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O monopólio das sementes nos EUA: como três corporações transformaram um bem natural em propriedade privada e destruíram o sonho americano

O monopólio das sementes nos EUA: como três corporações transformaram um bem natural em propriedade privada e destruíram o sonho americano

O monopólio das sementes nos EUA: como três corporações transformaram um bem natural em propriedade privada e destruíram o sonho americano

O monopólio das sementes nos EUA: como três corporações transformaram um bem natural em propriedade privada e destruíram o sonho americano
Plantacoes nos EUA: o sonho americano que virou pesadelo para pequenos agricultores (Foto: Unsplash)

O “sonho americano” do pequeno agricultor nos Estados Unidos se transformou em um pesadelo de endividamento, exploracao e dependencia. Tres enormes corporacoes controlam mais de 60% do mercado global de sementes, e os produtores rurais americanos sao cada vez mais refens de um sistema que transformou um bem natural a semente em propriedade privada patenteada.

O monopolio comecou a se consolidar nos anos 1990 e 2000, com fusoes sucessivas que concentraram o poder nas maos de poucas empresas. Hoje, a Bayer (que comprou a Monsanto), a Corteva e a ChemChina-Syngenta dominam o mercado de sementes transgenicas nos Estados Unidos. O resultado pratico? O agricultor americano nao pode mais guardar sementes da propria colheita para plantar no ano seguinte ele e obrigado a comprar sementes novas a cada safra, sob pena de processo por violacao de patente.

Sim, voce leu certo. Nos Estados Unidos, uma empresa pode processar um agricultor por replantar sementes que ele mesmo cultivou. A semente, que durante milhares de anos foi um bem comum, parte do ciclo natural da agricultura, tornou-se propriedade intelectual protegida por contratos e patentes. Quem descumpre, paga multas milionarias ou perde a terra.

O endividamento dos produtores

O custo das sementes patenteadas disparou nas ultimas decadas. Um saco de sementes de milho transgenico que custava US$ 50 nos anos 1990 hoje pode chegar a US$ 400. Os agricultores sao forcados a comprar nao apenas as sementes, mas tambem os agrotoxicos especificos vendidos pelas mesmas empresas um pacote fechado que deixa o produtor sem margem de escolha.

O resultado e uma crise de endividamento rural sem precedentes nos EUA. Milhares de fazendas familiares foram a falencia desde 2010. Os que resistem trabalham de sol a sol para pagar dividas com as corporacoes, enquanto o lucro fica nas maos dos acionistas das gigantes do agronegocio.

O “sonho americano” do agricultor independente, dono da propria terra e do proprio sustento, deu lugar a uma realidade de peao de industria: o produtor trabalha para as corporacoes, segue as regras impostas pelos contratos de patente e, no final do ciclo, mal consegue pagar as contas.

O bem natural virou propriedade privada

O caso das sementes e paradigmatico. A natureza produziu as sementes por milhoes de anos sem nenhuma intervencao humana. As empresas de biotecnologia modificam geneticamente algumas variedades e, com base nisso, patentearam nao apenas a modificacao, mas a propria semente impedindo que qualquer pessoa a replante sem pagar royalties.

Criticos apontam que isso viola principios basicos de justica e sustentabilidade. A diversidade genetica das culturas agricolas diminuiu drasticamente, ja que os agricultores abandonam variedades tradicionais em favor das sementes patenteadas. A seguranca alimentar do planeta fica nas maos de tres corporacoes, em um oligopolio que controla o que se planta, como se planta e a que preco se planta.

Organizacoes internacionais e movimentos sociais ao redor do mundo denunciam essa concentracao como uma nova forma de colonialismo as mesmas empresas que controlam as sementes tambem controlam os agrotoxicos, os fertilizantes e, cada vez mais, a distribuicao dos alimentos. O agricultor, que ja foi o elo mais forte da cadeia alimentar, tornou-se o mais fragil.

Enquanto isso, o “sonho americano” continua sendo vendido como propaganda, enquanto os pequenos produtores dos EUA amargam dividas, processos judiciais e a perda de suas terras. O livre mercado, na pratica, e o imperio de tres ou quatro gigantes que decidiram que a natureza tem dono e esse dono nao e o agricultor.

Rede Brasil

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