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Juros futuros recuam com apoio externo, após ‘payroll’ fraco | Finanças

Juros futuros recuam com apoio externo, após ‘payroll’ fraco | Finanças

Juros futuros recuam com apoio externo, após ‘payroll’ fraco | Finanças

Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira (7) em queda, com o suporte de um cenário externo favorável à redução das taxas. Isso se deu após a divulgação do relatório oficial do mercado de trabalho dos Estados Unidos em julho, conhecido como “payroll”, revelar uma inesperada diminuição de empregos no país no mês anterior. Isso reduziu as chances de o Federal Reserve (Fed) elevar as taxas a curto prazo, de acordo com a perspectiva do mercado.

Ao final das negociações, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 teve uma leve queda de 13,765% para 13,745%; a do DI de janeiro de 2028 recuou de 13,855% para 13,79%; a do DI de janeiro de 2029 registrou baixa de 14,11% para 14,035%; e a do DI de janeiro de 2031 caiu de 14,32% para 14,275%.

Nos Estados Unidos, a taxa do T-note de dois anos encerrou em queda de 4,258% para 4,206%, enquanto a do T-note de dez anos baixou de 4,681% para 4,651%.

Em um dia sem eventos locais relevantes para o mercado, o payroll dominou as mesas de operação nesta sexta-feira. A redução líquida de 23 mil empregos em julho surpreendeu os investidores, que aguardavam a criação de 83 mil vagas formais nos EUA. Além disso, houve uma revisão para baixo das estimativas anteriores, removendo 103 mil empregos anteriormente contabilizados. Apesar do desempenho fraco, a taxa de desemprego na economia americana caiu de 4,2% para 4,1%, enquanto o salário médio por hora permaneceu praticamente estável entre junho e julho.

Com base nos dados, o mercado revisou suas expectativas para a decisão de juros do Fed em setembro. Agora, há uma probabilidade de 56% de a autoridade monetária americana manter a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, em comparação com 44% de chances de elevação de 0,25 ponto percentual, conforme levantamento do CME Group. Antes deste dia, havia uma leve inclinação para um aumento dos juros nos EUA no próximo mês.

No contexto brasileiro, a manutenção das taxas de juros americanas pelo Fed abre espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central prossiga com um possível corte adicional de 0,25 ponto na Selic, levando a taxa básica para 13,75% em setembro. No mercado de opções digitais do Copom, a probabilidade de outro corte no próximo mês subiu de 68% para 72%, enquanto a chance de a Selic se manter em 14% diminuiu de 27% para 22%. Existe ainda uma pequena probabilidade de 5% de que o Copom acelere o ritmo de cortes e reduza a Selic em 0,5 ponto, chegando a 13,50%.

Embora os mercados de renda fixa brasileiro e americano tenham reagido positivamente ao payroll, não há consenso de que os dados eliminaram a possibilidade de o Fed aumentar os juros no próximo mês. Segundo o Goldman Sachs, essa possibilidade diminuiu, mas o foco do BC americano continua na inflação, sendo que tudo dependerá dos dados de inflação ao consumidor americano de julho, que serão divulgados na semana seguinte.

“Acreditamos que as chances de elevação dos juros em setembro aumentaram com os dados de inflação da próxima semana, embora um núcleo de inflação mais moderado possa levar a uma redução significativa na probabilidade de aumento dos juros”, afirmam os economistas do Goldman Sachs em relatório.

Nesse cenário, é provável que as taxas dos Treasuries continuem caindo, ao passo que a curva de juros americana volte a se inclinar, exigindo mudanças mais substanciais nos aspectos fiscais, de investimentos e cíclicos para um rali dos Treasuries de longo prazo.

Vale destacar que a inclinação da curva dos Treasuries observada em julho teve um impacto relevante na renda fixa nacional, com a curva de juros futuros refletindo esse comportamento, apresentando uma acentuada inclinação que levou o spread entre as taxas de dois e dez anos do Brasil a ultrapassar os 70 pontos-base.