$ 60 mil que pertenciam à sua mãe, valor que ela havia depositado em sua conta e que também foi investido com os criminosos.
O golpe envolvia uma estrutura aparentemente profissional, com plataforma digital, atendentes e um painel que simulava a evolução dos investimentos. Depois de recebidos, os recursos eram pulverizados entre diferentes contas e convertidos em criptomoedas, dificultando o rastreamento.
“Dr. Jesus” e “Epaminondas”: os nomes por trás do golpe
Por mensagem, um dos criminosos se apresentava à mulher como “Dr. Jesus”, utilizando linguagem técnica e prometendo altos retornos. Outro comparsa, identificado apenas como “Epaminondas”, entrava em cena quando a vítima demonstrava hesitação. A combinação de nomes religiosos e supostamente sofisticados ajudava a criar uma falsa sensação de credibilidade.
Segundo os advogados, os golpistas utilizavam uma abordagem calculada. Quando a vítima tentava retirar uma quantia maior, surgiam novas exigências, como pagamento de taxas, impostos ou novos aportes para liberar o dinheiro. “É nesse momento que o prejuízo costuma aumentar rapidamente. O criminoso cria uma situação em que a vítima sente que não pode parar. É justamente essa pressão que faz com que ela continue transferindo recursos, muitas vezes sem perceber que está tentando recuperar um dinheiro que, na realidade, já foi desviado”, afirma Pardi.
Boletim de ocorrência e investigação policial
Após a perda milionária, a manicure registrou um boletim de ocorrência no dia 20 de julho de 2026. A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso de estelionato por meio do 21º Distrito Policial, na Vila Matilde, zona leste da capital.
O caso é um alerta para um tipo de golpe que tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. Os criminosos se apresentam como supostos especialistas em investimentos, mostram plataformas sofisticadas, gráficos de rentabilidade e resultados iniciais positivos. A vítima não precisa necessariamente ter experiência ou grandes conhecimentos financeiros para cair na armadilha.
A orientação das autoridades é que, ao perceber um contato suspeito ou que já caiu em uma prática criminosa, a pessoa deve comunicar imediatamente o banco ou instituição financeira envolvida e registrar a ocorrência policial. É recomendável preservar todos os comprovantes, conversas, telas e qualquer informação que possa ajudar a identificar o caminho do dinheiro. O tempo é um elemento crítico nesse tipo de fraude.
Alerta para novos golpes
Casos como o da manicure da zona leste evidenciam a importância de desconfiar de ofertas de investimento com retornos muito acima da média do mercado. Plataformas offshore que prometem lucros garantidos e utilizam nomes fictícios como “Dr. Jesus” e “Epaminondas” devem ser tratadas com suspeita.
A Polícia Civil recomenda que, antes de investir, as pessoas verifiquem se a corretora ou plataforma tem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no Brasil. Outra dica importante é nunca transferir dinheiro para contas de pessoas físicas em nome de supostas corretoras e desconfiar de taxas exigidas para liberar resgates.
A manicure, que agora enfrenta dificuldades financeiras, espera que a investigação ajude a identificar os responsáveis e evitar que novas vítimas caiam no mesmo golpe. Para quem busca informações seguras sobre direitos e serviços em São Paulo, o site da prefeitura e os canais oficiais de defesa do consumidor são sempre a melhor fonte.
Com informações da CNN Brasil
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