Marvell compra Lumentum por US$ 115 bi em aposta em IA
A Marvell Technology anunciou nesta segunda-feira (2) um acordo para comprar a Lumentum, fabricante de componentes ópticos, em uma transação de US$ 115 bilhões inteiramente em ações e incluindo dívidas. O negócio é uma das maiores apostas corporativas de 2026 no mercado de data centers para inteligência artificial.
A operação está entre as maiores fusões do setor de tecnologia anunciadas no ano e reforça a leitura de que a corrida pela infraestrutura de IA entrou em uma fase de consolidação.
Ao adquirir a Lumentum, que tem cerca de metade do seu tamanho, a Marvell aposta que o boom de gastos com IA das grandes empresas de tecnologia veio para ficar. A companhia espera que a procura por componentes ópticos continue superando a oferta por vários anos.
O movimento intensifica o desafio da Marvell à rival de maior porte, a Broadcom, referência no setor de chips personalizados para centros de dados.
O que a Marvell compra com a Lumentum
A Lumentum produz componentes ópticos, peças que convertem sinais elétricos em luz e permitem a comunicação entre servidores dentro de um data center. Sem esses equipamentos, o tráfego de dados que alimenta os modelos de inteligência artificial não circula na velocidade exigida pelas grandes nuvens.
Um data center de IA funciona como milhares de computadores ligados entre si. Para que as informações cruzem essa malha em frações de segundo, a indústria usa cabos e módulos ópticos, que transmitem dados por luz em vez de eletricidade e reduzem o consumo de energia.
Com o avanço das redes de IA, a demanda por esse tipo de peça cresceu acima da capacidade de produção do setor. Esse descompasso abriu espaço para movimentos de aquisição, já que quem controla a oferta de componentes ópticos ganha poder de negociação com as grandes plataformas.
A Marvell afirma que a transação ampliará o mercado total acessível da empresa resultante da fusão para US$ 550 bilhões. O cálculo reúne os dois portfólios, que vão de chips personalizados a módulos de comunicação óptica.
Os números do acordo
Pelo contrato, a Marvell pagará US$ 1.132 por ação em ações, um prêmio de 23,9% em relação ao último fechamento não afetado da Lumentum, em 28 de outubro, antes de as negociações serem divulgadas. Isso confere ao negócio um valor patrimonial de US$ 102,54 bilhões.
A diferença entre o valor total de US$ 115 bilhões e o patrimonial de US$ 102,54 bilhões vem das dívidas da Lumentum, que passam para a Marvell com a operação.
O mercado reagiu de imediato. As ações da Marvell subiram 2,8% no pré-mercado, enquanto as negociações com os papéis da Lumentum foram suspensas à espera dos detalhes do negócio.
A Nvidia, gigante dos chips de IA, investiu US$ 2 bilhões tanto na Marvell quanto na Lumentum no início deste ano. A aposta dupla da companhia de Jensen Huang sinaliza que ela enxerga valor nas duas pontas da cadeia de infraestrutura.
A trajetória da Marvell e a disputa com a Broadcom
Há três anos, a Marvell era uma fabricante de chips relativamente desconhecida. Desde então, seu valor de mercado disparou para mais de US$ 170 bilhões, impulsionado pela ajuda a gigantes como a Amazon no desenvolvimento de chips personalizados e de tecnologia de rede.
A compra também mira a Broadcom, principal parceira histórica de chips personalizados do Google, da Alphabet. A Broadcom oferece aos clientes uma gama mais ampla de hardware de IA sob o mesmo teto, vantagem que a Marvell tenta neutralizar com a aquisição.
Em agosto, a Marvell assinou com o Google um acordo para fornecer chips que atuam em conjunto com os processadores de IA da empresa. O contrato prevê vendas de até US$ 120 bilhões até o ano fiscal de 2033 e concede ao gigante das buscas o direito de adquirir uma participação de US$ 12,2 bilhões. Para comparar o porte do movimento, o Itaú fechou a compra da NeoSpace por R$ 2,9 bilhões no mercado brasileiro.
O que esperar daqui para frente
O negócio ainda depende de aprovações regulatórias nos Estados Unidos e em outros mercados. Analistas esperam escrutínio das autoridades de concorrência, dado o tamanho da operação e o peso das duas empresas na cadeia de suprimentos de IA.
A tendência é de consolidação acelerada no setor. Os executivos de chips projetam que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial deve se sustentar por muitos anos, o que empurra fabricantes a buscar escala para atender às encomendas das grandes plataformas.
O anúncio ocorre em um ano de movimentações bilionárias no setor de chips, quando fabricantes correm para garantir capacidade de produção diante da demanda por inteligência artificial. Entre as maiores operações do ano, o negócio mostra como a infraestrutura que sustenta a IA virou alvo de disputa entre os gigantes da tecnologia.
Para os clientes, a compra pode significar um fornecedor com portfólio mais completo, capaz de entregar chips e componentes ópticos em conjunto. O risco apontado por analistas é o de menos concorrência em um mercado que já opera com poucos fornecedores qualificados.
Com informações da Forbes Brasil.
RedeBrasil



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