×

‘Rei da Sucata’ é preso em SP suspeito de lavagem para o CV

‘Rei da Sucata’ é preso em SP suspeito de lavagem para o CV

‘Rei da Sucata’ é preso em SP suspeito de lavagem para o CV

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu no sábado (7) o empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como “Rei da Sucata”, suspeito de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Ele foi detido no shopping Cidade Jardim, na Zona Sul de São Paulo, enquanto fazia compras em uma joalheria de luxo.

A prisão ocorre no âmbito da Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio, quando 24 pessoas foram presas. Na ocasião, Alcântara não foi localizado e passou a ser considerado foragido. Ele entrou em alerta vermelho na lista da Interpol e chegou a fugir para os Estados Unidos, retornando ao Brasil no início de outubro.

Suspeita de repasses ao operador do tráfico

Segundo as investigações, o empresário usava uma companhia de metais para repassar R$ 4,6 milhões ao operador financeiro do traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, que atua no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A apuração aponta que o dinheiro do tráfico era movimentado por meio de empresas de reciclagem, sucatas e metais, com aparência de negócios regulares.

Coaf identificou transferências fracionadas

Uma análise de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências da empresa para contas do principal operador financeiro de Rabicó. Os agentes localizaram repasses individualizados de R$ 4,6 milhões, além de movimentações de cerca de R$ 1,6 milhão para contas vinculadas a outras empresas do mesmo circuito empresarial.

Como o dinheiro era reinserido na economia

Em nota, a Polícia Civil afirmou que os recursos percorriam uma rede de empresas e pessoas interpostas antes de serem reinseridos na economia formal. “O trabalho revelou que empresas do ramo de reciclagem, sucatas e metais foram utilizadas para movimentar valores provenientes do tráfico, por meio de contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie e transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica aparentemente compatível”, informou a corporação.

Ainda conforme a polícia, o dinheiro do tráfico não circulava apenas por contas diretamente ligadas aos integrantes da facção, mas também por negócios aparentemente regulares, especialmente dos setores de reciclagem, sucatas e metais. Esse tipo de estrutura dificulta o rastreamento dos valores e mistura recursos ilícitos a operações legítimas.

Cooperação internacional na captura

A ação deste sábado foi coordenada com o Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) e contou com o apoio do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A cooperação foi decisiva para localizar o empresário após a fuga para o exterior.

O caso se soma a outras operações recentes contra o crime organizado em São Paulo e no Rio. Na mesma semana, a Polícia Civil paulista indiciou o narrador esportivo Milton Leite por suspeita de ligação com o PCC, em investigação que também mira o elo entre empresas e facções criminosas.

A prisão em um shopping de alto padrão

Alcântara foi detido dentro do shopping Cidade Jardim, um dos endereços de comércio de luxo mais conhecidos da capital paulista, na Zona Sul. Segundo a polícia, ele estava em uma joalheria do centro de compras no momento da abordagem. A localização do empresário, que estava foragido desde maio, só foi possível após trabalho de inteligência entre as forças de segurança.

O que é o alerta vermelho da Interpol

O alerta vermelho, conhecido como “red notice”, é um pedido internacional de localização e captura de uma pessoa procurada pela Justiça. O mecanismo é usado em casos de crimes graves e permite que autoridades de outros países auxiliem na detenção do procurado. No caso de Alcântara, o alerta era um dos instrumentos que dificultavam a permanência dele fora do Brasil. No Brasil, a Interpol é representada pela Polícia Federal, que centraliza os pedidos de cooperação com autoridades de outros países e coordena as buscas por foragidos no exterior.

Facções e empresas de fachada

Investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro têm apontado, com frequência, o uso de empresas de fachada para lavar dinheiro do tráfico. Setores como reciclagem, transporte, construção e comércio de metais são preferidos porque envolvem grande circulação de dinheiro em espécie, o que dificulta o rastreamento das operações. A estrutura encontrada no caso do “Rei da Sucata” segue esse padrão, segundo a Polícia Civil.

Investigação segue em andamento

A Operação Contenção é uma das frentes de combate à lavagem de dinheiro atribuída ao Comando Vermelho. As autoridades apuram como os valores do tráfico chegam ao sistema financeiro e quais empresas servem de ponte para a facção, com base em relatórios do Coaf e no cruzamento de dados bancários de pessoas físicas e jurídicas.

O que acontece agora

Preso, Alcântara deve ser apresentado à Justiça e responder por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa dele não havia se manifestado até a publicação desta matéria. As investigações da Operação Contenção seguem em andamento, com outros desdobramentos previstos pelas autoridades.

A apuração completa está no site da Veja, fonte desta matéria. Foto: PCERJ/Divulgação.

RedeBrasil

Publicar comentário