Lula aposta em derrota de Trump para frear avanço nos EUA
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva aposta na vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos para reequilibrar a relação de força com Donald Trump e reduzir a ofensiva americana contra o Brasil. A avaliação do Palácio do Planalto e do Itamaraty é de que uma maioria democrata no Congresso pode servir de freio às ações do republicano na América Latina, política que interlocutores chamam de “Doutrina Donroe”.

Foto: Reprodução / ICL Notícias
O que é a “Doutrina Donroe”
O termo resume a política externa americana de pressão sobre a América Latina, marcada por sanções, tarifas e interferência em processos políticos. Desde 2025, o Brasil sofre medidas comerciais e viu Flávio Bolsonaro fugir para os Estados Unidos com auxílio citado por autoridades americanas.
A fuga do senador virou um dos pontos centrais da crise entre Brasília e Washington. Para o governo brasileiro, ela expõe a ingerência de Trump nos assuntos internos do país.
A ponte construída com os democratas
Ao longo dos meses, o governo brasileiro e atores independentes costuraram proximidade com senadores e deputados democratas. A ideia era criar uma aliança e expor as violações americanas contra o Brasil.
Foram pelo menos dez manifestações e cartas de democratas cobrando a Casa Branca. Lula chegou a reservar parte de sua agenda, em setembro, para encontros com o senador Bernie Sanders e com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
A carta de quase 30 deputados sobre a fuga
Na última semana, quase 30 deputados democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio. O grupo cobra explicações sobre qual teria sido o papel do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro.
Os democratas querem entender por que Trump concedeu visto humanitário ao brasileiro enquanto suspendeu o instrumento para mais de 500 mil pessoas vindas de países em guerra.
Por que a minoria muda o jogo no Congresso
Até agora, os democratas eram minoria e não tinham votos para abrir comissões de inquérito. Uma eventual vitória nas urnas muda essa correlação de forças.
A votação renova as 435 cadeiras da Câmara e um terço do Senado. Não se descarta que a fuga de Flávio se transforme em uma comissão de inquérito no Congresso americano.
Tarifas e política comercial em jogo
Nos Estados Unidos, a política comercial é prerrogativa do Congresso. Trump contornou essa regra ao declarar “emergência nacional” para impor medidas, segundo a reportagem do ICL Notícias.
Quando o instrumento se esgotou, o republicano lançou investigações para justificar novas tarifas. Com maioria democrata, o custo político dessas decisões aumentaria.
O que o governo brasileiro espera para 2027
A expectativa em Brasília é abrir uma relação pragmática com a Casa Branca. Os Estados Unidos são vistos como parceiro “inescapável”, e o caminho apontado é buscar acertos em áreas de interesse comum.
O Brasil quer interromper o avanço americano na região desde o processo eleitoral. Os democratas, por sua vez, querem mostrar o que consideram um caminho perigoso da política externa de Trump.
Próximos passos: reunião em dezembro e G20 em Miami
Em dezembro, Marco Rubio e o chanceler Mauro Vieira devem se reunir para avaliar a agenda bilateral. Lula ainda vai ao G20, em Miami.
Não se descarta um encontro entre Trump e o presidente brasileiro. O cenário depende do resultado das eleições legislativas americanas, acompanhadas de perto pelo governo brasileiro.
O que são as midterms
As eleições de meio de mandato acontecem no meio do mandato presidencial e funcionam como termômetro do governo. Nesta terça-feira (3), os americanos renovam toda a Câmara dos Representantes, com 435 cadeiras, e 35 das 100 vagas do Senado.
Também estão em disputa 36 governos estaduais e uma série de referendos locais. Cerca de 250 milhões de americanos estão aptos a votar, segundo a France Presse.
Onde está a vantagem nas pesquisas
Os republicanos de Trump controlam hoje as duas Casas, mas com maioria apertada. Agregadores de pesquisas apontam vantagem democrata, sobretudo na Câmara dos Representantes.
No Senado, a disputa é mais incerta. Os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, e os democratas precisam conquistar quatro assentos para assumir o controle.
O que uma derrota significa para Trump
Uma derrota amplia a fiscalização sobre o Executivo americano. O Congresso pode abrir comissões de inquérito e travar parte da agenda do presidente.
O próprio Trump já afirmou que só reconheceria o resultado “se a votação for honesta”. A frase aumentou a apreensão de autoridades americanas sobre uma possível contestação do pleito.
O histórico das midterms
Os americanos votam dois anos depois da eleição presidencial, em um pleito que costuma punir o partido do presidente. Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, os republicanos perderam 41 cadeiras na Câmara.
Em 2022, sob a presidência de Joe Biden, os democratas perderam nove cadeiras. A tendência histórica ajuda a explicar a aposta do governo brasileiro em uma derrota de Trump neste ano.
Com informações do ICL Notícias
RedeBrasil



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